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LoL: 'Tenho uma missão com a comunidade', diz Maestro sobre seu futuro no competitivo

Maestro começou sua caminhada no cenário profissional com a INTZ Bruno Alvares & Pedro Pavanato

O último dia 31 de agosto marcou o fim de uma era. Depois de cinco anos vestindo o manto da INTZ, Lucas "Maestro" deixou a organização em busca de uma nova orquestra para ajudar a chegar no topo após um ano de 2021 complicado para a equipe. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o treinador ex-Intrépido falou sobre a saída dos nove jogadores da equipe, a desunião do cenário brasileiro e também conta um pouco sobre o que busca nos novos desafios que irá enfrentar - além de falar sobre ir atuar internacionalmente.

Antes mesmo de se juntar à INTZ em 2016, Maestro já colecionava passagens por equipes do Tier B do cenário competitivo brasileiro. Levando em conta os cinco anos que esteve ao lado dos Intrépidos, o treinador vem mantendo a pesada rotina de profissional de League of Legends há muito tempo.

Quando perguntado se já havia enjoado dessa rotina que o competitivo exige dos profissionais ali inseridos, o treinador aproveita para brincar: “De jogar ranqueada com certeza [risos]. Mas eu acho que tem certas experiências que a gente passa na carreira que fazem absolutamente tudo valer a pena, eu sei que a rotina de treinamento não é fácil, é uma carreira restritiva - não é pra qualquer pessoa -, é chato, é ruim. Eu sei que é difícil, mas eu criei um carinho, um amor por isso, primeiro porque eu acho que é transformador”.

“Eu já vi o quanto isso transforma a vida de uma pessoa, ela amadurece em poucos meses coisas que demorariam anos”. Além do amadurecimento que vem aliado à dura rotina para chegar ao topo, segundo Maestro, a parte que mais o motiva a continuar seguindo em frente são algumas das experiências que acompanham a carreira, como pisar no palco do Mundial ou, por exemplo, da grande final no Rio de Janeiro em 2019.

“Cheguei alguns dias antes na final do Rio e tava tendo ensaio, já sou maluco por show, adoro música, e eu fiquei lá assistindo várias e várias vezes. No intervalo do treino, o Maka - que hoje tá na paiN - me chamou e perguntou: ‘Você já viu o comecinho da apresentação?’. Ele me levou lá em cima da arquibancada e me mostrou a apresentação desde o início. A primeira vez que eu vi, eu já estava emocionado, quando vi o Envy aparecendo e o Ryze desenhado, eu comecei a chorar sem parar. Assim, caramba, olha o caminho todo que passamos, quanto sofrimento e discussão, e olha o que os caras fizeram para gente. Ver os jogadores lá desenhados e tal, aquilo não tem preço, vale tudo, todos os problemas, os dias que fiquei sem dormir direito, tudo”, relembra do campeonato no qual o Flamengo conquistou seu título inédito em cima da INTZ.

Hoje, cinco anos depois de sua entrada definitiva no cenário competitivo e depois de batalhar ao longo dos anos para colocar-se no patamar que hoje ocupa, com uma vasta gama de títulos e conquistas em sua bagagem, Maestro afirma: “Não enjoei de forma alguma”.

Algumas semanas após a saída do treinador, os Intrépidos começaram a mostrar algumas de suas movimentações no cenário ao se despedir de nove jogadores - tanto do Academy quanto da equipe principal. Com muitos desses estando sob a tutela de Maestro durante suas passagens pela organização, o treinador revela que, por ter de despedido antes mesmo das decisões, não sabe o motivo para a saída de alguns nomes que vê como promissores.

“Como eu me adiantei, não sei exatamente qual foi o racional sobre a debandada toda. Alguns casos eu entendo, me parece algo que aconteceria com alguns jogadores do CBLoL caso eles queiram fazer uma reformulação ou trazer jovens talentos ou um time com mais nome de repente, então esses eu entendo. Alguns outros eu fiquei curioso, por exemplo o Visão, o Redentor, são casos que me deixam curioso porque são jovens meninos que estão no começo da carreira e são grandes potenciais para o futuro. Eu imaginei que pudesse ser algo que eles iam manter”, observa o treinador.

A DESUNIÃO DO CENÁRIO BRASILEIRO

Uma coisa comum no ainda recém-nascido cenário competitivo do irmão mais novo do League of Legends, Valorant, que pôde ser observado no último Masters de Berlim foi a preocupação das representantes brasileiras - como a Havan Liberty - em entrar em contato com as equipes que haviam representado a região no primeiro Masters, com o objetivo de compartilhar informações e chegar ao campeonato internacional o mais bem preparadas possível.

Segundo Maestro, que representou o Brasil no Worlds 2020, até o momento a representante brasileira RED Canids não chegou a entrar em contato com ele com o mesmo propósito. Acerca disso, o treinador aproveita para falar sobre o quão desunido o cenário brasileiro é.

“Não existe muito essa relação entre algumas organizações, e até entre comissões técnicas. Depende muito. Hoje eu tenho uma relação um pouco mais próxima com alguns treinadores, o Gafone por exemplo é um cara que eu já trabalhei com e é mais próximo, mas mesmo assim não sei se ele viria conversar comigo. Existe um distanciamento entre os times do CBLoL que eu particularmente não gosto muito, mas ele está lá, está pré-estabelecido. Eu sinto que de certa forma existe uma desunião principalmente em relação aos profissionais brasileiros, queria muito que a gente desenvolvesse algo mais de unidade”, observa.

Maestro vê diversos pontos positivos em uma possível união entre as equipes brasileiras, principalmente em momentos como esse em que vemos uma equipe indo levantar a bandeira verde e amarela em um campeonato internacional, como o ganho de informações em relação aos adversários para uma melhor preparação.

Apesar de ver um grande potencial na união das equipes durante esse momento, o treinador que hoje encontra-se como agente livre no mercado, não vai “lá explicar para ele como o time dele tem que jogar. O Coelho, o pessoal tem o esquema de funcionamento deles, eu não vou afetar isso, mas se ele precisar…”.

Maestro ainda aproveita para contar sobre sua experiência junto dos Intrépidos no Mid-Season Invitational de 2019 - no qual a equipe amargurou a última colocação -, em que outros treinadores se ofereceram para ajudá-lo a se preparar para o grande evento.

“Eu tentei fazer isso no MSI de 2019, a galera oferecia muito por educação e quando eu fui eu falei: ‘Vou mudar isso agora, vou aceitar’. Acho que umas três pessoas vieram oferecer ajuda, foi o Halier se não me engano e o Djoko, e eu falei: ‘Quero ajuda’. Aí eu falava ‘Djoko, faz isso pra mim. Halier manda informação desse time aqui’ e a gente tentou usar isso, na época foi bem legal a conversa, mas o projeto não foi muito pra frente. Podia ser algo nesse tipo de tipo ‘Me dá uma ajuda com essa região aqui’. É uma ideia legal para o futuro”, reflete o treinador.

A PRÓXIMA ORQUESTRA

Os anos ao lado dos Intrépidos ficaram para trás e hoje o treinador sai de sua zona de conforto para enfrentar novos desafios e ajudar a reger uma nova orquestra em direção ao topo. Quanto ao que espera da próxima equipe da qual fará parte nas próximas etapas das ligas regionais, Maestro revela que é tudo questão de um projeto bem estruturado, baseado na confiança entre as partes, além de um lugar que o permita influenciar positivamente as pessoas.

“Principalmente para os próximos três a cinco anos, ainda mais em 2022 agora, o que eu vou procurar para mim e para as pessoas que vão me acompanhar é um lugar que realmente entenda as minhas ideias, que entenda meus projetos e aceite-os como algo realmente positivo para a organização que eu for mas também para a comunidade. Tenho uma missão com a comunidade, pra mim quanto mais forte a gente for como liga melhor para todo mundo”, comenta.

“Gostaria muito de estar em um lugar que ajude a liga, além de ajudar a si mesmo, e eu acho que a melhor forma de influenciar bem as pessoas é tendo bons resultados e um profissionalismo exemplar. Acho que isso influencia demais as pessoas, ter um time vencedor e se importar com as pessoas me deu um poder muito grande de influenciar os outros, eles querem ouvir o que eu tenho a dizer. Isso foi muito importante para mim e eu quero estender isso para qualquer que seja a organização que eu vá no futuro”, adiciona.

Hoje o treinador se põe no mercado como disponível para atuar não só na região brasileira, mas também em um cenário internacional. Sobre a possibilidade de atuar internacionalmente como um treinador assistente, apesar de pleitear a vaga de coach principal, Maestro não descarta a possibilidade mas confessa que teria que ser um projeto bem pensado.

“Se eu puder dar, mais uma vez, uma reciclada e ter uma dose de conhecimento talvez isso me enriqueça mais ainda para que eu cause mais impacto ainda no futuro, com certeza é uma das opções possíveis. Estou estudando algumas possibilidades também de fora, NA e EU, não sei se vai ser possível e como vai ser isso. Vamos ver se lá eles estão com uma ideia parecida, mas se for aqui pelo Brasil esse vai ser o principal objetivo que tenho para agora”, finaliza contando sobre uma possível ida ao exterior.

Até o momento de publicação desta matéria, Maestro ainda não tem um futuro definido.