<
>

'Mal posso esperar meu pai me ligar da prisão': a história de Tyrann Mathieu, campeão do Super Bowl

Horas após ganhar o Super Bowl LIV com o Kansas City Chiefs, o safety da equipe do Missouri, Tyrann Mathieu, comoveu as redes sociais ao usar seu Twitter para postar a seguinte mensagem.

"Mal posso esperar meu pai me ligar da prisão. Há 321 TVs na Unididade Prisional de Hunts, e eu sei que cada uma dessas TVs estava ligada no Super Bowl, e que todos lá estavam torcendo para nós. Nós conseguimos!", escreveu.

A postagem é uma espécie de resumo de tudo o que o jogador de 27 anos passou desde que nasceu em 1992, na cidade de Nova Orleans, até alcançar a máxima glória de sua carreira esportiva no último domingo.

Antes de levantar o troféu Vince Lombardi com os Chiefs, após a grande vitória de virada sobre o San Francisco 49ers, Tyrann Mathieu teve que passar por cima das diversas agruras da vida.

E, como grande campeão que é, ele jamais deixou que nada o derrubasse.

DRAMA FAMILIAR

Desde que nasceu na Louisiana, o safety dos Chiefs teve pouquíssimo contato com seua pais biológicos.

Seu pai, Darrin Hayes, esteve em detenção durante quase toda a vida de Tyrann, já que, quando o hoje jogador profissional veio ao mundo, Darrin estava na cadeia por roubo.

Depois, quando o filho tinha apenas dois anos, o pai deixou a cadeia, mas cometeu outro crime no mesmo dia em que entrou em liberdade: homicídio.

E, desta vez, a pena foi pior: prisão perpétua, sem direito a condicional.

Mesmo preso, porém, Darrin manteve contato com Tyrann, com quem desenvolveu uma relação de afeto - o tuíte do jogador logo após o Super Bowl é prova disso.

O safety dos Chiefs também teve pouco contato com a mãe, Tyra, que o abandonou na infância. A responsabilidade de criar o garoto acabou se tornando dos avós.

Quanto seus avós morreram, Mathieu foi adotado por seus tios, Tyrone e Sheila, que acabaram virando seus "pais" pelo resto da vida.

DISPENSA DA FACULDADE

Atleta de destaque desde a infância, quando competia tanto no futebol americano quanto no atletismo pelo colégio de St. Augustine's, Tyrann ganhou uma bolsa da Louisiana State University, a famosa LSU, para jogar futebol pela universidade, em 2010.

Durante duas temporadas, o atleta teve enorme destaque na equipe comandada por Les Miles.

Tanto é que, em dezembro de 2011, ele ganhou o Prêmio Chuck Bednarik, entregue ao melhor defensor do futebol universitário.

No entanto, o que parecia uma carreira extremamene promissora quase foi por água abaixo em agosto de 2012, quando ele foi dispensado da LSU.

O motivo: repetidas reprovações nos testes anti-drogas promovidos pela faculdade, por conta do consumo de maconha.

Imediatamente, Tyrann entrou em um programa de rehab, para tentar reverter a dispensa da LSU.

Afinal, a universidade era a porta de entrada para a NFL, ou seja, seu "bilhete premiado" para fugir da vida dura e da pobreza que esfacelaram sua infância.

Mas isso não durou muito: em outubro de 2012, Mathieu e três ex-colegas de equipe foram presos por posse de maconha.

Seria o fim?

ENTRADA NA NFL E AS LESÕES

Mesmo em meio a todos esses problemas, o safety anunciou, em dezembro de 2012, que iria tentar o draft de 2013 da NFL.

Ele sabia que suas aprontadas fora de campo diminuíam muito suas chances, mas resolveu arriscar mesmo assim.

As primeiras escolhas foram passando, passando, passando... E as esperanças de Mathieu foram se esvaindo.

Até que chegou a hora do 69º pick...

O Arizona Cardinals resolveu apostar no talento do atleta, apesar do histórico ruim extracampo, e escolheram Tyrann.

Foi assinado um contrato de quatro anos e US$ 3,05 milhões, que incluia US$ 817.187,00 garantidas e um bônus de US$ 265.000,00 pela assinatura.

Sua passagem pelos Cardinals durou até 2018, de forma muito conturbada. Sempre que parecia que ele ia engrenar, uma lesão o atrapalhava.

E foram muitas, de todos os tipos: nos ombros, ligamento cruzado anterior do joelho, ligamento colateral lateral do joelho, no tornozelo, nos polegares...

Tanto é que, em março de 2018, o time do Arizona deu um ultimato: por conta de seus problemas, ou ele aceitava uma redução salarial, ou teria que procurar uma nova equipe.

Mathieu não aceitou, sendo dispensado pelos Cardinals.

DA DISPENSA AO SUPER BOWL

Apesar das inúmeras contusões, o talento de Tyrann Mathieu era evidente.

Tanto é que, poucos dias após sua saída de Arizona, o Houston Texans assinou um contrato de um ano e US$ 7 milhões com o safety.

Ele encerrou a temporada com 89 tackles, três sacks, oito passes defendidos e duas interceptações, números que chamaram a atenção do Kansas City Chiefs.

Aproveitando sua indefinição contratual com os Texans, os Chiefs ofereceram, em março de 2019, um excelente contrato ao atleta: três anos e US$ 42 milhões.

Menos de um ano depois, Tyrann Mathieu foi campeão do Super Bowl.

E, depois de tudo o que passou até chegar à glória esportiva eterna, o safety comemorou como louco com o troféu Vince Lombardi.

Quem conhece sua história entende perfeitamente o motivo daquele sorriso.