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'Ninguém que sonha alto recusaria a oportunidade', conta Turtle sobre sua ida à Evil Geniuses

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"É uma oportunidade única e não posso perdê-la", diz Turtle sobre oportunidade na Evil Geniuses (2:45)

O técnico brasileiro fala sobre processo para entrar na organização (2:45)

Assim como Halier, outro grande técnico brasileiro que decidiu se aventurar fora do Brasil em 2021 foi Turtle. Técnico da Vivo Keyd no último ano, o brasileiro deixou as terras tupiniquins para atuar em solo norte-americano com a Evil Geniuses, da LCS.

Ao receber a tentadora proposta de representar a organização no ano de 2021, Turtle, como todo profissional que deseja subir na vida, não pensou duas vezes e se jogou na oportunidade. Disputando a vaga com mais um candidato, no final, a Evil Geniuses decidiu seguir com o brasileiro.

“Na hora que eu soube que eles me queriam, eu só pensei: ‘Olha essa oportunidade, eu vou trabalhar em uma região major. É uma oportunidade única e eu não quero perder ela’. Então acho que ninguém que sonha alto iria recusar uma oportunidade de trabalhar em uma região major”, conta o jogador em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Apesar da temporada de primavera já ter começado por lá, o jogador ainda se encontra em solo brasileiro por conta das dificuldades para ir a outro país trazidas pela pandemia. Com isso, Turtle está atuando remotamente com a organização e já participa da rotina diária.

Acostumado ao regime presencial, o técnico revela que, apesar da comissão técnica passar todos os detalhes a ele, tem sido difícil estar longe da equipe por não conseguir entender em um plano maior como está o clima e como as coisas estão se desenvolvendo.

"Está sendo muito diferente. Eu sou o tipo de pessoa que gosta muito de estar no ambiente porque consigo entender como estão acontecendo as coisas com os jogadores e a equipe. Principalmente em questão de emoção, como os jogadores interagem entre eles e a comissão técnica”, analisa o brasileiro.

A EXPERIÊNCIA EM OUTRA REGIÃO

O período de adaptação é uma fase importante para qualquer profissional, é onde você entra em sintonia com o ambiente em que está inserido e entende como as coisas funcionam.

Alocado em uma região major, toda essa adaptação foi facilitada por conta de Turtle voltar a trabalhar ao lado de uma figura conhecida pelos brasileiros: Peter Dun. Em 2016, o britânico passou pelo cenário brasileiro ao atuar como analista, e mais tarde head coach, da INTZ. Durante esse período Peter trabalhou com Turtle, que ainda era jogador profissional.

Inclusive, o jogador revela que foi Peter que o indicou para a vaga na organização e comenta que trabalhar ao lado do mesmo é “uma experiência muito positiva, porque evolui muito com ele”.

“Trabalhar junto dele é muito bom, ele é um profissional muito capacitado. Ele sabe o que fazer, já teve muita experiência, trabalhou em outras regiões e sabe lidar com vários tipos de jogadores. Então ele sabe lidar não só com coisas dentro de jogo, mas também com coisas externas”, observa.

E não só a familiaridade com um membro da equipe foi algo que lhe ajudou durante sua adaptação, mas também a facilidade de lidar com os jogadores que representam a organização dentro do Rift.

Descrevendo-os como “muito profissionais”, Turtle comenta que “não existe aquela barreira que você tem que transpor, parece que eles já confiam em você só de você estar na equipe”.

“Então eu não tive um processo de conquistar a confiança, na real eu tive, mas foi muito fácil. Isso ajudou muito meu trabalho, estou trabalhando diretamente com o Svenskeren e ele sempre foi muito aberto comigo e trocou uma ideia bem honesta”, completa.

Ao lado da organização, o treinador está em um ambiente muito diferente do brasileiro. Grandes figuras como Impact e Svenskeren, são alguns dos renomados nomes que terá a responsabilidade de ajudar a chegar ao topo.

Sobre a experiência única de ser parte do time composto por alguns dos grandes nomes do cenário, Turtle admite o nervosismo no começo mas revela que como comentou, “eles foram muito abertos no começo em todas as reuniões e conversas que tivemos, eles me deram uma chance antes mesmo de me conhecer”.

LEVANDO O ‘TOQUE BRASILEIRO’

Inserido em um ambiente completamente diferente daqueles que esteve durante sua carreira no Brasil, Turtle exalta o profissionalismo apresentado pela organização durante todo o processo seletivo e também após o mesmo.

“Desde a entrevista eles sempre foram muito abertos em questão de onde eu estava no processo seletivo, em que posição, se estava indo bem. O jeito que eles falam comigo, que eles entram em contato é algo muito profissional, não é que nem uma conversa de bar, era uma coisa profissional mesmo”, comenta o técnico sobre os contatos que teve com a equipe.

O cenário brasileiro nunca teve uma boa atuação durante os eventos internacionais, e hoje, é considerada por alguns como uma das piores regiões do jogo, no entanto, pessoas são pessoas onde quer que você esteja no mundo.

Levando na bagagem como experiência seus anos como treinador das equipes da CNB e Vivo Keyd, Turtle conta que suas passagens trouxeram aprendizados importantes na questão de relação interpessoal para seu novo desafio, como aprender a lidar com pessoas diferentes e entender como a personalidade de cada um afeta dentro de jogo.

“Se alguém tem a personalidade de ajudar muito os outros mais do que ele mesmo, se ele é um jungler, vai acabar fazendo coisas mais para os outros jogadores do que para ele mesmo”.

“Essas coisas eu consegui identificar aqui no Brasil e consegui ajudar bastante os jogadores de lá, porque identifiquei que isso também acontece lá e consigo ter habilidade para trabalhar isso”, conclui.