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Kyle Korver, do Utah Jazz, abre o jogo sobre questões raciais na NBA e revela conversas após insultos a Westbrook

Ala do Utah Jazz, Kyle Korver publicou um texto na segunda-feira, no portal The Players' Tribune, tratando da questão de racismo nos Estados Unidos e na NBA.

Korver usou o título "Privilegiado" no artigo em que fala sobre experiências próprias, menciona a prisão de um ex-colega de time e os insultos de um homem direcionados a Russell Westbrook durante jogo contra o Oklahoma City Thunder, em Utah.

"Há algo que chama atenção e que tenho pensado muito nas últimas semanas", escreveu Korver. "O fato é que, demograficamente, se eu for honesto, tenho mais em comum com os fãs na arquibancada do que com os jogadores dentro de quadra."

Korver menciona o "privilégio" por ser branco diversas vezes no texto, o que faz com que ele tenha a "opção" de participar, ou não, da discussão e da luta contra o racismo.

"O que percebo é que, não importa o quanto tento ser um aliado, quanto apoio tento dar aos jogadores negros da NBA e da WNBA... ainda estarei na discussão por meio de uma perspectiva privilegiada", seguiu. "Todos os dias, tenho uma escolha - tenho um privilégio - baseada na cor da minha pele."

Aos 38 anos, Korver está em sua 16ª temporada na NBA. Ele defendia o Atlanta Hawks em 2015, quando seu então colega Thabo Sefolosha foi preso por, supostamente, interferir em uma cena de crime em Nova York.

Sefolosha sofreu uma lesão que o tirou da temporada durante a prisão e, depois, foi inocentado de todas as acusações.

Korver disse ter se sentido "envergonhado" ao saber que Sefolosha havia sido preso, e que a primeira coisa que passou pela sua cabeça foi: "O que Thabo estava fazendo em uma boate?"

"Antes de saber toda a história, antes mesmo de falar com Thabo... meio que o culpei", escreveu.

Korver também mencionou o incidente de 11 de março, quando um homem direcionou ofensas racistas a Russell Westbrook, durante uma partida em Utah. Por ter respondido e discutido, o armador do Thunder foi multado em 25 mil dólares. Shane Kiesel, o homem envolvido na questão, foi banido e não poderá mais ver jogos no ginásio do Jazz.

Korver disse que o caso "incomodou o time" e fez com que a equipe se reunisse com Steve Starks, presidente da franquia, no dia seguinte.

"Não foi a primeira vez que tiveram de falar sobre questões raciais em suas carreiras, e não foi a primeira que tiveram de falar sobre ódio disseminado por outras pessoas. E uma das coisas mencionadas naquele encontro foi que, em incidentes como aquele, os dois (Westbrook e Kiesel) não foram os únicos envolvidos diretamente. Não é uma questão apenas sobre Russ e um falastrão. É mais do que isso."

"A questão é sobre a simples existência. Sobre o racismo nos Estados Unidos. Sobre um negro estar em um espaço majoritariamente branco", criticou.

"Sei que, por ser branco, tenho de responsabilizar os outros brancos, Todos nós temos - ponto final. Não apenas por nossas ações, mas pelas formas como a falta das nossas ações pode criar um espaço 'seguro' para um comportamento tóxico."