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Olimpíadas: a verdade sobre o 'brutal' nado sincronizado que se assemelha ao futebol americano

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Olimpíadas de Tóquio: André Heller faz prévia de Brasil x Rússia no vôlei e projeta volta de Macris (1:45)

O Brasil confirmou seu favoritismo, venceu o Quênia por 3 sets a 0 (25/10, 25/16 e 25/8) e garantiu a primeira posição no grupo A do vôlei feminino dos Jogos Olímpicos de Tóquio. (1:45)

Beleza, leveza e espetáculo. Quem assiste ao nado sincronizado nem imagina os perigos escondidos embaixo d’água.

O esporte combina elementos da ginástica e do balé. Duplas e equipes de até oito atletas nadam juntas no ritmo de uma música. Apesar de transparecer certa ''calmaria'' na superfície da piscina, a modalidade é brutal e pode causar sérias lesões no cérebro, comuns até mesmo em jogadores de futebol americano.

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Uma pesquisa realizada pelo jornal The New York Times, em 2019, com 430 atletas americanos do nado sincronizado, aponta que um quarto relatou ter tido pelo menos uma concussão cerebral. 15% dos entrevistados disseram que acham que sofreram uma concussão por causa do nado, sugerindo que o número total real pode estar perto de 40%.

O movimento no qual a pessoa que está sendo jogada para cima e volta para as mãos dos arremessadores, traz o risco de que um pequeno erro possa resultar em contusões graves para si e para os companheiros de equipe que estão embaixo d’água.

Foi o caso da atleta Karensa Tjoa, que se aposentou em 2017, depois de sofrer uma joelhada na cabeça durante um treinamento em 2013. Mesmo com a lesão, ela continuou praticando por mais quatro anos, quando finalmente decidiu parar por não aguentar mais sentir fortes dores na cabeça.

''Toda vez que eu tentava entrar, tinha uma dor de cabeça muito forte, me sentia tonta. E assim todos desses começos e paradas, eu acho, inibiu minha recuperação, e talvez tenha demorado mais do que se eu tivesse apenas me concentrado na recuperação'', disse Tjoa.

O médico Dan Daneshvar, da TeachAids, parceira do Comitê Olímpico Americano e da Federação Americana de Nado Artístico, alerta que pequenos golpes repetidos podem causar encefalopatia traumática crônica, que são comuns em jogadores de futebol americano profissionais aposentados.

“Indivíduos que não sofrem uma concussão, mas têm esses golpes repetidos como no futebol americano, por exemplo, você vê mudanças estruturais e funcionais no cérebro atrás de exames de imagem, mesmo no decorrer de uma temporada'', disse o médico.

Por conta deste e de outros casos, a Federação Americana de Nado Artístico tomou medidas para promover a segurança contra concussões e passou a fabricar toucas de silicone com uma fina camada de mel para oferecer mais proteção contra chutes, braçadas ou até mesmo a parede da piscina.

A proteção já é usada pelas atletas americanas nas Olimpíadas de Tóquio durante os treinos. As disputas no duelo da fase preliminar de duplas começaram nesta segunda-feira.

Nesta edição, no entanto, não teremos representantes brasileiras já que Laura Miccuci e Luisa Borges não conseguiu qualificação o suficiente no Pré-Olímpico Mundial de Barcelona.