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Reformas em aeroporto, projetos ainda não iniciados e outros perto da conclusão: como estão as obras de Porto Alegre para a Copa de 2014

Em 13 de junho de 2014 começava a Copa do Mundo no Brasil. Muitas das obras esperadas para o torneio não saíram do papel ou não foram concluídas. Passados cincos anos, o país volta a sediar outra grande competição do futebol masculino - a Copa América -, e parte dos trabalhos idealizados no passado ainda não foi terminada.

Antes de a bola rolar novamente no país, o ESPN.com.br checou como está o andamento dos projetos prometidos para meia década atrás nas sedes da Copa América: Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Veja abaixo o cenário em Porto Alegre:

Para o Mundial, foram entregues seis obras: Beira-Rio, o aeromóvel no aeroporto Salgado Filho, o viaduto e complexo da Rodoviária, as avenidas Beira-Rio e Padre Cacique e o ILS2, que é um equipamento que ajuda em pousos e decolagens dos aviões quando há neblina.

O BRT (Bus Rapid Transit), que é um sistema de transporte rápido, foi deixado de lado no meio do caminho. Inclusive, no começo de 2018, a prefeitura obteve autorização do Governo Federal para utilizar R$ 115 milhões reservados aos BRTs em outras obras da Copa.

Já no aeroporto, houve uma situação complexa. As ampliações da pista e do terminal de passageiros faziam parte do projeto. Ainda em dezembro de 2012, a Infraero havia rechaçado o aumento da pista para a Copa de 2014. Quanto ao terminal, era esperado que ficasse pronto um mês antes do Mundial. A construção ocorreu entre setembro de 2013 e janeiro de 2016 e não chegou a 20% da conclusão, conforme apontou o jornal Zero Hora.

Em março de 2017, a alemã Fraport ganhou o leilão para assumir a administração do Salgado Filho a partir do ano seguinte. Em março de 2018, começou a demolição das obras inacabadas para então refazê-las. A estimativa é de que a ampliação do terminal 1 fique pronto em outubro, enquanto que a da pista acabe em 2021.

No momento, ainda há uma questão a ser resolvida quanto às famílias que moram nos arredores da cabeceira do aeroporto.

Já a respeito da infraestrutura viária, até 2014 somente tinham sido concluídos o viaduto da Júlio de Castilhos no complexo da Rodoviário e obras no entorno do Beira-Rio, como o Viaduto da Pinheiro Borda, as Avenidas Beira-Rio e Padre Cacique. O viaduto sobre a Bento Gonçalves, por sua vez, foi liberado em março de 2015.

Até junho de 2018, apenas seis dos 18 projetos deste segmento estavam finalizados, como apontou o portal G1. Desde então, os corredores da Protásio Alves e da Bento Gonçalves também ficaram prontos. No caso do corredor da Protásio, há a ressalva de que ainda faltam ser colocadas barreiras.

No momento são oito obras incompletas e duas que sequer foram iniciadas.

Confira abaixo qual é a situação de cada uma e quanto resta para ficarem prontas, de acordo com a Secretaria de Planejamento e Gestão de Porto Alegre:

Avenida Plínio Brasil Milano

Execução: Não iniciada

A prefeitura tinha a intenção de erguer um viaduto, mas no terreno funcionava uma revenda de veículos. O impasse judicial durou mais de dez anos e foi resolvido no segundo semestre de 2018, mas as obras ainda não foram iniciadas e não há previsão de conclusão.

De acordo com o secretário adjunto de Planejamento e Gestão de Porto Alegre, Daniel Rigon, a procuradoria apontou que não era economicamente mais indicado para o município manter o contrato feito há oito anos. A dúvida seria lançar “um novo edital” e “correr o risco da empresa que ganhou impugnar” ou buscar “uma solução jurídica e econômica para que isso não dê prejuízo ao município e juridicamente esteja perfeito”. “Essa discussão ainda acontece”.

Avenida Tronco – trechos 1 e 2

Execução: 35%

Avenida Tronco – trechos 3 e 4

Execução: 46%

As obras na Avenida Tronco, na Zona Sul, começaram em 2012, pararam em 2016 e foram retomadas em junho de 2018. A expectativa é que os trechos 3 e 4 sejam concluídos em agosto de 2021 e os trechos 1 e 2, em agosto de 2022.

Para a realização das obras na via, que tem cerca de 5,5km, houve a necessidade de retirar famílias do entorno da avenida. Ainda há cerca de 70 famílias a serem retiradas da localidade, distribuídas ao longo dos trechos. A secretaria argumenta que há pessoas que não querem sair, o que fez com que a questão fosse ao judiciário.

Secretaria, sobre trechos 1 e 2: Esses trechos, no momento não estão em obras, pois aguardam a liberação de áreas. Já foram executadas obras na Av. Gastão Mazeron e em parte da Av. Teresópolis. Ainda faltam serviços em parte da Av. Teresópolis, na Rua Silva Paes e a rotatória junto à quadra do Gauchinho.

Secretaria, sobre trechos 3 e 4: As obras estão em andamento na Rua Cruzeiro do Sul entre as Ruas Dona Malvina e Av. Divisa e na Av. Divisa entre a Rua Cruzeiro do Sul e Rua Comandaí. Os serviços que ocorrem são pavimentação, drenagem pluvial, esgoto cloacal, rede de água e rede de iluminação. A nova rótula da Avenida Icaraí faz parte da obra e já foi entregue e liberada.

Trincheira da Avenida Cristóvão Colombo

Execução: 90%

Em março, foi liberado um trecho de 60m graças a uma parceria entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim) e moradores e empresários da região, que doaram materiais para o projeto, ajudando na pista e alça de acesso no sentido Norte/bairro.

As obras começaram em 2013 e pararam em 2017 devido a problemas no consórcio, enquanto que as empresas que ficaram em segundo e terceiro não tiveram interesse em seguir adiante. O trabalho da cidade com a população fez com que os trabalhos se encerrassem em dois meses. Agora, é necessária uma nova licitação. Reiniciadas as obras, a estimativa de finalização é de oito meses.

Secretaria: Entre os serviços que ainda precisam ser executados para a conclusão estão o alargamento da Cristóvão Colombo, entre as ruas Honório Silveira Dias e Luzitana, muros de contenção e o acesso bairro/Sul.

“Dá um projeto de R$ 2 milhões e quebradinhos. Fizemos uma licitação, deu deserto, ninguém quis. Por quê? É um valor muito pequeno para o tipo de obra”, declarou Rigon, que falou que a ideia é “republicar o edital” e “ver se há mais algum reajuste que dê para fazer no valor”.

Trincheira da Ceará

Execução: 96%

As obras, que começaram em dezembro de 2012, viram a expectativa de conclusão ser adiada para dezembro de 2016. Em junho de 2017, elas foram paralisadas, somente reiniciando em março de 2018. Em setembro, o prazo era de que a obra ficasse pronta até fevereiro de 2019. No entanto, em janeiro já não havia mais prazo para a conclusão devido a duas infiltrações e à necessidade de instalação de uma bomba de drenagem. Atualmente, a estimativa é que a obra seja concluída em outubro.

Secretaria: Estão sendo realizados ajustes dentro da trincheira como execução de drenos, recomposição de paredes e tamponamento de infiltrações. Também está em execução a instalação de new jersey (barreiras de segurança em concreto) na saída da trincheira, finalização do prolongamento da canaleta no canteiro central para coleta da água da chuva.

Trincheira da Anita Garibaldi

Execução: 97%

As obras na trincheira de 210m foram retomadas em abril de 2018 e paralisadas em novembro. Houve o reinício em fevereiro de 2019. A expectativa é que o trabalho seja encerrado ainda em junho.

Secretaria: Em execução: alargamento da via, passeios e ajustes finais.

Avenida Severo Dullius

Execeução: 49%

A obra tem como finalidade prolongar a avenida e permitir a ligação com a avenida Sertório, facilitando a conexão do aeroporto Salgado Filho com a Zona Norte da cidade. O trabalho teve início em 2013, acabou paralisado em março de 2017 em meio a pendências de pagamento e foi reiniciado em junho de 2019. A expectativa de conclusão é para outubro de 2021.

Secretaria: Trabalhos retomados no início de junho, após assinatura de aditivo. Falta ainda ser executada a construção de duas pontes e o trecho que liga a Severo Dullius à Rua Dona Alzira.

“Com essa retomada, temos mais cinco meses de obras, que dá para ir fazendo. Temos algumas licitações e projetos para fazer, de iluminação... A gente espera que vá. Tínhamos um risco de perder esse recurso e ter que devolver. Esse risco já não tem mais, nós retomamos”, afirmou Rigon.

Duplicação da Voluntários da Pátria - trecho 1

Execeução: 94%

Duplicação da Voluntários da Pátria - trecho 2

Execeução: Obra não iniciada

As obras não foram retomadas no trecho 1. Elas começaram em agosto de 2012 e tinham a previsão de serem concluídas em um ano, mas pararam em outubro de 2016. Em setembro de 2018, a expectativa era de que a conclusão se desse em julho de 2019. Atualmente, a previsão é para janeiro de 2020.

Secretaria, sobre trecho 1: Aguardando renovação da licença ambiental de instalação.

Secretaria, sobre trecho 2: Projetos de engenharia em revisão pela SMIM (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana).

“Nossa secretaria resolveu revisar o projeto (do trecho 2) para ver se conseguimos refazer o projeto que não impacte tanto em movimentações, que consigamos concluir com o valor que temos, sem fazer grandes desapropriações”, disse Rigon.

Corredor da João Pessoa

Execeução: 50%

A previsão é para janeiro de 2021. A construtora encarregada pelo projeto entrou em recuperação judicial, o que faz com que uma nova licitação seja necessária.

A documentação técnica foi primeiramente à Caixa Econômica Federal, que é o agente financiador. A licitação irá ocorrer a partir do aval dela, e a ideia é que um novo edital seja possivelmente publicado em julho, de acordo com a secretaria.