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Lenda da NFL fala de dores, falência e 'derrota' na aposentadoria: 'Maioria não tem uma vida bela'

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Lenda da NFL lamenta a situação de jogadores aposentados e pede mais apoio da liga (0:59)

Membro do Hall da Fama da NFL, Eric Dickerson foi o entrevistado do Papo Antunes e falou sobre a situação dos jogadores aposentados (0:59)

Membro do Hall da Fama da NFL, Eric Dickerson foi um dos melhores corredores que a liga já teve.

Dono do recorde de jardas em uma temporada - 2,105 em 1984 - o ex-jogador foi o convidado do Papo Antunes desta semana e explicou os efeitos de sua profissão em seu corpo e reclamou da falta de atenção com os atletas aposentados.

“Eu acho que eles (NFL) estão tentando fazer muito mais pela segurança dos jogadores, eu dou crédito nisso. Acho que eles estão tentando proteger os atletas, mas, às vezes, acho que é muito focado no quarterback. Mas, para os ex-jogadores, nada. Eles simplesmente largaram. Há vários sem seguro saúde, nossa pensão é terrível, eles tentaram dar uma coisa ou outra, mas é ruim. Todo mundo acha que os jogadores têm essa vida bela na aposentadoria, e a maioria não tem. A maioria está derrotada, falida, sem o básico porque eles não ganhavam esse dinheiro lá atrás”, explicou Dickerson.

O ex-camisa 29 brilhou durante a década de 80 e começo da de 90 com as camisas de Los Angeles Rams, Indianapolis Colts, Oakland Raiders e Atlanta Falcons. Jogando como running back, uma das posições que mais sofrem contatos durante a partida, ele descreveu os efeitos colaterais das pancadas em seu corpo.

“É como estar em um acidente de carro muito grave. E por várias vezes. Todas as semanas. Alguns dias são melhores, algumas semanas são melhores. Você não sente as pancadas como sentia antes. Um pouco antes da minha aposentadoria, chegou ao ponto que eu não conseguia dormir porque uma lesão no pescoço estava me matando. Eu não sabia a gravidade. Mas quando eu me aposentei, eu precisei dormir sentado em uma cadeira por quase dois anos. Esse era o nível da dor”, revelou.

Para Dickerson, a NFL deveria se preocupar mais com os atletas que dedicaram anos de sua vida e de sua saúde pelo esporte. Ele acredita que a liga deveria ajudar com um plano de saúde e seguro de vida.

“Acho que seguro saúde é uma das coisas. Algo para todos os jogadores e, se não é para todos os jogadores, pelo menos para aqueles que jogaram por um certo tempo. É difícil até mesmo conseguir um seguro de vida. Se você tentar comprar um seguro de vida sendo jogador da NFL, vão dizer ‘não dá, você tem muitas concussões’. Somos tratados como inimigos”, lamentou.

Contudo, todas estas concussões e dores valeram a pena para o membro do Hall da Fama. O motivo? Família.

“Eu amo o esporte. Mas eu jogava por outro motivo. Eu queria fazer coisas pela minha mãe, quando ela estava viva. Ela trabalhava muito e eu pude dar a ela uma boa vida. Construí uma casa para ela no Texas, comprei o que ela nunca teve. Se eu sacrificaria novamente meu corpo e minha mente por isso? Com certeza, porque eu sei a mãe que eu tinha”.