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Coluna da Evelynn: Os campeonatos femininos que trouxeram Tami ao título

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No dia 31 de outubro, a paraense Tamires Letícia foi a primeira mulher a ser campeã da Liga Brasileira de Free Fire. Jogadora da SS Esports, Tami levantou o troféu meses após gravar seu nome na história do jogo, conquistando a vaga de seu time ao lado da ex-companheira Laura.

Em abril, tive a oportunidade de entrevistar a dupla para um podcast na ESPN. Eufóricas, as garotas contaram que “não viam a hora” de jogar a LBFF. Ex-rivais na Liga NFA feminina, as duas uniram forças pelo objetivo comum na Série C, e mostraram o potencial feminino no Free Fire.

Infelizmente o time foi desfeito após problemas de desempenho na C.O.P.A Free Fire: Laura deixou a SS, e Tami jogou apenas seis quedas na Série A. As poucas participações nesta temporada não invalidam a conquista de Tamires — e de Laura, anteriormente — para as mulheres nos esports.

A conquista e a permanência de Tami no cenário de Free Fire mostram a força do cenário feminino, incentivado por iniciativas como a Liga NFA Feminina, que premiou 5 mil reais em sua última temporada, e o CampLota, idealizado pela apresentadora Camilota.

O game mobile mais jogado do Brasil acumula conquistas exorbitantes no cenário profissional. A cena feminina, no entanto, não vai tão bem — mas, com todos os empecilhos, o cenário vence suas lutas e revela jogadoras fantásticas todos os meses, à espera de uma “nova Tami” na LBFF.

O TÍTULO DE TAMI

“Óbvio que eu queria ter jogado muito mais quedas, mas não sou eu que decido isso”, disse Tami, sem pesar na voz, em entrevista à ESPN. “Mas eu fiquei feliz pelo título, graças a Deus a SS conseguiu ser campeã na primeira vez na Série A. Isso é muito gratificante, porque eu participei desde o início e fico muito feliz de ver tudo isso acontecendo”, contou a jogadora da SS.

Apesar de ter subido pouco ao palco da liga, Tami afirma ter muita consciência da influência de seu papel fora do jogo na conquista de seu time — mas crava que não vai desistir do sonho de jogar como titular. “Eu amo tudo isso, o competitivo, meu sonho sempre foi jogar a LBFF. Só que tudo bem, não deu agora, eu não vou desistir, eu quero conquistar isso”, confessa.

“Cria” das ligas femininas, a jogadora assegura que “tem muita mulher que joga muito” nos torneios femininos, mas ressalta a idade mínima de 16 anos para a LBFF. “Espero que o próximo split tenha mais mulheres sim, se Deus quiser. Só as organizações ficarem de olho nessas meninas porque elas são brabas”, garante.

“Esse espaço [das ligas femininas] é muito bom, principalmente pra mostrar o potencial de todas as meninas. E foi através das ligas femininas que a SS me viu. Com certeza foi muito importante para a minha carreira”, assume a jogadora.

Ela espera que seu título não apenas abra portas para a contratação de mulheres, mas que também inspire as jogadoras a não desistirem. “A lutarem pelo que elas querem, porque a gente pode tudo, cara. (...) É isso que eu quero passar pra elas”, finaliza Tami.

INCENTIVANDO A CENA

Do lado das organizações, a NFA investe na Liga Feminina desde julho de 2019, dando oportunidade a dezenas de garotas de jogarem valendo premiação em campeonatos de um mês. A Diretora de Negócios da NFA, Daniela Branco, conta que o torneio exclusivo para mulheres é rentável, pois os patrocinadores da liga mista também apoiam a feminina.

Com 50% da staff dedicada à liga sendo composta por mulheres, a NFA Feminina se vê como o maior campeonato feminino de Free Fire do mundo, e busca fomentar o cenário competitivo, apesar de suas limitações.

“Em nossa última temporada, a Liga Feminina bateu recorde de audiência e ficamos muito entusiasmados com o crescimento. Isso demonstra a força que o cenário feminino vem ganhando e temos muito orgulho de podermos ser propulsores disso”, afirma Daniela Branco, Diretora de Negócios da holding BMS, proprietária da Liga NFA.

Marcelo Camargo, CEO e co-fundador da NFA comemora a conquista de Tami e exalta sua raíz na NFA. “É muito gratificante ver grandes nomes que se destacaram inicialmente na Liga NFA atingindo grandes conquistas no cenário profissional oficial do jogo”, diz.

O executivo finaliza reconhecendo a importância das ligas femininas. “Tendo em vista que 25% do público de Free Fire é composto por mulheres, ao oferecermos uma competição exclusiva para as jogadoras, além de valorizarmos as participantes, também as incentivamos a conquistar mais espaço no cenário competitivo.”

CENÁRIO FEMININO

O título de Tami impactou intensamente os times que já disputam o cenário feminino. Recém-campeãs da Liga NFA Feminina e líderes absolutas dos torneios exclusivos, o time das New Girls, parte da HYPE, comemorou o título da ex-adversária.

“Foi incrível”, diz Isa, capitã do time. “A Tami esteve no competitivo desde o início e ter visto uma mulher chegar tão longe foi algo muito bom, traz uma representatividade a mais para nós mulheres”.

Isa, Bia, Mika, Julia e Sete estão juntas há anos buscando o sonho de jogarem a Liga Brasileira lado a lado. “A gente já se dedicava a muito tempo ao competitivo. (...) Em todo esse tempo, nosso foco sempre foi ganhar campeonatos grandes para mostrar nosso potencial. Ganhar a NFA foi uma conquista enorme porque deu muita visibilidade para a gente”, conta Isa, capitã das New Girls.

Ela comemora a conquista, mas cita a carência das equipes femininas por suporte similar ao dado aos times masculinos. “Existem inúmeros times femininos com meninas que se dedicam muito por espaço, mas todos são sem patrocínio”, conta.

Viver do jogo e conquistar a vaga na LBFF são sonhos pouco palpáveis para as garotas no topo do cenário brasileiro. “Nós conseguimos um dinheiro, mas ainda não é o bastante para a gente conseguir se sustentar com o Free Fire. As premiações no geral são bem mais baixas, os campeonatos de maiores premiações foram a NFA e o CampLota. (...) Dificilmente um time tem um contrato com a empresa de e-sports que representa, não existe salário de jogadora, as meninas jogam em troca de reconhecimento”, relata Isa.

Ainda não existe um campeonato oficial da Garena, igual à LBFF, direcionado ao competitivo feminino — e isso é uma das coisas que as garotas anseiam. O CampLota supriu boa parte da demanda, mas, para Isa, que elogia a organização e a premiação, o torneio “não teve a visibilidade da LBFF”.


A existência de Tami no cenário profissional escancara a necessidade de que mais garotas do Brasil todo tenham oportunidades como a dela em times profissionais de Free Fire. Como campeã, como capitã do primeiro time misto a conquistar sua vaga na LBFF e como participante da Série A, a paraense é referência.

As organizações podem usar Tami como farol e contratarem mais mulheres para suas escalações — como jogadoras em fase de treino, ou para desenvolverem seus times da forma como for necessário. Ela e Laura provaram que o que falta no Free Fire não são mulheres boas, e sim oportunidades a elas!