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Por que as estrelas da NBA e os donos bilionários confiam tanto no comissário Adam Silver para o renascimento da liga

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Chris Paul relata enorme saudade da NBA: 'Cara, nós queremos muito jogar!' (0:58)

Por outro lado, o jogador do Oklahoma City Thunder entende que é necessário criar protocolos de segurança para que o retorno da liga aconteça (0:58)

À medida que a incerteza aumenta, e elementos científicos, econômicos e competitivos entram em rota de colisão, há uma constante na luta para retomar a NBA: proprietários e jogadores estão dando ao comissário Adam Silver espaço completo para operar, governar e tomar as decisões durante a pandemia. Sem jogos de poder, sem críticas às decisões tomadas por ele.

Em uma liga com protagonistas extremamente ricos, bem-sucedidos, poderosos e, sim, egomaníacos, ninguém tentou “falar mais alto” que Silver durante a pandemia de coronavírus. Esses bilionários e ícones globais deixaram tudo nas mãos do comissário, tal como uma possível retomada e reformulação da NBA.

"Não subestime seu poder de definir a percepção do público", disse um proprietário a Silver nesta semana.

Como o escritório da liga estava avisando proprietários e equipes semanas antes da Casa Branca dar o comunicado, Silver ganhou um nível extra de credibilidade nas questões do vírus. Silver não subestima o poder de outra coisa para definir a percepção pública de sua liga - suas estrelas. Seus relacionamentos de confiança com jogadores famosos, incluindo o presidente da NBPA, Chris Paul, têm sido os maiores fatores na tranquilidade que ele teve para trabalhar desde que Silver substituiu David Stern.

Agora, por razões econômicas e competitivas, a maioria dos jogadores está disposta a terminar a temporada. Em alguns casos, quanto mais abaixo estão as equipes de classificação, existe pouca motivação para um curto período de treinos e alguns jogos.

Há pouco mais de dois meses, os proprietários não tinham certeza de que precisariam fechar arenas para torcedores. Mas o mundo mudou rapidamente. Hoje, os proprietários estão defendendo testes e pesquisas. Vivek Ranadive, do Sacramento Kings, discutiu um teste israelense para o vírus com seus colegas, disseram fontes. O coproprietário do Boston Celtics, Steve Pagliuca, está monitorando um estudo de Harvard sobre possíveis testes de saliva.

E os proprietários também entendem outra coisa. Silver é o melhor homem possível para conversar com os jogadores sobre as possíveis dificuldades financeiras que a NBA vai enfrentar. É por isso que, há uma semana, Silver estava ao telefone com jogadores descrevendo cenários em que a receita poderia despencar, onde os torcedores voltariam lentamente – se é que voltariam – a entrar nas arenas.

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"É péssimo, mas pode ser a nossa realidade por um tempo", Silver disse aos jogadores, de acordo com o áudio obtido pela ESPN. "Pode ser que haja um momento em que possamos trazer uma parte de nossos torcedores de volta para que se sentem todos um do lado do outro ou um a cada três cadeiras. “Supondo que uma vacina não chegue tão cedo, há coisas que podemos fazer. Talvez não possamos ter 19 mil pessoas, mas e 5 mil? Talvez 8 mil? Existem protocolos que permitem isso? "

Na convocação do conselho na terça-feira, liga e proprietários também passaram parte da discussão falando sobre a questão dos torcedores voltando às arenas na próxima temporada, disseram fontes. A NBA está estudando como as equipes podem ser criativas, se necessário, com capacidade de 15% ou 20% em suas arenas.

A maioria das equipes está pensando em maneiras de colocar os torcedores em cadeiras premium, se o protocolo de distanciamento social limitar a presença deles nas arenas. Uma equipe já está investindo em pesquisas que mostram como exigir que os torcedores usem máscaras e como limitar a participação de pessoas de faixa etária vulnerável e com problemas pré-existentes para reduzir os riscos, disseram fontes.

Ainda está longe, e não há como dizer quando e como os torcedores poderiam voltar. Silver vendeu essa ideia aos jogadores há uma semana, e ele a venderá novamente, à medida que as negociações com o sindicato tomarem forma.

A NBA e a NBPA têm meses de negociações pela frente que podem impactar fundamentalmente o equilíbrio competitivo da liga, tal como contratos garantidos, a agência livre e a diferença entre as equipes de grandes e pequenos mercados.

A partir de hoje, os jogadores terão 25% dos seus salários reduzidos, mas os jogadores nunca ameaçaram usar a “Força Maior” - um mecanismo para recuperar uma porcentagem dos salários após cancelamento dos jogos - como um motivo para ser menos cooperativo durante esse período. Os jogadores principais fazem partes de comitês que estão em contato direto com o escritório da liga.

Quanto tempo dura a boa vontade? Bom, isso é uma história diferente. À medida que as receitas vão diminuindo, o mesmo ocorre com o teto salarial. A previsão é de que bilhões - e não milhões - sejam perdidos de uma projeção de US$ 8 bilhões (R$ 43 bilhões) em receitas para 2020-21.

Por tudo isso, o relacionamento de Silver com o sindicato dos jogadores tem sido notavelmente profissional. Ele telefonou para seus principais jogadores e liderança sindical, falou sobre as realidades financeiras severas ligadas a receitas, prometeu negociações difíceis em uma longa lista de questões de negociação coletiva, preparou os jogadores para a possibilidade de que 40% da receita da liga seja incerta para a próxima temporada, e ainda ouviu um “obrigado” e foi elogiado pelos jogadores por tomar o tempo para ligar e comunicá-los.

Se levarmos em consideração o que está acontecendo com a Associação de Jogadores da Major League Baseball contra a própria MLB e o comissário Rob Manfred, é um contraste dramático. Parece, de qualquer maneira, que a NBA tem um caminho muito mais fácil de chegar a um acordo e voltar ainda neste verão.

A comunicação e a confiança do comissário da NBA com o presidente da NBPA são elos fortes há anos - e sua parceria de trabalho com a diretora executiva da NBPA, Michele Roberts, tem sido muito mais produtiva e cooperativa do que a de seus antecessores, Stern e Billy Hunter.

Antes de Paul ser eleito presidente do sindicato, seu antecessor, Derek Fisher, possuía um conhecimento íntimo da CBA e entendia as questões financeiras em grande detalhe, mas ele não é Chris Paul. O tamanho e o estilo de Paul, além de sua capacidade de envolver LeBron James em assuntos da liga traz uma influência significativa às mensagens para membros de todo os lados.

À medida que a NBA se aproxima do retorno, Silver tem o apoio dos eleitores necessários para salvar os playoffs e ainda fazer uma corrida pelo título. Mesmo assim, esse vírus se move rapidamente, destrói planos e faz com que todos e tudo se ajustem a ele.

Por enquanto, a NBA aguarda o sinal verde de Adam Silver para que a liga seja retomada, em um salto de fé nas mais sombrias das dúvidas.