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LoL | Guilhoto fala sobre mentalidade da Team Liquid: 'Nomes nunca trouxeram títulos'

Guilhoto será o técnico principal de League of Legends da Team Liquid para 2022 Divulgação

Novo técnico de League of Legends da Team Liquid para o ano de 2022, em entrevista exclusiva ao portal Guilhoto fala sobre sua chegada aos EUA em meio à pandemia, o super time da Cavalaria e expectativas


“Nada nos é dado pelos nomes que temos”, responde Guilhoto de olho no trabalho que terá que ser feito pelo novo quinteto recrutado para a temporada de 2022 no League of Legends da Team Liquid. Cercado de estrelas, o treinador português chega à Cavalaria com a difícil missão de colocar a equipe no topo da região e trazer para casa uma boa performance internacional.

m entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil, Guilhoto conta sobre a adaptação aos Estados Unidos, expectativas para a temporada de 2022, treinar uma equipe recheada de estrelas e trabalhar ao lado de Bjergsen.

Após passar alguns anos no cenário europeu, tendo passagem por equipes como Schalke 04, Origen e Astralis, e até mesmo ser cogitado para integrar algumas equipes brasileiras, em 2020 o técnico português mudou-se para a América do Norte para tentar elevar o nível da região ao chegar integrando a Immortals - onde passou um ano. Saiu de seu “habitat natural” para seguir uma nova aventura.

O choque cultural e a distância de casa podem ser motivos para que muitos atletas e profissionais de esports tenham dificuldades quando realizam esse tipo de movimentação em sua carreira, mas não para Guilhoto. Apesar de se mudar para os EUA em meio à pandemia e ter alguns problemas para chegar ao país, o técnico português tinha uma carta em sua manga: a proximidade com sua família.

“Eu acredito que a grande diferença, é que você vê muitas histórias de jogadores que tem problemas em se adaptar e acho que muito disso tem a ver com o quanto uma pessoa sente ou não falta da família. Eu sendo próximo da minha família não sinto tanto, pra mim ver eles uma ou duas vezes ao ano tá bom, desde que eu tenha minha mulher ao meu lado”, conta André “Guilhoto” Pereira, atual treinador de League of Legends da Team Liquid.

“Mas no geral, o trabalho acaba sendo idêntico. Todas as horas do seu dia são dedicadas ao LoL, tanto na Europa quanto aqui. Tudo que seja experimentar a cultura e diferenças culturais entre Europa e América ainda não tive tanto tempo para ver, então a adaptação acaba sendo fácil”, continua.

Ao lado da Immortals, não alcançou tanto: terminou o ano de 2021 com o sexto lugar na LCS 2021 Championship - campeonato que substitui os playoffs de verão da liga norte-americana. Entretanto, para o ano de 2022 foi concedida à Guilhoto a missão de guiar um elenco que, quando anunciado, foi cogitado pelas redes sociais como talvez o maior time já montado na região.

Bwipo, Santorin, Bjergsen, Hans Sama e CoreJJ foram as estrelas escolhidas para compor o super-time montado pela Team Liquid para este novo ano e o português é quem está por trás das cortinas orquestrando a equipe. “A Team Liquid fez um trabalho fantástico no elenco que conseguiu montar”, avalia.

“É muito difícil saber se o nosso elenco vai alcançar as expectativas. Antes de sequer começarmos a treinar, conversei com todos os jogadores para entender e conhecer mais eles. Sei que todas as personalidades são preocupadas com a equipe e o bem dela, chegar o mais longe possível e fazer o possível para nos levar o mais longe. Acho que é isso que vai nos fazer ter sucesso tanto na região quanto internacionalmente”.

O hype criado em cima do “dream team” contagiou a região. Uma mescla de jogadores mais novos e outros que já caminham a tempos no cenário competitivo, mas Guilhoto sabe que nomes não garantem nada: “não interessa os nomes que tem. Todos sabem que se quisermos chegar aos resultados, temos que trabalhar mais que as outras equipes”.

E para chegar aos resultados através de um trabalho duro, aos olhos de Guilhoto não só a Team Liquid contará com uma super equipe que atuará dentro do Rift, mas também com uma comissão técnica que por trás das cortinas acompanha e dá todo o apoio necessário para o brilhantismo dos protagonistas.

“Algo que não se fala muito, mas quero mencionar também, é que da mesma forma que nosso elenco está recheado de estrelas o nosso staff também está. O Dodo é um general manager fantástico, tô muito contente de trabalhar com o Kold, H4xDefender e o Yaltz - que é brasileiro e pelo trabalho que vi também é fenomenal”, elogia o treinador.

O MELHOR ELENCO DO NA?

Apesar de não ter tido participação na escolha dos atletas que hoje vestem o uniforme da Cavalaria, Guilhoto revela estar mais do que satisfeito e se encontrará com um dos maiores nomes que já passaram pela região nos últimos anos: Søren “Bjergsen”. A lenda dinamarquesa da mid lane retornou aos trabalhos dentro dos servidores após passar 2021 atuando como treinador e dá um passo de fé ao deixar para trás a organização na qual esteve desde sua chegada aos EUA em 2013, a lendária TSM.

Quando perguntado sobre como é trabalhar com a estrela dinamarquesa, Guilhoto é só elogios - assim como muitos que tiveram a oportunidade de atuar ao lado do mid laner. Acreditando que o jogador tem uma “mentalidade de campeão e super atleta que começa a aparecer mais no LoL”, as expectativas são para ver quanto o atleta conseguirá impactar dentro de jogo com sua experiência como treinador.

“Ele é uma pessoa extremamente humilde, sempre disposto a discutir ideias de jogo tanto com a staff quanto com os colegas de time. É uma pessoa que tem suas ideias e procura sempre otimizá-las [...] Quanto a sua experiência de treinador, ele dá uma visão de jogo diferente, um melhor entendimento de todas as funções e também de como é o trabalho por trás dos treinos [do treinador]. Estou curioso para ver como a experiência como treinador vai adaptar para o jogo”, observa Guilhoto.

Grandes nomes em uma organização que já dominou a região e que tem sede de se provar internacionalmente. Sinceramente, é um pouco difícil de conter a felicidade e hype dos fãs - e até mesmo daqueles que não são tão próximos assim da organização - que chamam o quinteto de um dos melhores que já passaram pela região antes mesmo de provarem-se dentro de Summoner’s Rift.

Apesar de querer os resultados que imagina-se que o elenco alcançará baseado nos nomes, Guilhoto volta a falar sobre trabalho. “Sinceramente, é algo que não faz diferença para nós [ser considerado um dos melhores elencos montados]. Não pensamos que somos o melhor elenco já construído no NA, mas queremos provar que somos a melhor equipe que já representou a região. São duas coisas diferentes. Nada nos é dado pelos nomes que temos, tanto no staff como de organização e jogadores. Tudo o que conquistarmos vai ser devido ao nosso trabalho e o que falharmos vai ser pela falta dele”.

Vendo outras grandes equipes se formando, como por exemplo Cloud9, 100 Thieves, Evil Geniuses e TSM, Guilhoto acredita que a região norte-americana hoje está munida de fortes talentos e possui capacidade para elevar o nível da região - apesar de não concordar com alguns jogadores que acabaram ficando de fora da liga. Tomando ícones do futebol português como referência, o treinador não quer se afobar e dará um passo de cada vez para tornar a crença dos fãs em uma realidade.

“Sou grande fã do Rubens Amorim e do Abel Ferreira, a mentalidade vai ser passo a passo e a expectativa de que somos candidatos a ganhar cada jogo que disputarmos e assim vamos seguir. Não somos favoritos a nenhuma partida, obviamente a mentalidade da Liquid é ser favorita a ganhar em cada competição que participa e achamos que a melhor forma de fazer isso é ver cada jogo de cada vez, cada semana de cada vez. Então nossas expectativas vão ser trabalhar duro, ganhar o Lock In e depois disso já se farão ajustes para as outras etapas”, conta o treinador de forma objetiva.

RETRIBUIR OS FÃS BRASILEIROS

Já não é de hoje que a Team Liquid tem se aproximado ainda mais dos fãs brasileiros e investe na região. Desde 2018 possui uma das equipes mais fortes da região e hoje conta com outras equipes também, como a de Fortnite, Free Fire e também a recém anunciada equipe feminina de Valorant - composta pelas meninas ex-Gamelanders, a equipe mais dominante do último ano.

Contando com um brasileiro (Yaltz) na equipe e também o próprio treinador português, o qual tem uma certa proximidade com a região, a Team Liquid de League of Legends tem mais a possibilidade de se conectar com os fãs brasileiros e Guilhoto vê sua chegada à organização como uma oportunidade de conectar não só a organização, mas ele mesmo com os torcedores brasileiros.

“Sinceramente, acho que nós como equipe temos a responsabilidade de fazer mais pelos fãs brasileiros. Não que nossa recepção tenha sido ruim, mas acho que obviamente pela ligação que a Liquid já tem com a região brasileira, temos o dever de dar um pouco mais a eles e nos conectar. É algo que quero fazer, é uma fanbase que sempre me apoiou individualmente”, revela o treinador.

A Team Liquid se apresenta pela primeira vez neste sábado (15) onde enfrentará os times da Dignitas e Evil Geniuses - que conta com o brasileiro Turtle na comissão técnica - pela LCS 2022 Lock In. Os confrontos estão marcados para acontecer às 18:30 e 20:30 respectivamente através dos canais da Riot Games na Twitch.