O São Paulo celebra nesta terça-feira, 14 de julho, mais um aniversário de seu tricampeonato da Copa Libertadores da América. E o ESPN.com.br fecha a série especial sobre os 15 anos daquela conquista com um relato eternizado em livro pelo capitão do título.
“A mim não restava escolha. Eu precisava ganhar a Libertadores”, escreveu Rogério Ceni juntamente com o jornalista da ESPN Brasil André Plihal em ‘Maioridade Penal’, lançado em 2009 pela editora Panda Books.
Na obra, o ídolo tricolor e maior goleiro-artilheiro da história do futebol conta 18 anos de vida no clube do Morumbi - ele chegou a 25, tendo se aposentado no fim de 2015 -, e várias páginas são dedicadas à campanha do tri continental.
Rogério, que levantou a taça aos 32 anos e hoje tem 47, detalhou seu show e angústia particulares na ida das quartas de final.
“Os jogos contra o Tigres, do México, foram os mais especiais, malucos e antagônicos da campanha”, escreveu o hoje técnico do Fortaleza. Mas esta história particular ele contou em detalhes em entrevista exclusiva na reportagem que abriu esta série.
O foco desta derradeira é a final contra o Athletico-PR, o sofrimento de uma Libertadores como um todo e a emoção de conquistá-la.
Abaixo, em tópicos, veja o que o capitão do tri escreveu. Tem até desabafo da sogra.
A pressão própria
"A mim não restava escolha. Eu precisava ganhar a Libertadores. Enquanto não fosse campeão do torneio, não me sentiria realizado. Só quem é do meu convívio, minha família, sabe a gana, a loucura que tinha por conquistar uma Copa Libertadores. Os mais próximos sofreram muito com essa minha obsessão."
Ela é diferente
"Picos de alegria, momentos de frustração, alterações completas de estado numa velocidade incrível. A Libertadores bagunça os sentimentos até dos mais vividos, dos mais frios."
“Sair de órbita, morrer em paz”
"Naquele momento, eu já não pisava mais na Terra. Soube ali o que era levitar, sair de órbita. Falamos de tantos sentimentos, e os mais prazerosos ficaram para o fim.
Alívio. Dever cumprido. Plenitude. Não importa que soe exagerado. Ao ouvir o apito do argentino Horácio Elizondo, senti que poderia morrer em paz."
Registro para a história
"Sei que minha imagem ‘levantando a Copa’ está imortalizada, mas fiz questão de tê-la, numa sequência de fotos, espalhada pela sala de casa. Não por acaso, o local escolhido para celebrar a conquista."
Comemoração, esposa e sogra
Rogério preferiu não ir com o grupo a uma churrascaria.
"Eu preferi extravasar no estádio, assim poderia chegar mais cedo em casa. Não, não tenho nada de desanimado. Apenas quis compartilhar a glória alcançada com quem acompanhou e dividiu comigo anos de sofrimento; com quem sabia que eu vivia em função daquilo."
Após estourar um champanhe e passar acordado, pra variar, "umas das noites mais espetaculares da vida", o capitão do tri viu a esposa, Sandra, ir dormir em algum momento e perguntar-lhe, já meio que respondendo:
"Agora, deu, né?"
"Não, agora tem o Mundial."
"Não, digo eu! Vai começar esse inferno de novo: ‘tenho que ganhar, tenho que ganhar, tenho que ganhar...’ Chega!"
Ceni mesmo explicou a última fala
"Calma, gente. Essas últimas palavras não saíram da boca da Sandra. Foram proferidas pela Filomena, a Filó, minha querida sogra - até hoje, e pra sempre, uma de minhas maiores torcedoras."
*Esta reportagem é a oitava e última da série de conteúdos especiais que o ESPN.com.br publicou de 19 de junho até este 14 de julho sobre a conquista da Libertadores pelo São Paulo em 2005.
