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NBA: Jogadores brancos discutem responsabilidade para com companheiros negros

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LAKE BUENA VISTA, Flórida - Enquanto Alex Caruso se orgulha de ter escrito Los Angeles Lakers na parte da frente de seu uniforme, são as palavras nas costas sobre as quais ele quer falar.

Caruso, que é branco, escolheu usar "Black Lives Matter" em sua camisa em Orlando, Flórida, para apoiar a luta pela igualdade racial.

"Isso é algo que os negros não têm que fazer por conta própria", disse o jogador dos Lakers ao The Undefeated. "Não é algo em que eles podem simplesmente acordar e dizer: 'Sabe de uma coisa? Vou trabalhar duro, ser ativista, falar com algumas pessoas e isso será feito’".

“Estar na NBA realmente me ensinou o quanto é importante falar sobre essas coisas. Minha vida mudou muito no ano passado só por estar em Los Angeles. Sempre que via ou tuitava algo, não se tratava apenas de mim e do meu pequeno grupo de amigos. Mais pessoas estão prestando atenção. Eu apenas acho importante que as pessoas saibam o que é certo e o que é errado. Na sua forma mais simples, todos devem ser tratados da mesma forma”.

Após George Floyd, homem negro de 46 anos, ser morto em Minnesota enquanto estava sob custódia policial em 25 de maio, jogadores da NBA prometeram falar sobre luta contra o racismo, injustiça social, brutalidade policial e outras ameaças. Entre eles, vários jogadores brancos.

"Eu vejo isso como uma maneira de estar ao lado de todas as pessoas do país e lutar por igualdade", disse o ala do Milwaukee Bucks Kyle Korver ao The Undefeated. Korver também está usando "Black Lives Matter" em sua camisa. “Essas três palavras dizem muito sobre o momento que vivemos. Trata-se de desafiar todos nós a perguntar em que tipo de sociedade vivemos e em que tipo de sociedade queremos viver. E, como homem branco, isso me faz reconhecer minha própria responsabilidade em tudo isso”.

Brancos representam 76,2% da população dos Estados Unidos, de acordo com o US Census Bureau. Mas na NBA apenas 16,9% dos jogadores da liga são brancos, incluindo muitos que vêm de diferentes países. Em 2016, Korver e o ala do New Orleans Pelicans JJ Redick estavam entre os seis americanos brancos que falaram sobre como era ser uma pessoa branca jogando na NBA. Redick, então e agora, diz que é importante para ele apoiar seus companheiros de equipe negros e negros em geral.

"Como jogador branco, é importante que meus companheiros saibam que eu sou um aliado", disse Redick. “Eu odeio usar essa palavra, mas eles sabem que eu sou um aliado. Sinto que estou sendo sincero. Obviamente, também estou fazendo coisas nos bastidores, tanto com os Pelicans quanto com algumas das coisas que faço com a minha esposa".

“É apenas empatia e entendimento de que uma raça inteira em nosso país não tem as mesmas oportunidades, não tem igualdade, não tem a mesma vida que os brancos. Eu simpatizo com isso. Eu quero ajudar, seja como for. Às vezes, basta ouvir. Também aprendo com meus companheiros de equipe, fazendo perguntas a eles”.

Antes de partir para o Walt Disney World Resort com os Pelicans, contou Redick, ele passou quase duas semanas na casa do companheiro de equipe Jrue Holiday, que é negro. Os companheiros de equipe conversaram todos os dias sobre racismo, brutalidade policial, injustiça social e privilégios de brancos. Redick disse que também ficou até 2h da manhã na bolha da NBA tendo uma conversa esclarecedora com Holiday e o companheiro de equipe italiano Nicolo Melli sobre suas diferentes experiências. (A esposa de Holiday, Lauren, branca, revelou recentemente que seu marido foi algemado por um policial de New Orleans depois de tentar dar a Lauren sua carteira de motorista depois que ela foi parada pela polícia.)

"O que abre meus olhos às vezes é ouvir a história pessoal de cada indivíduo e como ela o afetou", disse Redick. “Ouvir como eles se sentem. Claro que às vezes sentem raiva. Enfim, é de abrir os olhos, com certeza”.

Korver, enquanto jogava no Utah Jazz, chamou a atenção para o privilégio dos brancos e o racismo em um texto escrito em primeira pessoa ao The Players' Tribune em 2019. O ex-All-Star tinha se intimidado em falar por anos até o incidente no jogo do Utah Jazz contra o Oklahoma City Thunder envolvendo um torcedor fazendo comentários racistas em direção a Russell Westbrook.

Korver está optando por usar "Black Lives Matter" na parte de trás do seu uniforme porque "tudo está representado nessas três palavras”.

"Acho importante amplificar vozes que não são ouvidas o suficiente", acrescentou Korver. “Quero honrar a resiliência e coragem deles. Honrar a fidelidade de todos os que lutam pela mudança, porque a mudança é difícil. Em última análise, usar ‘Black Lives Matter’ na minha camisa é sobre esperança. Há um senso de esperança em ver tantas pessoas de diferentes origens e idades se unirem para dizer que as coisas podem ser diferentes".

Redick diz que recebeu alguns tipos de comentários desagradáveis ao falar sobre o racismo. Mas não espere que o veterano pare o que está fazendo por conta das críticas.

"Ninguém gosta de ser chamado de racista", disse Redick. “Ninguém gosta de ser acusado de pensar como racista. Entendo por que as pessoas são sensíveis a isso. Mas sempre há uma reação. Sempre que eu via algo sobre Trump, havia uma reação. E, novamente, voltarei a usar esta palavra: empatia".

"Se você tem isso, isso realmente não é um retrocesso. Você pode simpatizar com a situação política. Você pode simpatizar com a situação social, com o sistema de justiça. Todas essas coisas. E eu realmente não me importo, para ser sincero com você".

Caruso, que disse que admira Korver e Redick, acrescentou que não está buscando aprovação pública ou elogios por sua franqueza sobre brutalidade policial, injustiça social e racismo. Caruso passou recentemente uma de suas entrevistas coletivas pós-treino falando apenas sobre Breonna Taylor, uma mulher afro-americana de 26 anos que foi morta a tiros por três policiais de Louisville, Kentucky, em 13 de março.

Caruso, de 26 anos, simplesmente diz que se manifesta porque é "a coisa certa a fazer".

"Tenho tantos amigos e tantos irmãos que jogaram comigo quando era pequeno", disse Caruso. “Eu literalmente tenho um cunhado agora que é um homem negro neste país. Vou ter sobrinhas e sobrinhos negros. Isso é importante”.

Embora haja um longo caminho a percorrer, Caruso parece otimista de que o mundo está mudando para melhor em meio a esse movimento social.

"Eu sei que isso chegará ao ponto em que todos serão tratados da mesma forma, independentemente da sua aparência e da sua opinião", disse Caruso. “Mas acho que temos muito trabalho a fazer".

"É uma luta contínua".