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Apresentadora da Riot, Evelyn Mackus fala sobre crescimento das mulheres nos e-Sports e detalha machismo no cenário

Evelyn Mackus é repórter das transmissões oficiais de VALORANT no Brasil Bruno Alvares & Cesar Galeão

A jornalista e repórter nas transmissões de Valorant no Brasil participa do podcast Top Suado para falar sobre a trajetória das mulheres nos esports


O cenário de e-Sports, do League of Legends ao Valorant, sempre foi pouco convidativo às mulheres. Relatos de machismo são bastante comuns: quem tem o mínimo de experiência com jogos on-line, por exemplo, já deve ter visto situações de homens ridicularizando mulheres por estarem jogando.

Os games, no entanto, parecem estar evoluindo neste sentido. “Eu sinto que as coisas estão muito melhores para a gente nesse meio agora. Em 2022, do que quando eu entrei”, diz Evelyn Mackus, que é jornalista, apresentadora e repórter da Riot Games nas transmissões de Valorant no Brasil.

Evelyn entrou no cenário de e-Sports em 2017: desde então, ela acredita que a presença das mulheres nos jogos on-line tem crescido bastante, mas que ainda há muito machismo envolvido. Em entrevista ao podcast Top Suado, da ESPN, a jornalista detalhou algumas situações vistas desde sua entrada no cenário.

“Me marcou muito, foi recente, eu conversei com uma colega minha de outra empresa, que estava vindo do esporte tradicional para cá. E aí ela falou - ‘Evelyn, na empresa em que eu trabalhava, a gente pelo menos via mulheres, aqui não tem nada'', conta a jornalista.

A colega de Evelyn trabalhava anteriormente com futebol, que já é um esporte tradicionalmente machista. “E eu tipo, ‘caramba, a mina veio do futebol e está impressionada com o quanto a parada é bizarra para a gente aqui’. Eu não tinha percebido ainda o quanto o cenário é bizonho. Mas eu sinto que está melhorando, de qualquer forma”, afirmou.

A apresentadora da Riot Games, que fez carreira no jornalismo de e-Sports, também contou um pouco sobre sua trajetória. Ela afirma que sempre gostou de assuntos taxados como temas masculinos, como games, filmes de super-herói e ficção científica.

Evelyn revela que, por conta do machismo envolvido nestes diferentes mundos, tendia a ficar mais quieta. “Eu aprendi a ficar muito quieta, sabe? A tipo, eu vou ser aceita nesse ambiente se eu não falar minha opinião, se eu não for percebida aqui”, afirma Evelyn, que começou nos videogames ainda quando era criança, em jogos como Tibia e Ragnarok.

No entanto, a jornalista acredita que houve um divisor de águas em sua vida, que fez com que ela começasse a se sentir mais confortável para discutir e falar sobre assuntos que envolvem e-Sports. “E aí mudou para mim quando eu entrei num fórum - num grupo de Facebook”, conta.

“Era sobre o CBLOL (Campeonato Brasileiro de League Of Legends). Isso foi lá para 2015, mesmo. E aí eu vi os caras comentando e eu não comentava porque eu sabia que, se eu falasse alguma coisa, eu ia ouvir uma besteira por ser mulher ali. Ou, enfim, a coisa ia ser diferente para mim. E aí, eu vi uma mina postando uma matéria sobre o CBLOL mesmo. E os caras estavam respeitando aquela mina, estavam conversando na moral com ela. Estavam discutindo ali o assunto, tratando como gente”, afirma Evelyn.

A partir daí, a jornalista passou a perder o medo de se envolver nos e-Sports, além de fazer grandes amizades que pavimentaram o caminho das mulheres dentro do cenário nos últimos anos.

“E essa mina (que comentou no fórum) era a Dani Rigon, que era da ESPN, agora ela está trabalhando em tradução de games. Mas assim, a Dani foi a minha maior referência, eventualmente ela se tornou uma colega de trabalho muito querida e uma das minhas melhores amigas”, diz Evelyn.

“Mas eu acho que quando a gente está em um cenário que está começando, em um cenário que é totalmente dominado pelos homens, a gente tem que se apoiar. A Dani colocou um tijolinho ali, a Ba, que trabalhou no Omelete também, começou muito antes - hoje é uma das minhas melhores amigas também - colocou um tijolinho. Eu subi nesse tijolinho, coloquei mais tijolinhos, para que agora tenham mulheres em todos os espaços”, completa.

Além disso, Evelyn também comentou sobre o maior número de narradoras e comentaristas mulheres nos e-Sports. No entanto, a jornalista lamenta que isso tenha começado a acontecer apenas no ano passado no CBLOL, mesmo com o campeonato tendo quase dez anos de história.

“Agora a gente realmente consegue ver. Tem várias mulheres ‘casters’ do CBLOL”, afirma Evelyn.

Ainda sobre mulheres que pavimentaram o caminho dos e-Sports, Evelyn valoriza o cenário feminino no Valorant, game de FPS (first person shooter) que vem crescendo nos últimos anos. “A gente tem um circuito feminino muito consolidado no Valorant hoje em dia porque as meninas estão nessa cena de FPS há muitos anos”, diz.

“Em 2006, as meninas do MIBR estavam jogando LAN feminina por aqui. 2008 ou 2010 já tinha história de menina se estapeando em LAN feminina - LAN é jogo presencial, campeonato presencial. Então hoje as coisas estão muito melhores para a gente porque a gente foi se fortalecendo entre a gente, às vezes rola uns casos de menina tentando se sabotar e eu só fico querendo dar um chacoalhão”, finaliza Evelyn.

A entrevista com Evelyn Mackus foi realizada no podcast Top Suado, programa da ESPN sobre o universo dos esportes femininos e apresentado por Mariana Spinelli, Natasha David e Gio Del Carlo.