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Michael Jordan da NFL: como Tom Brady se tornou primeiro ícone global do futebol americano

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NFL Playoffs: Tom Brady e o ataque aéreo do Tampa Bay Buccaneers enfrentam forte jogo corrido do Philadelphia Eagles (1:24)

Tampa Bay Buccaneers e Philadelphia Eagles jogam pelos playoffs da NFL neste domingo, às 15h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+ (1:24)

Astro da NFL causa impactos em todo o planeta, passando por Brasil, México, Inglaterra, Austrália, Dinamarca e Bolívia


Faz mais de 20 anos desde que Tom Brady começou sua carreira na NFL, digna de todo prêmio e aclamação imaginável. Ao longo do tempo, ele também se tornou a primeira superestrela global da liga. Como Babe Ruth e Michael Jordan antes dele, Brady ajudou a elevar um esporte que estava em sua maioria limitado à América do Norte e conseguiu espalhar sua popularidade para lugares inusitados.

Tom Brady e o Tampa Bay Buccaneers estreiam nos playoffs da NFL em 2022 neste domingo, às 15h (de Brasília), contra o Philadelphia Eagles, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Brady é o primeiro grande embaixador de uma liga com a intenção de se tornar global. Viagens ao Brasil, Japão, Gana e outros lugares trouxeram fãs apaixonados de fora dos EUA. Durante uma viagem à China em 2017, multidões de fotógrafos fizeram fila para flagrá-lo jogando uma bola de futebol americano enquanto estava na Grande Muralha.

O fã clube internacional de Brady é apaixonado e também uma prova do enorme impacto que um jogador transcendental teve em prol de todo um esporte. Reconhecendo isso, demos uma olhada na história internacional de Brady e, com a ajuda dos jornalistas da ESPN no exterior, também falamos aos torcedores do mundo inteiro sobre o papel que ele desempenhou não apenas no amor deles pelo futebol americano, mas também em suas vidas.

Um tema comum entre estes relatos? "GOAT" se traduz bem em qualquer língua ou cultura.

Brasil: "O marido de Gisele" inspira busca por um sósia

Já muito popular entre a crescente comunidade brasileira de fãs de futebol americano, Tom Brady se tornou uma referência cultural no país quando se casou com a modelo brasileira e ativista Gisele Bündchen em 2009. Nos primeiros dias de seu casamento, a mídia brasileira se referia constantemente a Brady quase que exclusivamente como "o marido de Gisele", agitando os fãs do jogador.

Se tornou comum ver Brady em eventos de grande repercussão no Brasil, como o Carnaval. Em 2018, Tom e Gisele assistiram a uma das mais intensas rivalidades do futebol brasileiro, o Gre-Nal.

A fama de Brady no Brasil cresceu ao ponto de inspirar um concurso de sósias. No mês passado, em seus esforços para se conectar com mais fãs da NFL na temporada, a ESPN Brasil lançou uma web série chamada "Buscando Tom Brasa", com a missão de encontrar o sósia perfeito de Brady.

"O pessoal me marcou lá falando ‘É sua chance, Marcelo, chegou a hora. Você é super parecido com o Tom Brady’", disse o vencedor Marcelo Taporosky, de 31 anos. "E por conta disso acabei participando dos testes, que foram superdivertidos com os sósias do Neymar, Salah, Gabigol, Ronaldinho, Pelé, foi muito engraçado, demos muitas risadas. Acabei vencendo e me tornando o representante da lenda viva aqui no Brasil".

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2:08

NFL Playoffs: Dallas Cowboys e San Francisco 49ers revivem rivalidade histórica de franquias vencedoras

Dallas Cowboys e San Francisco 49ers jogam pelos playoffs da NFL neste domingo, às 18h30 (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+

A devoção a Brady é tanta que os brasileiros foram obrigados a escolher entre o jogador e o time depois que o quarterback deixou o New England Patriots para o Tampa Bay Buccaneers na temporada de 2020.

"A ficha demorou um pouco a cair", disse Sidney Torres, que fundou o site de torcedores do NE Patriots para os fãs brasileiros do seis vezes campeões do Super Bowl. "Eu me preparei um pouco psicologicamente para a saída dele, e quando anunciou eu não tive um choque muito grande. Mas a partir do momento que você o vê treinando, lançando, Rob Gronkowski do lado dele, aí começou a cair a ficha".

Para outros, como Guilherme Lopes, de 39 anos, a lealdade a Brady continua sendo o mais importante - independentemente de seu uniforme. "Aonde ele for eu vou junto. Eu sou dele fã para sempre. Ele é o cara", disse Lopes. "Mesmo se um dia ele fosse para os Jets e levar eles aos playoffs. Seguirei aonde ele for". - Lucas Cunha

REINO UNIDO: Guardando Brady como um fundo de investimento

Phil Jones, de Derbyshire, Inglaterra, se lembra ao procurar por algo em uma caixa de produtos de promoção do Super Bowl XXXV, no início de 2001. Um ávido colecionador, ele lembra de assistir ao Orange Bowl do ano anterior de um quarto de hotel, enquanto Tom Brady encerrava sua carreira universitária na universidade de Michigan com quatro touchdowns em uma vitória espetacular sobre a universidade do Alabama.

Jones, de 66 anos, se lembra de ter visto o infame vídeo sem camisa em seus treinos antes do draft da NFL.

"Eu me lembro de pensar 'Como ele venceu Alabama?". disse Jones.

Alguns meses depois, ele até procurou ver para onde Brady tinha sido draftado e o colocou na última rodada de sua equipe de fantasy naquele ano.

Então, quando ele se deparou com quatro cartas do novato Brady em um evento de venda de souvenires próximo ao Super Bowl XXXV, ele perguntou o que o vendedor queria por elas. O novato não tinha um preço muito alto, então Jones comprou os cartões por 6 dólares.

Incluído na coleção está uma carta de Tom Brady, sem classificação e sem número nos playoffs de 2000, que parece ter sido autografada. Uma carta parecida foi comprada online por cerca de 50.000 dólares em outubro, mas altos valores por cartas que não são classificadas ou numeradas são incomuns.

"Tom Brady é minha aposentadoria", brincou Jones.

Jones é talvez um dos maiores fãs da NFL no Reino Unido. Ele é o copresidente do fã clube BucsUK, ao qual se juntou pela primeira vez em 1990, e já esteve em 12 Super Bowls - o primeiro foi em 1991; o Super Bowl XXXV foi seu nono. Ele até foi ao primeiro de Brady em 2002, um ano depois de ter comprado as colecionáveis do novato, e se sentou atrás das traves do gol, quando Adam Vinatieri chutou o field goal da vitória para os Patriots.

Desde então, Jones tem prestado atenção na carreira de Brady, como se isso fosse difícil de fazer. Ele assistiu como Brady ganhou mais seis títulos do Super Bowl, incluindo o do ano passado para os seus Buccaneers.

"Eu nunca torci pelos Patriots. Eu torci pelo Brady", disse Jones.

Jones guarda os cartões do novato em um cofre de banco local, junto com seu testamento e seus bens mais queridos e valiosos. Ele tem pouca intenção de vendê-los - ele já teve ofertas - mas não precisa do dinheiro. Jones possui e administra seu próprio negócio têxtil, e trabalha por turnos como leiteiro para se manter em forma. As cartas são um ativo que poderia um dia ser entregue a seus dois filhos adultos, ou mesmo atuar como um tipo de investimento.

"Eu realmente não tenho ideia do que vou fazer com elas", disse ele. "Elas são minhas lembranças". - Connor O'Halloran

México: Uma relação de troca

O Las Vegas Raiders, o Dallas Cowboys e o Pittsburgh Steelers há muito tempo eram as franquias mais populares da NFL entre os 48 milhões de fãs de futebol americano no México, de acordo com a liga. Durante 2019, na última temporada de Brady com os Patriots, uma pesquisa revelou que New England era o time mais seguido do país.

Brady ganhou todas as suas três partidas na NFL International Series, que incluiu uma passagem em 2017 na Cidade do México. Quando o três vezes MVP da NFL e os Patriots venceram o então Oakland Raiders no Estádio Azteca, os fãs gritaram seu nome durante o jogo inteiro.

"Foi uma surpresa muito grande", disse Brady aos repórteres após o jogo.

No entanto, um dos momentos mais bizarros de sua carreira também tem a ver com os torcedores do país. No Super Bowl LI em 2017, o jornalista mexicano Martin Mauricio Ortega roubou a camisa que Brady havia usado durante a histórica vitória dos Patriots sobre o Atlanta Falcons.

Ortega, que teve acesso ao vestiário do NRG Stadium de Houston com uma credencial para o jornal mexicano La Prensa, mais tarde descreveu suas ações como "um impulso de um fã descontrolado". - Eric Gomez

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1:33

NFL Playoffs: Mahomes e o Kansas City Chiefs chegam como francos favoritos contra o Pittsburgh Steelers

Kansas City Chiefs e Pittsburgh Steelers jogam pelos playoffs da NFL neste domingo, às 22h15 (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+

Dinamarca: Ida para os Bucs destrói seu "maior fã"

Quando Tom Brady assinou com os Buccaneers em 20 de março de 2020, seu autoproclamado "maior fã" da Europa não recebeu a notícia com tranquilidade.

Kenneth Jorgensen, de 39 anos, trabalhador de uma fábrica em Esbjerg, Dinamarca, de repente teve sua lealdade dividida entre Brady e a antiga equipe de Brady. Ele ficou doente por três dias seguidos, pois a angústia pela decisão de Brady de ficar livre no mercado gerou um sentimento de luto em Jorgensen pelo fim de uma era.

"No dia em que vi Tom jogar ao vivo [em Londres, durante a temporada 2009], me senti como uma criança na manhã de Natal. Ele é o GOAT. Ele é meu Michael Jordan", disse Jorgensen, que se tornou um fã dos Patriots em 1997, antes de Brady entrar para o time.

A idolatria de Jorgensen o inspirou a assistir a 16 partidas dos Patriots - todas vitórias do New England, diz ele. Durante suas múltiplas peregrinações para assistir aos Patriots, seja na Inglaterra ou no Gillette Stadium em Foxborough, Massachusetts, o ponto alto de todos os destaques foi assistir pessoalmente ao Nº 12.

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2:45

NFL Playoffs: Los Angeles Rams de Matt Stafford recebe 'visitante indigesto' Kyler Murray e o Arizona Cardinals

Los Angeles Rams e Arizona Cardinals jogam pelos playoffs da NFL nesta segunda-feira, às 22h15 (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+

"Não posso descrever como é ver Brady fazer seu trabalho", disse Jorgensen. "É simplesmente de tirar o fôlego".

Em suas viagens, Jorgensen já encontrou algumas das figuras mais importantes da franquia. Em seu perfil do Instagram, Jorgensen colocou uma foto com o braço em volta do proprietário do time, Robert Kraft. Em março, ele disse que ficou emocionado quando recebeu uma carta assinada pelo técnico dos Patriots, Bill Belichick, pelo correio.

Sua casa em Esbjerg se assemelha mais a um santuário dos Patriots, no qual muitos itens têm a imagem de Brady.

No fim, Jorgensen escolheu a equipe em vez do superastro. Ele admite que ainda deseja o bem de Brady - exceto quando ele está jogando contra New England. Quando os Bucs venceram os Pats por 19 a 17 em outubro, Jorgensen não praguejou contra seu antigo QB - indicando um progresso significativo em comparação com quando ele viu Brady levar seu novo time ao Super Bowl no ano passado.

"Vê-lo levantar o Troféu Lombardi com os Bucs foi como levar um chute na cabeça", disse Jorgensen. - Eric Gomez

Austrália: Pedras nos rins e festas

Poucos fãs de Tom Brady não estadunidenses fazem a peregrinação para vê-lo em ação como os da Austrália. São no mínimo 21 horas de ponta a ponta, com uma rápida conexão em Los Angeles, se você tiver sorte, para ter a chance de ver a estrela mais conhecida da NFL no planeta lançar dardos em espirais.

Os turistas de futebol americano australianos contam histórias de abandonar as férias de família, viajando sozinhos pelo continente com nada além de jeans e um casaco para enfrentar o frio do inverno da América do Norte. Trens quebrados, cancelamentos de voos e muito sacrifício para alcançar o objetivo.

Para Sam Williams, mesmo uma pedra nos rins na chegada aos EUA em 2016 não o fez parar sua viagem até Foxborough para assistir a Jets x Patriots. Williams disse que ele descobriu a pedra em sua primeira noite nos Estados Unidos, 22 de dezembro, com o jogo marcado para dois dias depois.

"Os paramédicos foram chamados ao hotel por volta das 3 da manhã, e acabei passando seis horas na urgência do Tufts Medical Center. Mas eu jamais perderia, havia esperado muito tempo para deixar de ver os Patriots e Brady ao vivo", disse Williams. "Fui ao jogo com hidrocodona para aliviar a dor, que começou a perder o efeito no último quarto".

A essa altura, os Patriots estavam bem encaminhados para uma vitória por 41 a 3 - talvez servindo como um analgésico extra para Williams.

"Tão feliz que nós batemos nos Jets".

Os torcedores australianos também têm o hábito de aproveitar ao máximo a oportunidade quando chegam. E de encontrar bons companheiros parar beber durante o dia do jogo.

Jaymz Clements descobriu tudo isso e muito mais em uma última viagem ao Gillette Stadium em outubro de 2018. Quando subiu no trem que ia de Boston até Foxborough, ele se lembra do dia começando com uma oferta de um companheiro de viagem para colocar um pouco de bebida alcoólica em seu café.

"A viagem de trem durou quase uma hora, e eu adorei cada segundo. Até mesmo o rapaz com uma camisa de Gronk muito grande que parecia que ia vomitar a cada 3-4 minutos", disse Clements. "Mas a melhor parte é ver a festa que os torcedores faziam no estacionamento em seus carros. Foi o dia que mais me ofereceram cervejas de graça na minha vida, e me tornei melhor amigo de cerca de 20 cidadãos locais".

Mais alguns novos amigos e um massacre de 38 a 7 sobre os Dolphins mais tarde, outro australiano deixou o Gillette tendo visto a terra prometida para testemunhar a dinastia.

"Eu tive que ver Brady pessoalmente mais uma vez, em um jogo de verdade, porque, a menos que você seja um criador de cabras (Goat em inglês), ou Scottie Pippen, com que frequência você pode dizer que viu o GOAT pessoalmente?” disse Clements. - Laurence Horesh

Bolívia: Espalhando o amor

Crescendo em La Paz, Bolívia - onde o futebol é a grande paixão - a exposição de Daniel Nemtala ao futebol americano veio principalmente de videogames e filmes de Hollywood.

"Um dos meus filmes favoritos na infância foi 'The Replacements', com Keanu Reeves", disse Nemtala, de 31 anos, produtor para uma rede de TV esportiva na Bolívia. "Eu jogava Madden no meu PlayStation, e foi assim que aprendi o jogo".

Porém, uma viagem à região de Boston para visitar parentes criou um vínculo que se mantém até hoje.

"Tom Brady é um semideus na minha família", disse Nemtala. "Desde que cheguei lá, Tom Brady estava em todos os lugares. Ele é tudo o que as pessoas falavam, especialmente durante a temporada de futebol americano".

Essa adoração acabou conquistando Nemtala, que se considera um torcedor dos Patriots, enquanto ainda segue torcendo por Brady no Tampa Bay.

Antes da pandemia da COVID-19, Nemtala fazia viagens anuais a Waltham, Massachusetts, para visitar a família, amigos e compartilhar seu amor por Brady e os Patriots. Até hoje, as visitas continuam sendo momentos preciosos.

"Todos os domingos, não importava o que pudesse acontecer, minha família se reunia para ver Tom Brady jogar. Essas são algumas das melhores lembranças que tenho em toda a minha vida", disse Nemtala.

Nemtala tem usado sua plataforma dentro da indústria de mídia esportiva para tentar espalhar seu amor pela NFL - assim como por outras ligas profissionais americanas - para outros na Bolívia. Lentamente esses esforços estão dando resultado, à medida que a Bolívia ganha novos fãs da NFL toda temporada com uma crescente exposição ao esporte.

"Costumavam ser apenas as pessoas daqui que viviam nos Estados Unidos que gostavam de futebol americano", disse Nemtala. "Mas agora mais pessoas querem assistir ao Super Bowl e acompanhar equipes e jogadores específicos".

Nemtala tem planos de retornar à New England assim que a pandemia acabar. No entanto, ele admite que conversar sobre Brady com os membros de sua família pode ser um assunto mais delicado do que antes.

"Um de meus primos o odeia completamente agora", disse Nemtala. "Eu? Eu acho que Brady é um gênio e tenho um grande respeito por ele. Não me importa para que equipe ele joga, ele será sempre o melhor jogador". - Eric Gomez