Cinco dias se passaram e a convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo segue rendendo discussões para além das fronteiras do país.
Foi pensando nisso que a reportagem do ESPN.com.br decidiu ir atrás para ouvir jornalistas de diversos cantos do planeta e saber como o mundo, de fato, reagiu ao anúncio dos 26 escolhidos de Carlo Ancelotti.
Correspondente da emissora de rádio francesa RMC em Londres, o francês Clement Brossard acompanha Neymar desde muito antes dos tempos de Paris Saint-Germain. Para ele, no entanto, a escolha do craque do Santos ainda não representa sinal de caminho tranquilo para o Brasil no mundial.
"Acho que vai ser difícil para ele, porque vi que talvez ele já tenha uma lesão na perna, então não tenho certeza se ele vai disputar a Copa do Mundo. É uma ótima notícia (ele estar), porque ele é uma estrela e queremos ver estrelas durante a Copa do Mundo, mas acho que o nível do Neymar hoje é um pouco difícil e não tenho certeza se ele vai trazer algo para a Seleção, porque ele sofreu muitas lesões e não é o mesmo jogador de 2016 ou depois", pontuou o jornalista, que admitiu a surpresa com a convocação.
"Muita gente dizia: 'Ok, ele vai estar na Copa do Mundo', porque é a primeira lista com 55 nomes, mas quando vemos o nível do Neymar hoje em dia e durante esta temporada com o Santos, foi uma temporada difícil para ele e, para mim, o Ancelotti sofreu a pressão de muitos brasileiros. Então, foi uma surpresa, mas talvez seja outra surpresa vê-lo atuar durante a Copa", completou.
Se para alguns o comandante italiano pode ter arrumado um problema, para outros tudo não passou de uma estratégia para reunir ainda mais o povo brasileiro. É o caso do palestino Ibrahim Khadra, correspondente da emissora BeIN Sports, do Qatar, na capital inglesa.
"Acho que foi uma jogada inteligente do Carlo Ancelotti, porque ele sabe o quanto o Neymar é importante para os brasileiros. Todos o amam e vimos a comemoração quando ele anunciou o nome dele. Acho que foi uma jogada muito inteligente para aumentar a motivação em torno da seleção nacional antes de uma Copa do Mundo. Ele queria levar o Brasil de volta ao lugar onde pertence, ao topo. Para chegar o mais longe possível, ele precisa que todos estejam ao seu lado, para que todos tenham essa motivação mental, tanto os torcedores quanto os jogadores", argumentou, que reiterou sobre a personalidade do italiano.
"Acho que o Ancelotti tem sua própria identidade. Ele também tem seu ego. Ele não vai deixar isso tomar outro rumo. Ele consegue unir todos os jogadores, unir todo o time e manter o Neymar como líder de todo o time, de todo o elenco. Mesmo que ele não jogasse, e isso é importante, colocá-lo para jogar ou não, esse é um papel enorme", afirmou. .
Para Simon Collins, repórter do tabloide britânico The Sun, o mais inesperado da convocação serquer foi o camisa 10 do Santos, mas foi a ausência de outro atacante já conhecido em solo inglês.
"Acho que muita gente na Inglaterra achava que o João Pedro ia. Ele obviamente teve uma temporada brilhante com o Chelsea. Então, foi uma grande surpresa para nós. Mas na Inglaterra, acho que as pessoas ainda veem o Brasil como favorito ou um dos favoritos para a Copa do Mundo. Principalmente por causa do talento ofensivo que tem. Quer o Neymar seja titular ou não, acho que ainda há muitos bons atacantes naquela equipe. Além disso, conhecemos Ancelotti da época em que ele treinou o Chelsea. É um ótimo técnico, um vencedor comprovado. E acho que, com o Brasil tendo um técnico dessa qualidade, acreditamos que ele pode ser o treinador capaz de levar esse grupo à conquista da Copa do Mundo", ressaltou.
Convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo:
GOLEIROS
LATERAIS
ZAGUEIROS
MEIO-CAMPISTAS
ATACANTES
Programação da Seleção Brasileira:
Os jogadores se apresentam à comissão técnica para o início dos treinos daqui uma semana, na Granja Comary, em Teresópolis.
As exceções são os zagueiros Marquinhos e Gabriel Magalhães e o atacante Martinelli, que disputam no próximo sábado (30) a final da Champions League, entre PSG e Arsenal, na cidade de Budapeste. Eles se juntam ao grupo já nos Estados Unidos.
A Seleção passará uma semana no país e fecha a preparação no domingo (31), quando enfrenta o Panamá, no Maracanã, no amistoso de despedida da torcida.
O embarque para a Copa acontece no dia seguinte, no período da tarde.
Já em solo americano, o Brasil terá Nova Jersey como base e fará um último jogo antes da estreia na Copa. Enfrenta o Egito, dia 6, em Cleveland.
Cabeça de chave do Grupo C, o Brasil encara Marrocos (dia 13, em Nova Jersey), Haiti (dia 19, na Filadélfia) e Escócia (dia 24, em Miami).
