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Copa do Mundo: Ivan Rakitic não nasceu na Croácia e quase jogou pela seleção da Suíça

A seleção da Suíça poderia ter hoje um meio-campo formado por Behrami, Xhaka, Shaqiri, Dzemaili e... Rakitic!

Quis o destino, porém, que o craque escolhesse jogar pela Croácia, tendo a chance de disputar neste domingo a final da Copa do Mundo 2018, contra a França, às 12h (de Brasília).

Rakitic é filho da "diáspora crota", ocorrida nos anos que precederam a guerra de independência do país, entre 1991 e 1995. Seu pai é da cidade de Sikirevci, na Croácia, enquanto sua mãe nasceu na Croácia, mas morava em Zepce, na Bósnia.

Eles imigraram para Suíça no final dos anos 80, quando os conflitos pareciam ser iminentes, e o filho do casal nasceu na cidade de Rheinfelden, em 10 de março 1988.

A família depois se mudou para Möhlin, um pequenino vilarejo de 11 mil habitantes praticamente na fronteira com a Alemanha, onde Ivan passou a infância e cresceu.

Apaixonado por futebol desde cedo, já que seu pai, Luka, e seu irmão mais velho, Dejan, também foram jogadores, ele foi rapidamente descoberto por olheiros ainda na adolescência no clube de cidade, o Möhlin-Riburg.

Rakitic foi levado em 2005 para o Basel, uma das categorias de base mais fortes do país, e de lá para frente sua carreira deslanchou.

Depois de dois anos na Basileia, foi comprado pelo Schalke 04, da Alemanha. Em seguida, acertou com o Sevilla, time no qual ficou por três anos e virou ídolo da torcida, principalmente pela conquista do título da Liga Europa de 2013/14.

Com estilo de jogo que casa perfeitamente com La Liga e com times de meio-campo técnico, o craque foi capturado em 2014 pelo Barcelona, e hoje é titular incontestável da equipe - a maior prova disso é que ele fez incríveis 55 partidas na temporada.

Antes de tudo isso, porém, Ivan por pouco não representou a seleção da Suíça.

Entre 1995 e 2007, quando estava no Basel, ele foi convocado e defendeu as equipes sub-17, sub-19 e sub-21 do país de nascimento, e vestiu inclusive a camisa 10 vermelha, como pode ser visto na foto abaixo, do jornal suíço Blick.

No entanto, a Croácia o monitorava em segredo, e em 2007 veio um convite do técnico Slaven Bilic para que ele representasse a nação de seus pais. Rakitic acabou aceitando, e "virou a casaca".

"Ivan Rakitic nasceu na Suíça e defendeu a camisa da seleção helvética na base. Entretanto, decidiu jogar pela seleção principal da Croácia por sentimento, já que seus pais são de origem balcânica", escreveu o Barcelona, em seu site oficial, quando contratou o atleta.

Desde que fez a opção de vestir xadrez, ele já disputou três Eurocopas (2008, 2012 e 2016) e duas Copas do Mundo (2014 e 2018) com a equipe dos Bálcãs, mas jamais ganhou um título. Neste domingo, porém, essa história pode mudar.

Questionado na última sexta-feira sobre o tema, ele falou sobre a sensação de chegar à final do Mundial pelo país que resolveu adotar.

"Não poderia haver um sentimento melhor. Quando eu decidi jogar pela seleção da Croácia, sempre tive um sonho. Você sonha em jogar um grande torneio a cada dois anos, mas chegar a uma final de Copa é a realização disso", exaltou.

"Agora, meu maior sonho é ser coroado campeão", completou.

A muitos quilômetros da Rússia, o técnico da Suíça, Vladimir Petkovic, certamente lamenta a impossibilidade de convocar o mais craque que seu o país poderia ter, mas deixou escapar...