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Quem será o 'Neymar' no Brasil de Tite na Copa América?

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Cristiano Ronaldo? Hazard? Mbappé? Neymar? Futebol na Veia elege 'melhores atacantes do mundo' (10:06)

Comentaristas avaliaram o lugar dos brasileiros entre os destaques mundiais de cada posição (10:06)

Neymar está fora da Copa América. Uma lesão no amistoso contra o Qatar acabou com a chances de o camisa 10 disputar a competição. O tempo de recuperação, quatro semanas, não será suficiente. A ausência da principal estrela abre a discussão: quem vai substituir o jogador na competição? E mais, o escolhido por Tite vai brilhar?

Para a resposta da primeira questão, analisamos com base no histórico do jogador, nas oportunidades dadas – ou não – na seleção e nas preferências de Tite na montagem de sua equipe predileta. Para a segunda pergunta, não dá para negar: é futurologia. As respostas poderão ser obtidas nesta sexta-feira, quando o Brasil enfrenta a Bolívia, a partir das 21h30 (de Brasília), no Morumbi, na abertura da edição 2019 da Copa América.

A expectativa era de redenção para Neymar. Lesionado, viu pela TV o 7 a 1 da Alemanha na Copa do Mundo de 2014. Na Rússia, após um ano marcado por lesão e incerteza quando à convocação, não evitou a eliminação diante da Bélgica, em meio às polêmicas: afinal, ele foi alvo da violência ou um ator de simulações?

A Copa América-2019, novamente no Brasil, era a chance de retomar os holofotes dentro de campo, mas a acusação de estupro já havia esquentado o clima. No primeiro amistoso de preparação, a presença de Neymar durou 16min: entrada forte, choro, substituição. Horas depois, veio a confirmação da ruptura no ligamento do tornozelo direito, seguida pelo corte. Acabava a Copa América antes mesmo de começar.

Sem Neymar, Tite tem algumas opções para a liderança técnica da seleção no principal torneio depois da eliminação na Copa do Mundo da Rússia, no ano passado, e no primeiro teste de olho no Mundial do Qatar, em 2022.

Veja, abaixo, quem Tite tem à disposição para ser o “cara” do ataque do Brasil e escolha o seu preferido:

David Neres

O ex-são-paulino beirou a temporada dos sonhos no Ajax: campeão holandês e da Copa da Holanda, semifinalista e integrante do elenco ideal da Champions League, convocado para a Copa América. Neres tem tudo para se firmar como um dos grandes nomes do futebol brasileiro nos próximos anos, mas ele já estaria pronto para o protagonismo? Fica a dúvida.

Avaliação: Foi o escolhido no amistoso contra Honduras e fez um golaço. A habilidade encanta o treinador, e ele aparece com um dos favoritos à vaga.


Everton

O atacante gremista é um dos melhores jogadores atuando em solo brasileiro. Dribla, tem velocidade, finaliza, enfim, tem o pacote completo para fazer parte da seleção de Tite. Mas voltamos ao mesmo debate de Neres: o Cebolinha está preparado para ser a referência ofensiva?

Avaliação: Foi ele quem substituiu Neymar contra o Qatar, depois da lesão, mas não encantou. A seu favor, conta o fato de conhecer bem os gramados que o Brasil vai passar. Pode ser o escolhido, mas, hoje, corre por fora.


Firmino

São características bem diferentes de Neymar. Firmino encantou no Liverpool ao alternar o posicionamento, ora na armação, ora no comando do ataque, ora centralizado, ora caindo nas laterais. Talvez tenha o “pacote completo” mais próximo de Neymar, mas uma lesão na reta final da temporada europeia o tirou de combate. Terá condições físicas e clínicas para brilhar?

Avaliação: É um jogador que pode fazer a função, mas, na seleção, tem centro atuando mais centralizado, como centroavante. A disputa parece ser com Jesus, mas, se estivesse nas melhores condições físicas e clínicas, teria boas chances de ser testado por ali.


Gabriel Jesus

Deu tudo errado na temporada de Gabriel Jesus. Foi criticado na Copa da Rússia pela ausência de gols e oscilou demais no Manchester City, perdendo espaço para Sergio Aguero, Raheem Sterling, Leroy Sané, Bernardo Silva... Além disso, com dificuldades em atuar nas laterais, pediu para Pep Guardiola para jogar mais centralizado. A não ser que o esquema tático mude, parece distante de ser uma opção para Tite.

Avaliação: É o camisa 9, centralizado, que ocasionalmente cai pelos lados do campo. Hoje, briga com Firmino por uma vaga e, pelo histórico e pelas preferências pessoais, parece ser a última opção para o lugar de Neymar.


Paquetá

A função é diferente. O ex-flamenguista joga um pouco mais atrás, trabalha mais na armação, mas pode atuar de forma mais incisiva pelos lados do campo. A temporada no Milan, sua primeira na Europa, começou animadora, mas uma lesão atrapalhou os planos do meia.

Avaliação: Pode jogar ali, mas improvisado. Tem mais cara de substituto de Coutinho do que de Neymar.


Philippe Coutinho

Ele era indiscutível no Liverpool e fez uma boa Copa do Mundo na Rússia, mas despencou no Barcelona. De mais caro da história do clube, pode até virar moeda de troca na reabertura do mercado. Será que Coutinho vai recuperar a confiança e se tornar aquele jogador capaz de romper as defesas com passes ou chutes certeiros da entrada da área? Tite, responda!

Avaliação: Foi assim que ele jogou em toda a temporada do Barcelona, aberto pela esquerda. Pode ser o escolhido e abrir uma vaga no meio-campo, mas o histórico recente não é dos mais animadores.


Richarlison

Foi bem no Watford. O Everton o contratou, e quem gostou foi a torcida, que ganhou um novo ídolo. Foi artilheiro do time na temporada, ao lado do islandês Gylfi Sigurdsson, com 13 gols. Força física, experiência contra rivais de alto nível e faro de gol: performances que o colocam em boa posição de ser o “substituto” em caso de ausência de Neymar. Tem a mesma idade de Neres – 22 anos –, mas ganha na experiência fora do país. Richarlison seria a “bola da vez” do ataque na Copa América?

Avaliação: Pode ser o substituto se contarmos o posicionamento em campo, mas está claro que é um dos novos titulares da equipe pós-Copa. Jogou os amistosos contra Qatar e Honduras, ambos como titular, e fez um gol em cada jogo.


Willian

Foi convocado para o lugar de Neymar, depois da confirmação da lesão e do corte. Mesmo inicialmente fora do grupo, tem a confiança do treinador por alguns fatores, como experiência – 30 anos, quase 12 anos na Europa, duas Copas do Mundo, duas Copas América –, recomposição defensiva e já conhece o trabalho de Tite.

Avaliação: Pode ser o escolhido em jogos mais complicados, principalmente pela maneira como consegue ajudar a defesa. Chegou por último, mas pode furar a fila e ser mais bem aproveitado do que outros que estão com o grupo desde o começo da preparação.


*Colaboraram Gustavo Hofman e Thiago Cara