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CBLoL: A guerra de narrativas entre Rensga e Croc ganha um novo capítulo; entenda

Yuri no dia da grande final do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) Bruno Alvares

Além da confusão com os Inhouses, esta semana também trouxe outra polêmica no cenário competitivo de League of Legends: Croc teria acusado a Rensga de pagar apenas “cerca de 60% do prometido”. O desentendimento entre o jogador e a organização finalista de CBLoL se desenrolou durante toda a semana, com respostas surgindo de ambos os lados e terminando ela com quase nada resolvido.

O imbróglio entre as partes começou ainda na noite da última quarta (16), quando o caçador Park "Croc" foi em seu Twitter contar à comunidade que a organização goiana na qual esteve atuando ao longo do segundo split e com a qual chegou à grande final do CBLoL, Rensga, pagou apenas “cerca de 60% a 70% do valor prometido” tanto para ele quanto para o outro sul-coreano presente no elenco, Cha “Yuri”.

Não só isso, segundo o jogador - que de início não revelou muitos detalhes sobre os pagamentos - ambos os atletas estrangeiros tiveram que fazer testes de COVID-19 com seu próprio dinheiro e, apesar de seguir o cronograma fornecido pela organização à risca no embarque para voltar a seu país de origem, perderam o vôo.

Ainda segundo o jogador, ele contou que, caso quisessem voltar o mais rápido possível para a Coreia, teriam de desembolsar R$ 5,2 mil ou R$ 2 mil para o segundo vôo mais rápido. Caso a dupla não tivesse interesse em pagar o valor, deveriam esperar um mês inteiro para conseguir voltar para casa - enquanto o resto do elenco, formado por jogadores brasileiros, estará voltando para casa já nesta segunda (20).

Após a publicação do comunicado do jogador, que também pediu para que aqueles presentes no cenário brasileiro fossem legais com os jogadores estrangeiros, muitas pessoas foram à rede social defender o atleta e cobrar um posicionamento da organização.

Minutos após o acontecimento Djary Veiga, CEO da Rensga Esports, foi à público conversar com aqueles que o acompanham e que estavam acompanhando o desenrolar da história e comentou que “tirar conclusões de uma situação sem ouvir o outro lado pode ser bem ruim”, além de garantir que a organização natural de Goiânia se pronunciaria - o que aconteceu cerca de uma hora e meia após o comunicado inicial do jogador.

A organização afirmou em seu comunicado que as informações divulgadas por Croc “não condizem com a realidade” e explicou quanto aos pontos levantados pelo atleta sobre o vôo e os pagamentos. Segundo a Rensga, os jogadores chegaram ao aeroporto no horário mas não conseguiram embarcar, junto de outros 15 passageiros.

Já sobre o pagamento, a organização garantiu que “tem total segurança em afirmar que todas as cláusulas contratuais – inclusive os débitos financeiros – foram cumpridas com os jogadores” e afirmou que não deixará de ajudar tanto Croc quanto Yuri a voltarem para a Coreia do Sul.

A CONTINUAÇÃO

Com um cenário nebuloso, onde as partes envolvidas na confusão falavam coisas diferentes, foi na quinta (16) que mais detalhes surgiram. Em apuração do ge, Djary Veiga forneceu mais informações quanto ao imbróglio e apresentou os comprovantes de pagamento do salário dos jogadores, que foram acordados em R$ 10 mil por mês com direito a 70% da premiação recebida no campeonato oficial da Riot Games, provando que, de fato, os pagamentos haviam sido realizados.

Neste ponto, a única observação feita pelo dirigente foi em relação a Yuri, que teve o valor de R$ 5 mil dividido em dois e descontado de seu salário em razão da multa recebida pelo jogador ainda na terceira semana do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL).

Além disso, o dirigente comentou que os pagamentos dos quais Croc se referia na verdade eram de um contrato de transmissão com a plataforma NimoTV que renderia um bônus aos atletas e que foi mencionada pela organização durante o contato com o jogador como uma possibilidade e não algo concreto - o que também foi comprovado através dos registros da conversa.

Em contato com o portal, o caçador sul-coreano afirmou que o possível contrato com a plataforma teria sido usado para “persuadir” os jogadores e que, apesar da organização reforçar o bônus durante os contatos com o jogador, mais detalhes sobre a situação foram dadas apenas ao fim da fase regular do CBLoL.

Sobre isso, Djary enfatizou que a condição do contrato com a NimoTV como apenas uma possibilidade e que a oportunidade havia sido apresentada aos jogadores como tal, além de revelar que a negociação durou cerca de três meses e que, assim que a mesma se encerrou de forma negativa, o resultado foi apresentado aos atletas.

Quanto à situação da volta dos jogadores a seu país natal, a organização reforçou que o cronograma foi seguido à risca pelos jogadores, no entanto afirmou que o embarque dos atletas não ocorreu por conta de uma política - que não teve detalhes revelados - da companhia aérea que a Rensga não tinha conhecimento, a qual também prejudicou outras 15 pessoas.

Foi neste momento em que a questão das passagens de R$ 5 mil ou R$ 2,5 mil que teriam que ser adquiridas pelos próprios jogadores entraram em questão. Segundo a organização, o período de um mês que teria que ser aguardado pelos jogadores caso não quisessem pagar a quantia se deu pelo fato das passagens terem um valor alto demais para a Rensga pagar.

SEGUNDO COMUNICADO DE CROC

Mais tarde da quinta (16), após ver a apuração feita pelo ge, Croc novamente foi ao Twitter para falar sobre o caso (leia o comunicado através do link). O sul-coreano começa falando que na primeira vez em que João Sobreira, sócio da organização, falou com ele sobre a quantia de dinheiro que seria oferecida para o mesmo se juntar ao time, Croc pediu mais dinheiro uma vez que não poderia assinar pela quantia oferecida.

O jogador segue dizendo que, por conta do orçamento da organização, eles não poderiam oferecer mais do que já tinha sido oferecido e apresentaram a possibilidade do contrato de transmissão, além da porcentagem da premiação do campeonato. Segundo o jogador, o contrato era para ser assinado assim que ele chegasse ao Brasil, mas ficou no escuro em relação ao assunto até o fim de junho.

Ainda segundo o comunicado, Croc buscou entrar em contato sobre quando poderia assinar o contrato diversas vezes e recebeu respostas inconclusivas. Mais notícias sobre foram dadas por Djary apenas no meio de julho, onde o atleta alega que o CEO lhe falou que eles fariam uma transmissão teste e caso essa alcançasse uma audiência média de 60 pessoas, eles assinariam o contrato.

Por respeito a seus colegas de equipe, ambos os sul-coreanos acabaram rejeitando a oferta da transmissão pelo fato da Rensga se encontrar, na época, em uma posição complicada na tabela do CBLoL e por visar a ida da organização aos playoffs do torneio.

Croc volta a comentar sobre os vôos e reforça aquilo que já havia sido dito anteriormente por ele no primeiro comunicado, além de revelar que, apesar de que comida e outros custos haviam sido prometidos aos atletas, “nos dia em que a empregada não aparecia tínhamos que pagar nossa comida sem reembolso”.

Para finalizar, o caçador da sua opinião sobre a situação: “Problemas como esse continuaram ocorrendo, mas depois de ler o artigo do ge e seus tweets, João e Djary acham que eles não fizeram nada de errado e estão tentando dar a entender que somos nós os culpados. Também acredito que eles não estão assumindo a responsabilidade pelo peso de suas palavras durante nossa negociação”.

Até o momento de publicação desta matéria, a Rensga não se pronunciou acerca do segundo comunicado do atleta sul-coreano.