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NBA: Homem que montou as duas dinastias do Chicago Bulls era odiado pelo time e até 'zoado' por Jordan

No único momento em que dominou a NBA, o Chicago Bulls foi montado muito pelas mãos, ou cabeça, de Jerry Krause, que foi gerente-geral da franquia entre 1985 e 2003.

Krause não draftou Michael Jordan, mas conseguiu montar o time ao seu redor com peças que seriam fundamentais nos seis títulos da franquia como Scottie Pippen, Horace Grant (ambos draftados em 1987) e o técnico Phil Jackson.

Mas mesmo sendo um dos responsáveis diretos pelos seis títulos, Krause não era bem quisto dentro da organização por jogadores e Phil Jackson, conforme é retratado no documentário "The Last Dance", produzido pela ESPN dos Estados Unidos, que conta os bastidores da dinastia dos Bulls.

'Ele tinha o dom de indispor as pessoas'

A frase foi dita por Jerry Reinsdorf, dono do Chicago Bulls, no documentário, se referindo a Jerry Krause.

O antigo gerente dos Bulls, no fim dos anos 90, auge da dinastia, chegou a dizer que "técnico e jogadores não ganham títulos, mas sim a organização como um todo". Krause tentou se retratar depois afirmando que disse que "não somente" técnicos e jogadores ganham. Mas foi o suficiente para despertar amargura no resto do elenco.

"Ele dizer isso é ofensivo ao meu jeito de encarar o jogo", diz Jordan.

Briga com Phil Jackson.

Durante seus quase 10 anos à frente dos Bulls, o técnico quase nunca se deu bem com seu superior. E a temporada 97-98 começou com tensão entre os dois lados. "Ele amava Phil no começo, mas eles criaram uma tensão entre si", diz o dono da franquia.

"Minha relação com ele virou um circo", diz Phil Jackson, que ao contrário do resto do elenco e assistentes técnicos, não foi convidado para o casamento da filha de Krause no meio de 97, o que aumentou a rixa entre ambos.

Mas não foi só isso. Krause e Jackson não chegavam a um acordo para o técnico renovar para a temporada 97-98, mesmo com Michael Jordan dizendo que não jogaria por outro treinador que não fosse Phil Jackson.

Reinsdorf então assumiu as negociações e renovou com o técnico, mas por apenas um ano.

"Não me interessa se você (Jackson) ganhar 82 jogos, você está fora ao fim da temporada", disse Krause.

Deixou Pippen frustrado

Scottie Pippen era um dos maiores da história da NBA já em 1997, talvez a alcunha de "número 2" de Jordan nunca fez as pessoas enxergarem o seu verdadeiro valor. Mas era fato que ele era uma barganha para os cofres do Chicago Bulls.

Em 97-98, Pippen era apenas o sexto mais bem pago do elenco - o 122º na NBA -, ganhando US$ 2,7 milhões no último ano de um contrato assinado em 1991 por sete anos e US$ 18 milhões. "Não assine esse contrato, você pode estar se vendendo barato", relembrou Reinsdorf, no documentário, aconselhando Pippen na época.

Como resultado da sua frustração, Pippen resolveu adiar a operação no tendão rompido do tornozelo, que já o incomodava após as Finais de 97, fazendo a cirurgia somente em outubro.

"Não vou estragar o verão me recuperando para a temporada. Não estarão ansiosos pela minha volta, então vou curtir meu verão e usar a temporada para me recuperar", conta Pippen.

Sem Pippen por três meses, os Bulls começaram a temporada com quatro vitórias em oito jogos, sem atingir a marca dos 100 pontos nenhuma vez.

Depois de ter sido oferecido em negociações, Pippen chegou a pedir para ser trocado em 1997 e afirmou que não jogaria mais pelos Bulls.

"Esse foi o fim da minha relação com Jerry. Ele tenta me fazer sentir especial, mas topava tentar me negociar, mas nunca dizia isso na minha cara. Me senti insultado. Não o aguentava mais, não o respeitava", relata Pippen.

Mas Pippen acabou sendo convencido a ficar.

Zoado por Jordan

Jordan não escondia seu desgosto por Krause e até tirava sarro do gerente na frente dos outros.

Antes do começo da temporada, Jordan foi perguntado pelos repórteres qual seria o maior desafio dos Bulls em 97-98. O camisa 23 apenas olhou para cima, na direção do escritório de Krause.

Em outro momento registrado no documentário, Krause é visto junto com o time tomando um isotônico, quando Jordan tira sarro: "Você toma isso para ficar baixinho ou para emagrecer?".

A relação de Jordan e Kraus começou a ruir em 1988, quando o gerente trocou Charles Oakley, melhor amigo de MJ no elenco, por Bill Cartwright. No fim das contas, Cartwright foi um pivô fundamental para Chicago no primeiro triplete do time.

Krause morreu em 2017, aos 77 anos em decorrência de problemas de saúde, entre eles osteomielite.