É impossível pensar na NBA e não imediatamente imaginar Michael Jordan com seu uniforme vermelho do Chicago Bulls voando para uma enterrada com as pernas esticadas, a língua para fora e a bola na mão, na iminência de ser enterrada. A equipe dos Bulls é a segunda de uma série especial sobre os maiores campeões da liga de todos os tempos, que será produzida pelo ESPN.com.br ao longo desta temporada. Veja o artigo do San Antonio Spurs clicando aqui.
Apesar da franquia existir desde 1966, foi apenas em 1984 que começou a sua história de sucesso, que começou a fazer do Chicago Bulls um dos times esportivos mais populares do mundo, atraindo gerações de fãs ao redor do planeta ao ponto de ser impossível falar de Bulls sem mencionar Jordan e vice-versa.
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E foi em 1984 que o jovem Michael Jeffrey Jordan "sobrou" na terceira colocação do Draft da NBA para o Chicago Bulls, que faria a seleção que mudaria seu destino para sempre.
'Deus disfarçado de Michael Jordan'
O "cartão de visitas" de Michael Jordan foi dado em sua segunda temporada, onde ele ficou de fora da fase regular inteira, com exceção de 18 jogos. Ainda assim, os Bulls foram aos playoffs enfrentar um dos maiores times da história logo de cara: o Boston Celtics de Larry Bird.
No jogo 2 da série, vencido pelos Celtics na prorrogação, Jordan enfiou nada menos do que 63 pontos, sem sequer tentar uma bola de 3 (sim, na época isso existia). Boston venceu e varreu Chicago por 3 a 0, mas Bird disse ao fim da partida ter visto "Deus disfarçado de Michael Jordan" em quadra.
O aviso estava dado...
A chegada do 'Mestre Zen' e de Pippen
Jordan tava a pinta de que era genial, mas não conseguiria fazer isso sozinho. Em 1987, os Bulls draftaram aquele que seria o grande parceiro do camisa 23 em quadra: Scottie Pippen. No ano seguinte, MJ já tinha seu primeiro título de MVP, mas faltava um troféu. Por isso, a direção dos Bulls opotou por demitir Doug Collins e promover o assistente Phil Jackson a técnico do time principal.
"Eu nunca conheci um técnico tão diferente e genuíno ao unir o grupo, ele se interessava pela historia indígena e trazia isso pra nossa cultura", conta Steve Kerr, ex-jogador dos Bulls e atual técnico do Golden State Warriors, no documentário produzido pela ESPN "The Last Dance".
"Ele trouxe as filosofias do budismo zen e dos índios, tudo era sobre se concentrar e jogar como um só", relembra Bill Wennington, ex-pivô dos Bulls entre 1993 e 99.
"Doug tinha jogadas que sempre faziam Michael Jordan centralizar os pontos. O ataque triangular é usado para um passe decisivo criar movimento. Há 33 opções nascidas desse único passe, os jogadores podem ser criativos e espontâneos usando seus pontos fortes", explica Jackson.
"Eu não era fã do Phil Jackson quando ele chegou, pois ele veio tirar a bola das minhas mãos, Doug tinha colocado a bola nas minhas mãos", relembra Jordan.
"Todos têm uma oportunidade de tocar na bola. Não queria Bill Cartwright com a bola faltando cinco segundos. Não é ataque de chances iguais, isso é uma p…bobagem. Ele (Jackson) disse não me preocupo com você, mas temos que criar outras ameaças’", completou Jordan.
Jackson foi franco logo de cara com Jordan: "Claro que você marcou 37, 38 pontos por jogo nos últimos dois anos. Não garanto que será o cestinha da liga. O destaque é a bola e se você sempre estiver com ela os times podem bolar uma defesa, como os Pistons fizeram nos últimos dois anos"
Os Bad Boys
O esquadrão estava montado. Mas o Chicago Bulls esbarrou nos playoffs em três anos consecutivos no Detroit Pistons.
Os Pistons e Chicago Bulls se enfrentaram nas finais do Leste por três anos seguidos, entre 89 e 91, com Detroit ganhando os dois primeiros adotando as "Jordan Rules", regras criadas pela comissão técnica para conter o camisa 23 adversário que incluía não permitir bandejas mesmo que a força física fosse necessária para tal.
Mas o tabu foi quebrado em 91.
A rivalidade era tanta que, após os Bulls varrerem os Pistons na final do Leste de 91, Detroit deixou a quadra antes do jogo acabar e sem cumprimentar os jogadores de Chicago.
O primeiro triplete
Na primeira final da NBA da história do time, a franquia teve do outro lado o Los Angeles Lakers de Magic Johnson. Os Bulls perderam o primeiro jogo em Chicago, mas venceram os quatro seguintes e conquistaram o primeiro título de sua história.
Nos dois anos seguintes, contra Portland Trail Blazers e Phoenix Suns, o Chicago Bulls novamente ganhou o título e concretizou sua dinastia, com Jordan já com 3 MVP's de Finais no bolso.
A primeira aposentadoria de Jordan
Quando tudo parecia indicar que os Bulls seriam imbatíveis, Michael Jordan, aos 30 anos de idade, anunciou sua aposentadoria. O motivo alegado foi a tristeza com o assassinato de seu pai no verão de 1993. Era sonho do Jordan pai ver seu filho jogando beisebol, e o camisa 23 trocou a bola pelo bastão e foi se arriscar numa carreira na MLB...onde por um ano e meio não teve sucesso.
'Estou de volta'...e com novos companheiros
Em 18 de março de 1995, Michael Jordan divulgou um comunicado com apenas duas palavras: 'I'm back', ou 'Estou de volta' em português. E os Bulls precisavam, já que não haviam sido campeões no ano anterior sem ele.
Jordan vestiu o número 45 e chegou a tempo de atuar nos playoffs, mas estava visivelmente enferrujado, e Chicago foi eliminado pelo Orlando Magic de Shaquille O'Neal e Penny Hardaway na semifinal do Leste.
Isso só motivou Michael Jordan ainda mais. E dessa vez ele teria o reforço de companheiros que não estavam lá antes. Caso de Steve Kerr, Toni Kukoc, Ron Harper e, claro, Dennis Rodman.
Em 96, os Bulls venceram o Seattle Supersonics na final. Em 97 e 98, passaram pelo Utah Jazz de John Stockton e Karl Malone, conquistando o sexto e até hoje último título de sua história.
