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NBA: San Antonio Spurs virou exemplo de sucesso e basquete coletivo pensando 'fora da caixa'

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As frases e 'patadas' históricas de Gregg Popovich de uma forma que você nunca viu (2:10)

Técnico dos Spurs se notabilizou por entrevistas cômicas (2:10)

Se tem uma franquia que é sinônimo de sucesso na história da NBA é o San Antonio Spurs. A equipe abre uma série especial sobre os maiores campeões da liga de todos os tempos, que será produzida pelo ESPN.com.br ao longo desta temporada.

E os Spurs, ao longo de sua história, sempre pensaram "fora da caixinha", fazendo do jeito diferente. Afinal, não é fácil uma franquia ter sucesso, financeiro e esportivo, estando numa cidade pequena do Texas com pouco mais de 1,4 milhão de habitantes.

*Conteúdo patrocinado por Claro, Ford, Bradesco e Samsung

Enquanto os outros times da NBA sempre valorizaram cestinhas, superestrelas, glamour, carrões, pontuações exorbitantes e enterradas, os Spurs, a partir do final da década de 90, foram atrás da efetividade, jogo coletivo e atletas internacionais que o resto da liga desdenhava.

Resultado: 5 títulos, 22 aparições consecutivas nos playoffs e a quinta franquia que mais ganhou troféus na história da NBA.

Uma mente brilhante

Poucos não lembram, mas antes de ser técnico do time principal, Gregg Popovich foi gerente e vice-presidente dos Spurs. Ele assumiu esse cargo em 1994, tendo como uma de suas primeiras atitudes trocar Dennis Rodman para o Chicago Bulls no ano seguinte.

Após San Antonio começar mal a temporada 96-97, Popovich demitiu o técnico Bob Hill e se autonomeou para o cargo. O ano já estava perdido, David Robinson estava lesionado e só restava ao time "tankar", pois um jovem de Wake Forest de 20 anos dava indícios de que poderia ser uma lenda.

A dinastia de mais de duas décadas dos Spurs tem nome e sobrenome: Gregg Popovich. Ele se tornou um dos maiores técnicos da história do basquete, o 3º com mais títulos e até hoje implanta a mesma "fórmula" em suas equipes, buscando jogadores efetivos, solidários e, curiosamente, sem serem megaestrelas.

Além disso, Popovich é inovador, tendo colocado em sua comissão a primeira assistente mulher (Becky Hammon) na história da NBA.

As "Torres Gêmeas"

Em 1997, com a primeira escolha geral do Draft, o San Antonio Spurs escolheu Tim Duncan. Com um garrafão de Duncan e David Robinson, a equipe melhorou da água para o vinho e já foi aos playoffs em 98. Em 99, na temporada encurtada pelo locaute, os Spurs conseguiram seu primeiro título na história, batendo o New York Knicks na grande final.

Duncan seria o MVP daquela decisão, tendo médias de 27 pontos, 14 rebotes, 1 roubo e 2,2 tocos nos 4 a 1 dos Spurs em cima dos Knicks.

Os 'gringos'

Meses depois de ganhar seu primeiro título, os Spurs conseguiram um dos maiores "golpes de mestre" do Draft, ao selecionarem com a 57ª escolha no geral um argentino de 22 anos que atendia pelo nome de Emanuel Ginóbili, desconhecido nos Estados Unidos até então. Ginóbili optou por seguir na Itália e não assinou logo de cara com os texanos.

Depois de dois anos seguidos não atingindo mais a final da NBA, parando nos Lakers de Shaq e Kobe, Popovich e os Spurs entenderam que era preciso um outro fator para incomodar as defesas adversárias, à medida que Robinson estava já no estágio final de sua carreira.

E o fator extra veio com a 28ª escolha do Draft na forma de um francês de 19 anos que muitos olheiros viam como franzino, baixinho (1,88m) e que não se adaptaria à NBA...Tony Parker.

Em 2002, Ginóbili viria da Europa, e os Spurst, enfim, teriam unidos o supertrio que ficaria junto por mais de uma década. E logo na primeira temporada, veio o segundo título da franquia, derrotando o New Jersey Nets na grande decisão.

Em 2005, novamente os Spurs estavam no topo da NBA, dessa vez derrotando o Detroit Pistons de Chauncey Billups na final.

Dois anos mais tarde, em 2007, os Spurs varreram o Cleveland Cavaliers na final contra Anderson Varejão e um garoto de 22 anos chamado LeBron James. Pela primeira vez, San Antonio tinha um MVP na decisão que não era Tim Duncan, mas sim Tony Parker.

Duncan, ao fim da série, foi visto nos bastidores dizendo umas palavras encorajadores ao jovem LeBron que acabaram virando uma profecia: "Essa liga será sua já já...".

Tony Parker

  • 28ª escolha geral no Draft de 2001

  • 4 títulos

  • 1 MVP das Finais

  • 6x All-Star

  • 15,5pts e 5,6ast de média na carreira

Manu Ginóbili

  • 57ª escolha geral no Draft de 1999

  • 4 títulos

  • 2x All-Star

  • Eleito melhor 6º homem em 2008

  • 13,3pts, 3,5rebs, 3,3ast de média na carreira

A continuação da dinastia com 'O Garra'

Em 2011, o San Antonio Spurs novamente deu a tacada de mestre no Draft. Trocou George Hill, seu armador emergente, pela 15ª escolha no geral, do Indiana Pacers, que se converteu em Kawhi Leonard, que estava longe de chamar atenção das outras franquias nesta época.

Kawhi se tornou peça fundamental do time nas duas vezes em que foi à final contra o supertrio do Miami Heat, em 2013 e 2014. Na última delas, os Spurs foram campeões com Leonard, o MVP da decisão.

Tudo apontava para Kawhi, que se tornará uma superestrela da liga nos anos seguintes, dar continuidade à dinastia. Seu estilo fora dos holofotes sugeria que ele era o encaixe perfeito nos Spurs.

Mas problemas de relacionamento com a franquia, não 100% esclarecidos até hoje, fizeram com que ele saísse dos Spurs em 2018.

O Brasil entre os campeões

Foi pelo San Antonio Spurs que o Brasil teve seu primeiro campeão na NBA. Tiago Splitter, draftado pelo time e que atuou em San Antonio entre 2010 e 2015. Splitter, hoje assistente do Brooklyn Nets, foi o pivô titular da equipe no título de 2014.