“Se eu pudesse voltar no tempo eu não faria”, conta Hauz sobre sua mudança do mid para o top entre os splits do CBLoL 2021. A troca de posições do jogador, que defendeu o meio da Rensga na primeira etapa e o topo da INTZ na segunda, chamou atenção da comunidade justamente por conta de todo o talento que Hauz havia demonstrado durante suas atuações na rota central na elite do cenário. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o jogador comentou sobre o pensamento por trás da mudança, dificuldades e os próximos passos de sua carreira.
O ano de 2021 não foi tão bom para o jogador: o que poderia ser um movimento à la Xiaohu (jogador chinês da Royal Never Give Up que também mudou de posições) acabou não vingando para Hauz e o brasileiro amargurou o oitavo lugar do campeonato brasileiro no último split ao lado da INTZ, logo após um último lugar com a Rensga no primeiro.
Encontrando “velhos amigos” mais maduros durante sua terceira passagem pela equipe Intrépida, o jogador sabe que a campanha apresentada por ele no CBLoL não estava nem perto de representar tudo aquilo que poderia apresentar dentro de jogo e muito disso aconteceu por falta de confiança em si mesmo.
“Poderia ter dado um pouco mais certo se eu tivesse mais confiança em mim. Eu acredito que fiquei muito na onda de ser o cara que não vai carregar e só vai fazer o meu, mas essa não é minha característica. Era pra eu ter usado minha característica de ser bom mecanicamente a favor de mim (...) Quando eu fui pro Academy eu pensei ‘Agora vou jogar do jeito que eu quiser’ e eu joguei dois ou três jogos de Jayce e ganhamos tranquilo. Eu sinto que não fiz o que eu poderia ter feito no CBLoL por um pouco de medo e falta de confiança”, revela o jogador que hoje encontra-se sem equipe.
As boas performances de Hauz contra grandes mid laners da região brasileira ao longo de seus anos atuando na rota levantou sobrancelhas quando anunciou sua ida para o topo. Afinal, porque um jogador com um potencial tão grande faria uma mudança do mesmo tamanho? A resposta é simples: uma oportunidade de poder atuar no mais alto nível competitivo.
“Eu sempre soube que sou bom no mid, então não foi algo: ‘Meu deus, não sou bom mais no mid então vou pro top’. Foi mais uma oportunidade de estar jogando o CBLoL por um time que eu já conhecia, então acabei confiando; e eu sabia que era o Envy, dava pra fazer história ali se eu evoluísse o mais rápido possível”, conta.
Pc montado, tudo certinho pra viajar, lolzinho instalado e OBS configurado..
— HAUZ (@hauzinho1) September 27, 2021
Ansioso demais pra poder embarcar rumo a Sérvia.
☺️☺️
Infelizmente para o jogador, a história não foi feita. Com dificuldades de se adaptar à rota bem o suficiente para bater de frente com grandes nomes já consolidados no cenário, em questão de KDA (abates, mortes e assistências) Hauz ficou abaixo de quase todos os top laners que atuaram na competição - com excessão de Reversed, da Netshoes Miners -, o que acabou juntando com a má fase da equipe e deu lugar para SkB na equipe principal que entrou buscando reverter a situação desfavorável.
Saindo de sua zona de conforto ao ir do mid para o top, a decisão veio logo após ver que talvez não conseguiria manter-se na equipe titular da Rensga.
“Eu queria ter ficado para poder jogar lá, mas eles já queriam chamar coreanos e teve a oportunidade de chamar os dois pras lanes de jungle e mid, então acabou que provavelmente um não queria vir sem o outro e eles (Rensga) não poderiam perder essa oportunidade. Eu tinha duas opções: ficar no mid ou jogar top no CBLoL e acabei escolhendo jogar no CBLoL”.
VOLTANDO ÀS ORIGENS
“Foi uma experiência, nada mais do que isso”, conta o jogador sobre o segundo split do CBLoL 2021 atuando na rota superior. Em contrapartida à campanha insatisfatória apresentada por toda a equipe da INTZ ao longo da segunda etapa, quando falamos de mid lane, Hauz é um daqueles atletas que demonstra um potencial imenso, mas que ainda não foi 100% aproveitado.
Agora com os campeonatos brasileiros do título da Riot Games em hiato, enquanto o mundo se prepara para assistir ao Worlds 2021, chegou a hora daqueles que não tiveram a chance de ir para o campeonato internacional colocarem a mão na massa para chegar no ano de 2022 ainda mais fortes. Voltando às origens, o jogador se coloca disponível no mercado novamente para atuar na mid lane para tentar mostrar o seu máximo.
O pensamento por trás dessa decisão é ainda mais simples do que aquele que o fez se mudar para o top: sabe de seu potencial enquanto mid laner.
“Se eu tivesse pegado playoff e feito um split bizarro de bom, ai eu poderia pensar mais, mas não foi o caso. Foi um caso totalmente contrário do Xiaohu, enquanto ele deu certo eu dei errado em teoria”, comenta bem humorado. “Não é nem questão de voltar para a zona de conforto. Eu tenho muito potencial no mid e eu sei disso, sei que ainda posso destruir muito ainda nessa posição”.
Deixando claro, pq ainda tem gente que acha que vou manter TOP.
— HAUZ (@hauzinho1) September 11, 2021
Para isso, Hauz apostará em realizar um bootcamp na Sérvia de dois meses com outros jogadores que manteve amizade após sua passagem pela Rensga, como Kiari e Bydeki. O foco é conseguir entregar no ano de 2022 tudo aquilo que não pôde no ano anterior.
Mantendo os pés pregados no chão para que os devaneios não atrapalhem sua caminhada, a volta à mid lane lhe dá uma nova oportunidade de recomeçar. O objetivo para o próximo ano, segundo o próprio jogador, é de se “consolidar de novo por causa dessa mudança, mostrar consistência e trabalho para qualquer time que eu vá”, mas também de não deixar de lado sua saúde.
“Meu objetivo já começou pra eu conseguir conquistar algo no próximo ano: minha saúde. Sinto que nesses dois anos que passaram em que eu não tive muito sucesso e nem boas colocações eu parei de priorizar minha saúde mental e física em um ponto que começou a cobrar agora, começou a me fazer mal. Já estou cuidando de mim pra ser uma pessoa totalmente saudável e bem de saúde mental, estar emocionalmente bem mais forte pra competir, que é algo muito importante”, conclui Hauz.
