Seja nos dias atuais com Stephen Curry, ou até nos primórdios do basquete com Wilt Chamberlain, o Golden State Warriors marcou eras, gerações e até o próprio jogo na NBA. O time da Califórnia é o terceiro de uma série especial sobre os maiores campeões da liga de todos os tempos, produzida pelo ESPN.com.br ao longo desta temporada. Veja os artigos de Chicago Bulls e San Antonio Spurs.
Se nos anos 70 a NBA adotou a linha de 3 pontos para que caras como Wilt Chamberlain deixassem de ser tão dominantes, 40 anos depois Curry, Klay Thompson e cia fizeram os chutes de longe do perímetro parecerem meros lances livres e ser ventilada até a possibilidade de uma linha de 4 pontos.
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Nos primórdios
A franquia nasceu como Philadelphia Warriors em 1946 e ganhou o título da temporada de 1946-47, em cima do Chicago Stags, da BAA, que depois, com a junção e consequente formação da NBA, seria a primeira temporada da liga de basquete como hoje a conhecemos.
Em 55-56, os Warriors repetiram a dose ganhando o título em cima do Fort Wayne Pistons por 4 a 1 na grande decisão, liderados por Paul Arizin, Tom Gola e Neil Johnston.
Chega Wilt
A franquia teria um marco, e a NBA também, a partir de 1959. Neste ano, os Warriors draftaram Wilt Chamberlain, que se tornaria no jogador mais dominante de toda a história da liga.
Nos cinco anos seguintes, a NBA viu coisas que jamais seriam repetidas na história. Como, por exemplo, o jogo de 100 pontos em 1962, em uma temporada em que Wilt terminou com médias de 50,4 pontos e 25,7 rebotes por partida.
Neste mesmo ano, Franklin Mieuli comprou a franquia e a relocou para San Francisco, onde permanece até hoje. Criou-se uma expectativa grande após o time chegar à decisão da NBA em 1964, quando foi derrotado para o poderoso Boston Celtics de Bill Russell e cia.
Mas a era de Wilt Chamberlain chegaria ao fim meses depois, com ele voltando para a Filadélfia, mas agora sendo trocado para os 76ers. Os Warriors venceram só 17 partidas em 1964-65 e começaram sua reconstrução.
Em 1967, liderados por Nate Thurmond e Rick Barry, os Warriors chegaram às Finais da NBA. E quem seria o adversário? Os Sixers de Wilt Chamberlain, que venceram a série por 4 a 2.
Desde 1966, a franquia começou a mandar partidas em Oakland, aproveitando a abertura da arena inaugurada por lá. A partir de 1971-72, o time adotou o nome Golden State Warriors, para sugerir que a equipe representava o estado da Califórnia, conhecido como “Golden State” nos Estados Unidos.
E nesta mesma temporada a equipe passou a jogar exclusivamente na Oakland Arena, onde permaneceu até 2019. antes de inaugurar o Chase Center, em São Francisco, sua atual casa.
Novo título antes do período de ‘vacas magras’
Em 1975, os Warriors ganharam seu primeiro título desde a mudança para a Califórnia. E foi considerado uma das maiores zebras da história, com o time varrendo o então favorito Washington Bullets na decisão.
Depois disso, os Warriors ficaram nove anos sem sequer ir aos playoffs da NBA. A franquia perdeu relevância e protagonismo na liga, mas ainda assim conseguiu ter grandes talentos, como Chris Mullin, membro do Dream Team de 1992, e Don Nelson como técnico.
Foram 12 anos longe dos playoffs - de 1994 até 2006. Em 2007, os chamados “We Believe” Warriors de Baron Davis, Monta Ellis, Stephen Jackson, Jason Richardson chocaram o mundo ao vencerem o Dallas Mavericks do então MVP Dirk Nowitzki na primeira rodada dos playoffs.
Foi a primeira vez que um cabeça de chave número 8 superou o 1 numa série melhor de 7 dos playoffs em toda a história da NBA.
Mas seria dois anos mais tarde que a franquia faria o Draft que mudaria sua história: em 2009, selecionou Stephen Curry na sétima posição geral.
“Os caras só chegaram no hospital agora. A criança já nasceu”
A frase foi dita por Mark Jackson, lendário armador da história da NBA e técnico dos Warriors nos playoffs de 2013, quando o time enfrentou na semifinal do Oeste o poderoso San Antonio Spurs, que chegaria à final da Liga.
Jackson disse a frase acima se referindo a Stephen Curry, que teve 44 pontos e 11 assistências na derrota do jogo 1 da série, em que os Warriors levaram os Spurs até a prorrogação. Ele foi perguntado se estava presenciando o nascimento de uma nova estrela no basquete.
Mas para a temporada 2014-15, a verdadeira revolução nos Warriors começaria com duas peças-chave. A primeira era o novo técnico, Steve Kerr, que bolou um esquema tático onde utilizava bloqueios dos homens de garrafão para deixar seus letais chutadores livres do perímetro.
A outra foi Draymond Green, que talvez nem começasse a temporada como titular, já que o jogador mais bem pago do elenco à época e duas vezes All-Star, David Lee, iniciaria o ano machucado. Mas Green aproveitou e se tornou o coração e alma do time, sendo vital na defesa e no ataque para Curry e Thompson brilharem.
E logo no primeiro ano de Kerr, os Warriors venceram o Cleveland Cavaliers de LeBron James nas Finais. Cleveland chegou a abrir 2 a 1 na série, mas Golden State virou para 4 a 2, apesar de LeBron ter tido médias de 35,8 pontos, 13,3 rebotes e 8,8 assistências na série. Andre Iguodala seria eleito o MVP daquela decisão.
A dinastia estava só começando...
73-9
A temporada regular 2015-16 está na história da NBA. Nela, o Golden State Warriors deu show em quadra praticamente toda noite e superou o recorde do Chicago Bulls de 1995-96, que, liderado por Michael Jordan, tinha até então a marca de mais vitórias em uma temporada regular, com 72 ao todo.
Os Warriors de 15-16 superaram isso e ganharam 73 jogos na temporada regular. Stephen Curry foi eleito o MVP pelo segundo ano consecutivo. Mas dessa vez de forma unânime, algo que jamais aconteceu em outra ocasião na história da NBA.
Mas nem tudo são flores. Os Warriors tinham a taça na mão e abriram 3 a 1 nas Finais, novamente contra os Cavs de LeBron, mas deixaram escapar a maior vantagem em toda a história na decisão da NBA.
Acabou a brincadeira...
Como melhorar um time que conseguiu 73 vitórias no ano anterior? Adicionando Kevin Durant a ele. O Golden State ganhou 67 partidas na fase regular e, nos playoffs, não “teve graça” diante dos rivais.
Os Warriors varreram todo mundo até a grande decisão e perderam apenas um jogo nas Finais contra os Cavaliers novamente.
No ano seguinte, com as mesmas estrelas, Golden State dominou a temporada inteira e, apesar de ter ficado 2-3 na final de conferência contra o Houston Rockets, varreu os Cavs de LeBron na grande decisão e ganhou seu terceiro título em quatro anos.
A equipe ainda adicionaria DeMarcus Cousins à trupe e chegaria às Finais em 2019, mas sofreu com lesões de Durant, Klay Thompson e do próprio Cousins na série decisiva e perdeu o título para o Toronto Raptors - 4 a 2 para o time liderado por Kawhi Leonard.
Durant deixou a equipe ao fim da temporada, e os Warriors ainda sofreram com longos períodos com Curry e Thompson machucados. Na temporada 2019-2020, reduzida por conta da pandemia, a franquia venceu apenas 15 de 54 jogos, a pior campanha geral da liga. Na atual edição, com Stephen Curry de volta, a equipe beliscou uma das vagas no play-In, a repescagem que define as últimas vagas para os playoffs. Mas os Warriors foram derrotados por Los Angeles Lakers e Memphis Grizzlies e acabaram eliminados.
O Golden State Warriors ainda está longe de recuperar o protagonismo vivido nos últimos anos, mas, de qualquer forma, a década, e a história, ficaram marcadas como a era dos Warriors, uma dinastia memorável no maior basquete do mundo.
