Em 1989, Michael Jordan já era um dos maiores talentos da história da NBA e tinha acabado de ser eleito MVP da liga, do All-Star Game e jogador defensivo do ano. Nas três temporadas anteriores, ele teve as médias absurdas de 37, 35 e 32,5 pontos por partida.
Mas imagine, aos 26 anos de idade, praticamente começar do zero com uma nova forma de jogar basquete? Foi isso que Jordan teve que passar, conforme retratado no documentário "Last Dance", sobre a dinastia do Chicago Bulls nos anos 90, produzido pela ESPN dos Estados Unidos.
De 1986 a 1989, Jordan tinha Doug Collins como técnico nos Bulls. Collins maximizou todo o potencial individual do camisa 23, mas Michael Jordan sofria críticas por ser cestinha, mas não ganhar títulos.
Coube a Phil Jackson, que já era assistente dos Bulls, mudar essa escrita.
O 'mestre zen'
Jackson havia sido campeão como jogador pelo New York Knicks, sempre chamando atenção por um comportamento único e visão de basquete similar.
"No livro, ele fala sobre tomar LSD, Phil foi um hippie, era diferente da fraternidade da NBA", conta Charles Rosen, autor da biografia de Jackson "Maverick".
Criado no estado de Montana, nos Estados Unidos, Jackson conviveu com a cultura indígena, algo que ele levou para frente em sua vida e aplicou nos times em que passou.
"Eu nunca conheci um técnico tão diferente e genuíno ao unir o grupo, ele se interessava pela historia indígena e trazia isso pra nossa cultura", conta Steve Kerr, ex-jogador dos Bulls e atual técnico do Golden State Warriors, no documentário.
"Ele trouxe as filosofias do budismo zen e dos índios, tudo era sobre se concentrar e jogar como um só", relembra Bill Wennington, ex-pivô dos Bulls entre 1993 e 99.
Como convencer Jordan?
Ao lado do seu assistente Tex Winter, que inventou o ataque triangular, baseado mais na movimentação de bola, Jackson começou seu trabalho como técnico dos Bulls em 1989.
"Doug tinha jogadas que sempre faziam Michael Jordan centralizar os pontos. O ataque triangular é usado para um passe decisivo criar movimento. Há 33 opções nascidas desse único passe, os jogadores podem ser criativos e espontâneos usando seus pontos fortes", explica Jackson.
"Eu não era fã do Phil Jackson quando ele chegou, pois ele veio tirar a bola das minhas mãos, Doug tinha colocado a bola nas minhas mãos", relembra Jordan.
"Todos têm uma oportunidade de tocar na bola. Não queria Bill Cartwright com a bola faltando cinco segundos. Não é ataque de chances iguais, isso é uma p…bobagem. Ele (Jackson) disse não me preocupo com você, mas temos que criar outras ameaças’", completou Jordan.
Jackson foi franco logo de cara com Jordan: "Claro que você marcou 37, 38 pontos por jogo nos últimos dois anos. Não garanto que será o cestinha da liga. O destaque é a bola e se você sempre estiver com ela os times podem bolar uma defesa, como os Pistons fizeram nos últimos dois anos"
O resultado?
Jordan foi o cestinha da NBA em todas as sete temporadas completas em que atuou com Phil Jackson. Além disso, ele foi eleito MVP da liga mais quatro vezes e ganhou todos os seus seis títulos comandado pelo novo treinador, o primeiro viria logo na segunda temporada da parceria.
Logo após a final de 1997, onde os Bulls conquistaram seu penúltimo título na NBA, Jordan anunciou que não voltaria para Chicago se o técnico não fosse Phil Jackson.
Jackson voltou para 97-98, mas já sabendo que seria seu último ano como treinador do time. Essa temporada acabou sendo a última de Jordan como jogador dos Bulls, optando por se aposentar pela segunda vez em 1999.
