Apesar da preocupação com a imagem de Neymar e até mesmo a decepção por ver o craque que custou 222 milhões de euros (em 2017, o valor correspondia a cerca de R$ 821 milhões) ocupar mais e mais manchetes negativas, a diretoria do Paris Saint-Germain já definiu qual estratégia deve usar para que o jogador brasileiro não seja desvalorizado e, quem sabe, dê retorno futuro.
De acordo com publicação do jornal "El Pais", que conversou com diferentes fontes da equipe francesa, o primeiro plano é em hipótese alguma colocar Neymar no mercado, nem mesmo numa possível troca por Griezmann (Atlético de Madrid) ou Dembelé (Barcelona), alvos já estabelecidos para a próxima janela de transferências.
A ideia é renovar com ele até o final da sua carreira, o que aos olhos do mercado soaria como uma valorização.
"O alarme está ligado em face da dramática desvalorização do 'produto' e executivos do clube dizem que, por mais urgente que seja a situação, eles nunca colocarão a Neymar no mercado. Eles nunca o oferecerão a outros clubes porque isso depreciaria ainda mais seu valor", diz trecho da reportagem do jornal espanhol nesta sexta-feira.
"As contradições geradas dentro do clube diante desse caso são tão agudas que a direção do PSG entende que deve se iniciar uma negociação de renovação com ele, tendo em vista que o contrato atual terminará em 2022, quando ele tiver 30 anos. Renovação com efeitos propagandísticos", publicou o jornal em trecho seguinte.
O problema é que a imagem de Neymar nunca esteve exposta tão negativamente. A acusação de estupro e agressão a uma mulher brasileira, que viajou para Paris convidada pelo jogador com as despesas pagas por ele, tem repercutido fortemente. Marcas que poderiam se associar ao jogador querem distância. Também pesa a recente lesão no tornozelo direito, que o tirou de vez da Copa América.
De acordo com a reportagem, esse "tsunami Neymar" para o PSG, ou seja o temor de uma mega desvalorização, começou em fevereiro, quando o técnico Thomas Tuchel apresentou um relatório à diretoria sobre o craque brasileiro. Havia questionamentos sobre a incompatibilidade de agendas do jogador, que, segundo o profissional, sempre teve prioridade para seus assuntos pessoais.
Para o treinador, quando o PSG permite que Neymar tenha liberdades como levar a vida como deseja, treinar como entende ser melhor e cumprir regras que não são comuns aos demais, o clube acaba não tendo força para lidar com o elenco, sob risco de criar um motim.
O jornal diz que o relatório de Tuchel impactou as "esferas do poder do PSG" e gerou reflexões.
Por exemplo, o entendimento de que a recuperação da lesão sofrida no pé direito e que o tirou da fase decisiva da Liga dos Campeões poderia ter sido melhor conduzida. A ausência do jogador em 53 partidas do clube por motivos diferentes, brigas internas...
A derrota na final da Copa nacional para o Rennes, dia em que Neymar acabou reagindo a provocação de um torcedor e dando um soco nele, também pesou. Dentro do clube, a quem pense que Neymar não tem justificado nem um pouco o alto investimento feito. Não só pelo comportamento, mas pelo desempenho. Ele fez 51 gols e deu 29 assistências em 58 jogos pelo PSG, enquanto Mbappé, revelação francesa e que ganha menos da metade do brasileiro, tem 60 gols e 32 assistências em 87 jogos.
A evidência dos fatos enfraqueceu a posição do presidente Nasser Al-Khelaifi, o grande defensor de Neymar, cada vez mais inclinado a ouvir Tuchel. O treinador tem o apoio do diretor de esportes, Antero Henrique, e dos príncipes do Catar e também do herdeiro do trono, posicionamento encabeçado por Jassim Bin Hamad bin Khalifa Al Thani.
Em 25 de maio, o PSG renovou oficialmente o técnico até 2021. O jornal prevê o início de mudanças...
