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Barcelona: Sylvinho relembra genialidade de Ronaldinho: 'Era coisa de louco tentar entender'

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O dia que Ronaldinho Gaúcho 'aposentou' o dinamarquês Gravesen (0:31)

No Real Madrid x Barcelona de 2005, o craque brasileirou aplicou um drible desconcertante no volante merengue, que apelou na sequência; o jogo acabaria 4 a 2 para o time de Vanderlei Luxemburgo (0:31)

Entre 2004 e 2006, o craque Ronaldinho Gaúcho só não fez chover com a camisa do Barcelona. Com golaços históricos, diversas assistências e lances que ficaram na memória, ele foi eleito duas vezes melhor do mundo pela Fifa e até hoje deixa os fãs de futebol perplexos com sua habilidade, genialidade e raciocínio rápido.

El Clásico Real Madrid x Barcelona acontecerá no dia 10 de abril, às 16h (horário de Brasília), e terá transmissão ao vivo de ESPN Brasil e ESPN App, além de acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols.

O ex-lateral-esquerdo Sylvinho jogou com R10 por quatro anos no Barça, entre 2004 e 2008, e até hoje se espanta ao lembrar os melhores momentos do meio-campista com o manto blaugrana.

Em entrevista à ESPN Brasil e ao ESPN.com.br, o ex-auxiliar de Tite na seleção brasileira e hoje treinador ressaltou que Ronaldinho foi o jogador que mais lhe impressionou na carreira, superando inclusive Lionel Messi e Zinedine Zidane.

Com muito bom humor, o ex-atleta do Corinthians também recordou frases históricas do Gaúcho, que era conhecido por seu temperamento sempre extrovertido tanto dentro quanto fora de campo.

"Do ponto de vista do futebol plástico, Ronaldinho e Zidane me impressionavam ainda mais que o Messi. São coisas diferentes. O Zidane tinha domínio da função, da armação de jogo, de protação de bola, do controle total. Já o Ronaldinho era coisa de louco. Você tinha que tentar entender a cabeça dele, mas muitas vezes não era possível 'pensar como Ronaldinho'", contou.

"Às vezes eu dava um passe para o Ronaldinho e ele devolvia de maneira genial, mas eu não chegava na bola porque não tinha pensado como ele. Aí ele brincava: 'Pô, titio, por que você não foi?' (risos)", divertiu-se o brasileiro, que era de fato chamado carinhosamente de "titio" por vários atletas blaugranas.

"Eu cheguei ao Barcelona com 30 anos. Boa parte do elenco tinha ali seus 24, 25... O Messi tinha 16! Até hoje os brasileiros daquele grupo me chama de 'titio'. Temos relação muito boa", relatou.

Sylvinho ainda lembrou de outra ocasião em que Ronaldinho "reclamou" de forma hilária por não ter recebido um passe do lateral-esquerdo.

"Uma vez não toquei a bola e ele perguntou o motivo. Eu falei: 'Tinha três caras atrás de você te marcando!', e ele respondeu: 'Eram só três! Com quatro até dá para roubar a bola de mim, mas com três não dá!' (risos)", gargalhou.

Ao puxar na memória, o hoje treinador consegue se lembrar de um verdadeiro arsenal de jogadas geniais (e totalmente inesperadas) de R10.

"Teve uma partida contra o Osasuna que eu dei a bola nele e ia fazer a ultrapassagem pra receber de volta na frente, mas não fui. Só que ele fez uma jogada linda, genial, e deu o passe de costas, mesmo totalmente marcado. Foi inacreditável!", exaltou.

De todos os recitais dados pelo Gaúcho no futebol espanhol e europeu, talvez o mais lembrado até hoje tenha sido o 3 a 0 no Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, em 2005.

Na ocasião, Ronaldinho ganhou o jogo "sozinho", fazendo dois gols de placa e ganhando aplausos de pé da torcida merengue, algo completamente fora da curva na história de LaLiga.

"Aquele 3 a 0 que fizemos no Real foi emblemático. Depois do 2º gol do Ronaldinho, começamos a perceber os aplausos da torcida deles dentro de campo. Não foi uma provocação, nada... Foi algo espontâneo! Foi uma situação inusitada, que poucas vezes veremos de novo. Isso se voltarmos a ver", opinou Sylvinho.

Nos dois tentos que marcou, R10 "entortou" toda a defesa madrilenha e venceu também o goleiro Iker Casillas, que era titular absoluto da seleção espanhola.

"A plástica do Ronaldinho era incrível. A maneira como ele tirou o Sergio Ramos, que na época atuava como lateral-direito, das jogadas, foi coisa de gênio. Depois, na hora de marca, o jeito que ele chuta fora do tempo, em um movimento extraordinário, nem dá chances ao Casillas de chegar na bola", rememorou.

Sylvinho, porém, reconhece que Messi é mais "letal" do que Ronaldinho foi pelo Barça, já que o Gaúcho muitas vezes enfentava as jogadas e não pensava exclusivamente na finalização, ao contrário do argentino.

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O dia que Ronaldinho Gaúcho 'aposentou' o dinamarquês Gravesen

No Real Madrid x Barcelona de 2005, o craque brasileirou aplicou um drible desconcertante no volante merengue, que apelou na sequência; o jogo acabaria 4 a 2 para o time de Vanderlei Luxemburgo

"A nível de letalidade, o Messi é superior. O Ronaldo 'Fenômeno' infelizmente eu convivi pouco, mais em jogos da seleção. Ele é letal, assim como o Cristiano Ronaldo. E diferente do Ronaldinho. Do ponto de vista da letalidade, o Messi pega a bola no meio-campo e já está pensando em como fazer o gol. Na cabeça dele, tudo passa pela conclusão ao gol. Ao contrário do meia-armador, que vem de trás, cria, constrói a jogada, como muitas vezes o Ronaldinho fazia", argumentou.