<
>

'Palestra Italia' aos 99 anos na Série B e quase falido? Sim, o filme é repetido e tem mais coincidências

Palmeiras e Cruzeiro não têm a "irmandade" que o Alviverde tem, por exemplo, com o Vasco da Gama. Suas torcidas tampouco são "aliadas" - a torcida do clube paulista, inclusive, é parceira da do Atlético-MG, enquanto a da Raposa tem proximidade com a do Flamengo, atual maior rival esportivo do Palmeiras.

O fato de o Palmeiras ter sido o último algoz do Cruzeiro na Série A foi motivo duplo de festa em Minas.

Mas os dois clubes têm coincidências históricas, a começar pelo fato de ambos terem sido fundados como "Palestra Italia" - o Palmeiras, em 14; o Cruzeiro, em 21. O primeiro estatuto do Palestra mineiro foi emprestado pelo Palestra paulista ('Palestra', em italiano, significa algo como ginásio, local de prática de esportes).

Ambos adotaram seus novos nomes genuinamente brasileiros depois de um decreto presidencial de 1942, que obrigava associações nacionais a deixarem de lado símbolos identitários italianos, japoneses e alemães, por conta da Segunda Guerra Mundial. E se tornaram equipes vencedoras.

Mas há coincidências bem menos felizes nas histórias de ambos. Uma, em curso, dá conta de momentos péssimos nas histórias dos dois clubes. O do Palmeiras, em 2013, quando jogou a Série B no ano em que comemorava seu 99º aniversário - algo que o Cruzeiro fará em 2020.

E além do cenário esportivo, o administrativo também é bem parecido.

Assim como o Cruzeiro, que vive uma situação financeira calamitosa e pré-falimentar, o Palmeiras de 2013 só não faliu por intermédio do ex-presidente Paulo Nobre.

Se as coincidências seguirem, o Cruzeiro subirá com folgas para a Série A de 2021, quando completará 100 anos de vida. Por outro lado, se repetir o Palmeiras também em como foi o campeonato no ano 100, passará perto de cair novamente, antes de voltar a ter um período de dominância no País.

Mas essa é conversa para daqui dois anos. Veja um resumo das coincidências entre os dois clubes abaixo:

NOME DE FUNDAÇÃO

Palmeiras - Società Sportiva Palestra Italia, em 1914
Cruzeiro - Società Sportiva Palestra Italia, em 1921

NOVO BATISMO

Palmeiras, em 1942
Cruzeiro, em 1942

SITUAÇÃO ESPORTIVA NO ANO 98 DE VIDA

Palmeiras em 2012: Conquista de um título (Copa do Brasil) e rebaixamento no Campeonato Brasileiro (18º, com 34 pontos)

Cruzeiro em 2019: Conquista de um título (Campeonato Mineiro) e rebaixamento no Brasileiro (17º, com 36 pontos)

SITUAÇÃO POLÍTICO/FINANCEIRA NOS ANOS 98 E 99 DE VIDA

Palmeiras: Em 2012, o Palmeiras era presidido por Arnaldo Tirone, que não se reelegeu para um segundo mandato. O caos imperava nas finanças do clube. O Palmeiras havia adiantado receitas de direitos de televisão e entrado em diversos empréstimos para manter o clube de pé.

Em 2013, assume o presidente Paulo Nobre, advogado milionário devido à sua atuação no mercado financeiro. Ao assumir o cargo, Nobre se vê com apenas 25% do orçamento livre. Sem escolha, Nobre logo começaria a fazer empréstimos de seu bolso para o Palmeiras.

Para o cargo de CEO, Nobre aponta José Carlos Brunoro, diretor na co-gestão Palmeiras/Parmalat dos anos 1990, com passado ligado ao vôlei, como jogador, técnico e administrador.

Conforme entrevista concedida por Nobre à Folha de S. Paulo em 2014, a partir de abri de 2013, o clube já não tinha mais como arcar com contas de luz e água, por exemplo. Estava falido. "Eu tinha duas opções: manter a roda girando ou deixá-la parar. Eu decidi manter", disse ele.

Cruzeiro: Em 2019, o clube foi presidido por Wagner Pires de Sá, que, vindo de administrações anteriores desastrosas, deixou com que as dívidas da agremiação ultrapassassem R$ 700 milhões. Pires de Sá adiantou receitas de televisão e outras escalonáveis, além de pedir empréstimos. Em meio a escândalos de favorecimento, nepotismo e desvio de receitas, o mandatário renuncia.

Quem assume é uma junta administrativa, encabeçada pelo CEO Vittorio Medioli, prefeito de Betim e milionário do mercado de transportes. Mediolli não fez ainda aportes significativos no clube que se tenha notícia. Mas já paga algumas despesas básicas, como luz e água, do próprio bolso, conforme revelou em entrevista ao ESPN.com.br.

"O Cruzeiro faliu", afirmou ele, na mesma entrevista.

Outro líder do processo de retomada do Cruzeiro também é um milionário: Pedro Lourenço, dono da rede Supermercados BH, vai estender seu apoio financeiro ao clube. Lourenço estará à frente do departamento de Futebol.

Uma outra coincidência: assim como o CEO apontado por Paulo Nobre do Palmeiras de 2013, o CEO mineiro também é ligado ao vôlei, tendo sido gestor do Sada Cruzeiro, tricampeão mundial da modalidade.