O judô tem mudado muito nos últimos anos, e as Olimpíadas de Paris têm sido especialmente marcadas pela quantidade de lutas decididas em punições bem polêmicas. O brasileiro Leonardo Gonçalves foi vítima de uma delas nesta quinta-feira e acabou derrotado logo na estreia por Dzhafar Kostoev, dos Emirados Árabes. Depois da luta, ele fugiu das reclamações, mas lamentou que tanta confusão venha sendo criada na modalidade e admitiu que as vezes nem ele mesmo entende as regras.
“Para quem é um amante do judô, é um assunto difícil. Eu amo o judô, por tudo que fez por mim. É até um pouco difícil de entender, para os atletas, para os técnicos e para a arbitragem. Às vezes, eles mesmos estão se confundindo um pouco. Mas acho que todo esporte tem suas regras, no judô não é diferente. Quando é a favor para o judoca do Brasil, a gente não reclama e vice-versa. Nas Olimpíadas, infelizmente, a gente viu mais lances contra o Brasil. Isso é recorrente, infelizmente tem acontecido demais para o Brasil, não sei... às vezes é impressão minha, dos torcedores. A gente fica chateado”, disse Leonardo.
“Antes de ser atleta, eu era um fã do judô. E muitas regras às vezes confundem o público de casa, tenho que explicar para minha mãe, minha mulher como que aconteceu. Às vezes, nem eu entendo, muda. Mas quem está ali é um ser humano. Se eles erram, não é por querer. Espero que não seja. Eu vou rever minha luta, mas judô, esporte é assim mesmo. Importante é não se conformar com a derrota e voltar”, completou.
O judô passou por uma grande transformação nos últimos anos. O que chama mais a atenção é a diminuição nas pontuações. A primeira a ser abolida foi o koka, que era marcado quando se derrubava o rival “sentado” e deixou de ser marcado depois das Olimpíadas de Pequim, em 2008. Depois também deixou de existir o yuko, que era marcado quando se derrubava o rival de lado e parou de ser pontuado após os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.
Com isso, restaram apenas duas pontuações: waza-ari (quando se derruba o rival de costas, mas não totalmente com as costas no chão) e ippon (quando se derruba o rival totalmente com as costas no chão).
Paralelamente a isso, o judô também criou muitas regras novas, a grande maioria com a intenção de proteger os atletas.
A união disso tudo criou até uma nova forma de lutar. Há judocas que criaram um plano de jogo de bastante volume (mas não necessariamente em busca de ippon). Isso faz com que o adversário seja punido por falta de combatividade e pode acabar definindo o vencedor.
“Talvez eu não tenha aprendido a jogar esse estilo de luta, um pouco mais estratégica, talvez eu tenha pecado, não treinado isso. É um estilo de luta mais difícil, eu procuro mais o ippon, e essa é uma luta mais estratégica de shido, de punição”, disse Mayra Aguiar, por exemplo, após perder para a italiana Alice Bellandi na estreia das Olimpíadas.
