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A jornada da RED Canids até o título do CBLoL, segundo Aegis

Gabriel Vinicius "Aegis" Saes, jogador da RED Canids Riot Games/Bruno Alvares

“Eu não sei o que sentir ainda”, é a resposta que Aegis dá uma semana após conquistar o título do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) ao ser perguntado se a ficha já havia caído. Estreante no formato presencial - principalmente de uma grande final -, o caçador foi destaque na série melhor de cinco contra a Rensga que garantiu à Matilha a passagem de ida ao Worlds 2021.

Nomeado “Craque da Final” na grande decisão do CBLoL, o caçador Aegis foi uma constante para a RED Canids durante a fase regular do campeonato e ver o jogador instaurar o ritmo da Matilha dentro de Summoner’s Rift com jogadas ao redor do mapa foi algo comum de se ver durante a Segunda Etapa.

Chegando aos playoffs sem o peso de equipe favorita, a RED mostrou ao Brasil que desde o começo deveria ter sido considerado como - mas não antes de passar por muitos obstáculos tanto dentro de jogo quanto fora.

Para os playoffs, o desempenho manteve-se o mesmo. Perdendo seu confronto final durante a fase regular contra aquela que encontraria na decisão do campeonato, a RED Canids mostrou à época um jogo contra os goianos que o próprio caçador comentou ter sido perdido “mais no dedo do que no mapa”.

“Olha, na fase regular estava todo mundo meio para baixo. Tava todo mundo com muitos problemas tentando solucionar e eu também estava um pouco negativo, ninguém estava no pico ainda. A gente fazia coisas certas no mapa, mas não estava encaixando ainda, e a gente começou a melhorar antes do playoff começar”, conta Aegis em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

“Nosso mental estava muito instável, pelo menos o meu estava, isso acabou dando uma dificultada no final da fase regular. Depois da fase regular, todos os times dos playoffs nós nos preparamos muito bem, a gente sabia quem atacar, como eles iam jogar e como a gente queria jogar”, completa.

Da forma como puderam, os lobos da Matilha enfrentaram as adversidades que acompanham a chegada da reta final do campeonato - como a falta de times para treinar - e derrubaram Flamengo Esports e Vorax antes de encontrar a Rensga, e trabalharam para chegar à grande decisão com o máximo de confiança possível.

A preparação para a reta final do campeonato feita pelo elenco superou a preparação de todas as outras, até mesmo da Vorax que frequentemente é elogiada por conta de sua metodologia de treinos. Contando com o auxílio da psicóloga Roxane Pirro para superar os obstáculos mentais e com Calisto “Coelho” para os percalços dentro de jogo, a RED Canids, que hoje conta com jogadores tão novos, mostrou-se adulta.

“A confiança vem de diversos fatores, nossa preparação foi muito boa no quesito de que assim, não tinham muitos times para treinar, então a gente chamou a FURIA Academy - que mesmo estando desclassificados, eles ajudaram a gente a treinar. A gente simulava o que a Rensga podia pegar, como eles iam jogar e ficamos treinando bastante. Estávamos bem preparados”, conta Aegis sobre a preparação para os playoffs.

“Ainda assim, eu sentia um nervosismo, uma ansiedade de jogar presencial, a pressão. Eu fiquei realmente nervoso, mas a Roxane foi com a gente pra lá e todas as noites a gente conversava. Foi essencial esse suporte para eu entender que era normal sentir essas coisas, eu só precisava saber filtrar elas. Quando ela falou ‘Não tem como não sentir [nervosismo]’, foi algo que me aliviou”, lembra.

A frase chegou no momento certo e foi como se o jogador tivesse tirado uma montanha de suas costas: “era o que eu estava buscando”. Visivelmente tranquilo através dos takes capturados pelas câmeras, novamente Aegis entrou em jogo, uma última vez pelo segundo split de 2021 pronto para fazer os Cowboys dançarem no seu ritmo.

Aegis, que quando traduzido para o português se torna Égide, uma espécie de escudo, entrou para mostrar que a melhor defesa é o ataque: 9.3 de AMA (Abates, mortes e assistências) e 70% de participação em abates.

“Senti que estava tudo tranquilo pra mim, com torcida poderia ser até mais divertido. Dizem que com torcida fica tremendo o chão, isso deve ser muito mais divertido”, comenta Aegis com um ar de quem está pronto para encontrar a torcida.

Ainda que não possa sentir o gostinho de encontrar uma legião de fãs prontos para agitar toda uma arena, o caçador tem uma missão ainda mais animadora pela frente: enfrentar os melhores do mundo. Atualmente na base da Movistar Riders, na Espanha, a RED Canids passará por um período de bootcamp (quando as equipes vão treinar em uma outra região) nas próximas semanas para se preparar para o grande dia.

A representante brasileira disputará a partir do dia 5 de outubro a Fase de Entrada do Worlds 2021, onde, ao lado de outras nove equipes, lutará por uma das quatro vagas no evento principal.