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Por que Rakitic, craque do Barcelona, joga pela Croácia apesar de ter nascido e defendido a Suíça

Reportagem originalmente publicada em 13 de julho de 2018


Possível titular do Barcelona na partida desta terça-feira, contra o Leganés, às 17h (de Brasília), pela 29ª rodada de LaLiga, com transmissão exclusiva da ESPN Brasil e do ESPN App, o meio-campista Ivan Rakitic tem uma história peculiar no futebol.

Vice-campeão da Copa do Mundo 2018 com a seleção da Croácia, o talentoso atleta... Não nasceu na Croácia, mas sim na Suíça!

Ele chegou inclusive a defender as seleções suíças nas categorias de base, mas depois optou por vestir o uniforme xadrez.

Explica-se: Rakitic é "fruto" da "diáspora crota", ocorrida nos anos que precederam a guerra de independência do país, entre 1991 e 1995.

Seu pai é da cidade de Sikirevci, na Croácia, enquanto sua mãe nasceu na Croácia, mas morava em Zepce, na Bósnia.

Eles imigraram para Suíça no final dos anos 80, quando os conflitos pareciam ser iminentes, e o filho do casal nasceu na cidade de Rheinfelden, em 10 de março 1988.

A família depois se mudou para Möhlin, um pequenino vilarejo de 11 mil habitantes praticamente na fronteira com a Alemanha, onde Ivan passou a infância e cresceu.

Apaixonado por futebol desde cedo, já que seu pai, Luka, e seu irmão mais velho, Dejan, também foram jogadores, ele foi rapidamente descoberto por olheiros ainda na adolescência no clube de cidade, o Möhlin-Riburg.

Rakitic foi levado em 2005 para o Basel, uma das categorias de base mais fortes do país, e de lá para frente sua carreira deslanchou.

Depois de dois anos na Basileia, foi comprado pelo Schalke 04, da Alemanha. Em seguida, acertou com o Sevilla, time no qual ficou por três anos e virou ídolo da torcida, principalmente pela conquista do título da Liga Europa de 2013/14.

Com estilo de jogo que casa perfeitamente com LaLiga e com times de meio-campo técnico, o craque foi capturado em 2014 pelo Barcelona, e foi, durante muitos anos, titular incontestável da equipe - apesar de atualmente alternar entre o 11 inicial e o banco.

Antes de tudo isso, porém, Ivan por pouco não representou a seleção da Suíça.

Entre 1995 e 2007, quando estava no Basel, ele foi convocado e defendeu as equipes sub-17, sub-19 e sub-21 do país de nascimento, e vestiu inclusive a camisa 10 vermelha, como pode ser visto na foto abaixo, do jornal suíço Blick.

No entanto, a Croácia o monitorava em segredo, e em 2007 veio um convite do técnico Slaven Bilic para que ele representasse a nação de seus pais. Rakitic acabou aceitando, e "virou a casaca".

"Ivan Rakitic nasceu na Suíça e defendeu a camisa da seleção helvética na base. Entretanto, decidiu jogar pela seleção principal da Croácia por sentimento, já que seus pais são de origem balcânica", escreveu o Barcelona, em seu site oficial, quando contratou o atleta.

Desde que fez a opção de vestir xadrez, ele já disputou três Eurocopas (2008, 2012 e 2016) e duas Copas do Mundo (2014 e 2018) com a equipe dos Bálcãs, sendo vice no Mundial da Rússia, há dois anos.

Já pelo Barça, o craque completou 300 partidas no último final de semana, tornando-se o 4º estrangeiro com mais jogos com a camisa blaugrana.

Ao longo de seis temporadas, Rakitic anotou 35 tentos, e ganhou muitos títulos: uma Champions, um Mundial de Clubes, quatro Espanhóis, quatro Copas do Rei, duas Supercopas da Espanha e uma Supercopa da Uefa.

Seu contrato no Camp Nou vai até metade de 2021.