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CBLoL: Gafone comenta que 'com trabalho duro e seriedade', Rensga pode manter o bom momento

Gafone atua como técnico da Rensga desde fevereiro do último ano Riot Games

É inegável que, dentro do cenário brasileiro de League of Legends, a Rensga é uma das mais queridas pela comunidade devido a todo o trabalho audiovisual e das redes sociais realizados pela organização; e sua chegada ao CBLoL animou muito os fãs do jogo - mas a animação não compensou tanto.

Para a primeira etapa do campeonato mais importante do título no Brasil, a equipe de Goiânia esquematizou em um plano diferente: apostou em onze jogadores e uma jogadora dispostos e capazes de jogar tanto no campeonato principal quanto no Academy, podendo assim trazer mudanças nos elencos e aumentar o leque estratégico da equipe.

No entanto, o plano não deu certo. Ao longo do primeiro split a equipe pareceu se perder em meio a todas as mudanças e não conseguiu encontrar um caminho para a consistência, menos ainda para o sucesso, terminando o campeonato em último lugar. Tendo em vista os resultados insatisfatórios, se tornou claro como o dia que mudanças tinham de ser feitas para a segunda etapa - e essas aconteceram.

“Um dos nossos focos nessa temporada foi ter um trabalho mais dividido, focamos todos os esforços tanto de plantel, comissão técnica, estrutura no campeonato e assim, não foi deixando o Academy de lado até porque também temos um time em boa fase lá, mas fizemos algo mais condizente com o nível do campeonato. Optamos por um esquema um pouco diferente dessa vez”, conta o técnico Gafone sobre a preparação da equipe para o segundo split em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Deixaram no passado todo o planejamento que não havia dado certo para recomeçar, deram um passo para trás para mais tarde dar dois para frente e deu certo. Nas duas primeiras rodadas da segunda etapa, mostraram um jogo muito diferente daquele que haviam mostrado no último split e confirmaram aos fãs que as mudanças haviam sido feitas.

Duas dessas mudanças haviam acontecido antes mesmo do campeonato mudar. Junto da chegada de Damage, que veio da FURIA, abriram mão dos imports (jogadores estrangeiros que vêm jogar no Brasil) da Argentina e do Chile, para focar as vagas e apresentar ao CBLoL dois novos talentos sul-coreanos: Croc e Yuri.

“Fizemos um scout bem longo, desde o final da primeira temporada. Conversamos com bastante gente e procuramos o perfil ideal, no final chegamos em dois nomes que são extremamente talentosos e, apesar de estarem sem jogar no último split, são contratações que dá pra sentir depois dessa primeira semana que eles são muito bons e tem espaço aqui”, comenta o técnico sobre os novos jogadores da equipe.

Jogadores sul-coreanos no cenário brasileiro sempre são uma incógnita. Alguns alcançaram bons resultados como o suporte Luci, da paiN Gaming, enquanto outros não tiveram tanto sucesso assim.

A CHEGADA DOS COREANOS E INCÔMODOS

Focando em trazer jogadores que pudessem se encaixar na lista dos que alcançaram bons resultados, buscaram as melhores opções e que fizessem sentido para a organização na hora da contratação. Além de escolherem um caçador (Croc) que já teve experiência com outra região Wildcard e com a comunicação em inglês, trouxeram os mesmos no começo de maio para começar a preparar o terreno desde cedo.

“Nosso foco principal foi trazê-los bem cedo para o Brasil, para fazer toda a ambientação e não ter problemas de jetlag na véspera dos jogos. Logo na primeira semana eles já estavam aqui, procuramos formas de rodar o time tanto na comunicação quanto na questão estratégica. Foi uma coisa que inclusive pecamos na temporada passada, começamos a treinar muito tarde e prejudicou muito, foi uma das lições que aprendemos e fizemos tudo diferente dessa vez”, revela Gafone sobre como foi a chegada dos sul-coreanos.

Toda a ambientação e preparação para deixar a equipe o mais confortável possível em seus primeiros confrontos na segunda etapa deu muito certo. A dupla selva e meio performou bem nas duas partidas que tiveram durante o último fim de semana.

Surpreendendo a todos, a equipe goiana se despediu do último fim de semana cravando duas vitórias que garantiram a colocação em primeiro lugar na tabela já na primeira semana. Bons resultados, os novos jogadores coreanos performando bem… foi a receita perfeita para colocar as expectativas lá em cima.

“O que não falaram muito foi sobre o calendário que pegamos para as primeiras semanas, hoje em dia vejo o CBLoL muito dividido, acho que tem cinco equipes que estão no top 5 e que são muito boas e tem todo o pelotão de baixo - no qual também estamos. Nos primeiros confrontos pegamos três times desses, a INTZ, Netshoes Miners e agora a KaBuM, são partidas contra times que podem ser bons, não acho que são times prontos mas acho que tem potencial”, fala sobre os primeiros desafios na segunda etapa.

Porém, os cowboys encontraram uma pedra em sua bota. Durante a semana, a equipe foi surpreendida com a notícia de que o meio Yuri havia recebido uma punição da Riot Games por conduta inadequada grave dentro das partidas ranqueadas, suspendendo o mesmo por uma partida e estragando alguns planos da Rensga na competição.

“Estávamos muito acostumados com ele e até com as escolhas de campeões. Vamos trazer o Marfz agora e é uma dinâmica muito diferente, a sinergia que dependíamos de meio e selva se perde nessa mudança. Por enquanto tá estranho, temos o último dia de treino agora, mas conseguimos preparar uma coisa de última hora. Resta a nós da comissão e do time se adaptar a esse incômodo que acabou acontecendo”, conclui sobre a surpresa.

PRÓXIMOS PASSOS

Através do calendário favorável, que colocou segundo palavras do próprio treinador equipes do “pelotão de baixo” para enfrentar a Rensga nas primeiras semanas, a equipe conseguiu arrumar mais tempo para se preparar para os gigantes que ainda estão por vir. O tempo facilitará a preparação para as partidas “mais difíceis”, além da sinergia entre os integrantes e também a preparação para o meio e final do campeonato.

A mudança de mentalidade permitiu que a equipe começasse o campeonato com o pé direito, mas seguem com o pé no chão. Estão trabalhando com tudo que tem para manter a boa fase da equipe, mas sabem que ainda há muitos obstáculos pela frente e que vacilar não é uma opção.

“Ninguém tá com salto alto agora, ninguém se considera favorito no momento e sabemos que podemos ganhar de qualquer time do CBLoL, mas temos que dar muito duro. Somos um dos poucos times que comunica em dois idiomas, isso dá uma dificultada, mas com trabalho duro e seriedade conseguimos alcançar nosso primeiro objetivo, que é estar nos playoffs”, conta o treinador sobre como a equipe está se preparando para manter o bom momento.

Chegando com calma e dando seu melhor, a Rensga volta a se apresentar em Summoner’s Rift neste fim de semana com a partida contra a KaBuM às 14h deste sábado (12) e contra a campeã brasileira paiN Gaming no mesmo horário no domingo (13). As partidas são transmitidas através dos canais oficiais da Riot no Twitch, Nimo e YouTube e podem sofrer atrasos dependendo do andamento das partidas anteriores.