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CSGO: 'É a nossa maior vitória', diz Apoka sobre recuperação de Boltz

Apoka é treinador principal de CS:GO da organização brasileira MIBR Divulgação/MIBR

O MIBR encontra-se em solo europeu, mais especificamente na Sérvia, onde estão disputando o grupo B da BLAST Premier Fall Groups para definir se vão direto para as finais do campeonato ou se jogarão o Showdown, último qualificatório para a etapa principal que dará vaga às duas equipes finalistas. Em entrevista ao ESPN Esports Brasil, o treinador Apoka falou sobre as esperanças para o campeonato, além dos suplentes que chegam para substituir Boltz e Chelo.

A equipe se direcionou à região europeia com Breno “brnz4n”, do Academy, como titular ao ver Ricardo “Boltz” desfalcar o elenco por ter sido infectado pela COVID-19. Mais tarde, mais uma notícia ruim para os brasileiros: Marcelo “Chelo” não poderia se juntar aos companheiros no Velho Continente devido à recuperação por conta de um acidente de carro e o coletivo receberia seu treinador estratégico, Renato “Nak”, como suplente dentro de servidor.

Tendo treinado Nak em outras ocasiões, como na G3X durante a época do CS1.6, e mais tarde na WinOut.net antes de se tornar Luminosity, já no Global Offensive, o coach Alessandro “Apoka” falou sobre como ter o treinador estratégico dentro de jogo pode mudar a dinâmica da equipe e como isso pode impactar o jogo do MIBR.

“É muito interessante falar isso porque o Nak [como jogador] tem feito coisas que tem sido até diferencial, que eu acredito que temos que levar para o time futuramente. Pelo fato de ser treinador estratégico, ele tem um leque de coisas muito grande, então ele estuda e pesquisa muito o jogo. Ele tem um conhecimento de utilitário e de jogadas muito grande, então estamos treinando e ele fala: ‘quero treinar isso, aquilo’ e muitas vezes tem dado certo”, conta Apoka.

“A gente até fala que, em questão individual, ele é abaixo dos jogadores que ele está substituindo, mas ele está trazendo algo que é muito importante, que todo jogador tem, mas que o Nak tem um pouco a mais - pra não dizer, em alguns mapas, muito a mais - de jogadas, reações”, continua.

Com um ex-jogador e um jogador do Academy completando a equipe, os MIBR terão pela frente outras três equipes duras na queda pelo grupo B: G2 Esports, Ninjas in Pyjamas e BIG. Naturalmente, as equipes chegam a um campeonato importante como a BLAST Premier Fall Groups - que decide se as equipes vão diretamente ao Fall Finals ou para o Fall Showdown - com sede de vitória.

E com a equipe brasileira não poderia ser diferente. No entanto, apesar de querer garantir o maior número de vitórias no campeonato e garantir uma vaga nas finais, o MIBR chega sabendo que não tem pressão em suas costas: entrarão para se divertir, jogar seu jogo e aproveitar a oportunidade para dar a brnz4n uma experiência única contra os melhores do mundo.

“Claro que estamos treinando e nos empolgando muito, ninguém vai entrar em um jogo para perder (...) Mas o grande ponto é esse, a gente no fundo sabe que estamos indo pra nos divertir e fazer nosso melhor, isso acaba tirando muito da pressão que a gente acaba tendo. Eu diria que o grande objetivo é vencer, mas nosso objetivo também é pegar essa questão do brnz4n, ver um garoto novo, tentar trazer essa experiência para ele”, comenta o treinador.

Não só isso, o período também servirá para aproveitar da melhor forma possível, a situação complicada na qual se encontram. Após a dura derrota para a Paquetá no segundo RMR brasileiro, hoje a equipe busca mudar as coisas dentro e fora de jogo.

“Tivemos que dar uma pausa e mudar muitas coisas que refletimos sobre nosso jogo e nosso off-game por causa da nossa derrota na CBCS. Seria interessante nessa BLAST estarmos com o Chelo e o Boltz, mas já que não deu, já estamos colocando algumas coisas como se fosse com os dois, então quando eles voltarem eles já vão apenas se encaixar. É importante pra gente já ir vendo o que dá certo e o que dá errado”, revela.

Foram oito dias de preparação no centro de treinamento localizado na Sérvia. Ainda que não tenha sido tanto tempo - talvez até mesmo não o tempo suficiente -, fizeram o melhor com o tempo que tiveram para se preparar. “Faltou um pouquinho de preparação, faltou talvez a gente ter mais uns quatro ou cinco dias, não foi muita coisa. Acho que conseguimos trabalhar bastante, talvez se tivéssemos alguns dias a mais poderia ter uma preparação melhor”

Isso foi mostrado no primeiro jogo da equipe na BLAST: contra a G2 Esports, apesar da derrota, conseguiram mostrar um bom jogo contra a equipe europeia em um 16 a 11 na Mirage e um 16 a 7 um pouco mais apático na Inferno.

SANGUE NOVO NA EQUIPE

Chegando na Sérvia para uma das maiores oportunidades de sua carreira, brnz4n hoje calça uma pesada chuteira deixada temporariamente por Boltz. Com muitos nomes tanto na equipe Academy do MIBR quanto na equipe feminina para substituir o jogador - com inclusive a capitã Bizinha sendo cotada para a vaga -, a escolha do nome de brn foi quase que unânime.

“A escolha do brnz4n foi um pouco conversada, mas a escolha de que se a gente precisasse de alguém ela seria do Academy ou da equipe feminina já é uma escolha que está sempre com a gente (...) O Nak acompanhou bastante da montagem da equipe Academy e ele deu a ideia do brn, e a gente gostou, era o que queríamos. Também teve o pensamento da Bizinha, mas naquele momento que surgiu o nome dele - que foi o primeiro - já ficou muito próximo da gente querer ele”, conta sobre a escolha.

O jogador que se juntou ao time de base do MIBR pouco mais de um mês atrás, hoje tem a oportunidade de treinar contra os melhores do mundo para vestir a pesada camisa da lendária tag no campeonato e encontrou dentro dos servidores até mesmo s1mple, um dos jogadores profissionais que mais tinha vontade de treinar. “É o que a gente tá falando pra ele: ‘Aprenda muito e se divirta’”.

O ÚLTIMO RMR

Apesar do período que trará muita experiência para o jogador, o MIBR começa a ver as areias da ampulheta se esgotando para um de seus compromissos mais importantes do ano: a IEM Fall sul-americana, último evento RMR de 2021 que decidirá qual equipe representará o país no mundial ao lados das outras equipes brasileiras que disputarão a vaga na edição norte-americana do torneio.

A organização que durante o ano de 2021 sofre com a seca de títulos e bons resultados em campeonatos, tendo conquistado o título apenas no primeiro RMR brasileiro, e se encaminha para as últimas semanas com problemas na equipe causados por eventos que não conseguem controlar.

“[Preocupa] bastante. A gente está tentando fazer o sistema e as coisas que vamos mudar já pensando com o Boltz e o Chelo, então eles vão entrar e meio que se encaixar nisso e eles vão ter que fazer o máximo possível pra se encaixar o mais rápido. Apesar do Boltz ter sido o mais grave ele parece o melhor agora, então ele vai ter esses dias de descanso, e aí na quinta (23) voltamos para o Brasil e na sexta (24) treinamos com eles”, conta.

“O Chelo que não foi tão grave ainda preocupa, porque ele não tá conseguindo ficar muito tempo sentado, ele tem que levantar para caminhar por causa do pescoço, e aí preocupa um pouco porque você vai jogar uma melhor de três, vai treinar, tem que ter esse cuidado”.

Apesar disso, o treinador tenta manter os pensamentos positivos. Acreditando naquele ditado de que “há males que vem para o bem”, Apoka vê que existe uma possibilidade de, no final, todo o mal trazer algo de bom para a equipe.

“Eu não queria que isso acontecesse, isso é óbvio, mas a gente teve poucos problemas em alguns momentos e não conseguimos corresponder. O que trouxe para nós esses problemas, eu penso que preciso usar isso do melhor jeito que conseguir no final. Talvez possa no final trazer uma coisa boa, talvez quando o Boltz voltar ele volte com mais vontade do que ele já tem, o Chelo ainda mais e o time que está sem os dois também, porque sente a falta de estar sem os dois. Então vamos tentar aproveitar o melhor”

O próximo compromisso da equipe acontece ainda nesta terça (21), onde enfrentarão a alemã BIG pela repescagem do grupo B. Ainda que o objetivo seja alcançar os melhores resultados possíveis tanto na BLAST Premier Fall Groups quanto na IEM Fall sul-americana, o treinador crava que a maior vitória já foi alcançada pela equipe.

“Graças a Deus, em questão grave, que era mais do Boltz que chegou a ficar internado tá tudo bem. Essa é a maior vitória que a gente tem”, finaliza.