O Los Angeles Lakers perderá os playoffs pela sexta temporada consecutiva. A temporada de LeBron James terminará em abril, pela primeira vez desde 2004-05, seu segundo ano na NBA. Sua sequência de 13 playoffs e 8 finais seguidas acabou.
É difícil, em uma temporada tão longa como a da NBA, que um momento apenas inviabilize o resto do ano. Para o Lakers de 2018-19, há culpa de sobra para ser distribuída. Lesões, produção de jogadores abaixo do esperado, decisões questionáveis da diretoria. A temporada mais esperada dos Lakers há bastante tempo se transformou em um conto de como não se ter uma temporada. É assim que os Lakers chegaram aqui.
NO VERÃO de 2017, muito antes de LeBron vestir um uniforme roxo e dourado, Paul George foi negociado do Indiana Pacers para o Oklahoma City Thunder.
Nascido na Califórnia, Paul George declarou, por muito tempo, seu desejo de voltar a jogar perto de sua casa em Palmdale. Como tinha apenas um ano restante no contrato, todos pensaram que ele jogaria “de aluguel” no Thunder e se juntaria aos Lakers no fim da temporada. No melhor dos mundos, coincidiria com a chegada de LBJ.
Quando ele anunciou que renovaria com o Thunder para a temporada seguinte, rumores começaram a circular. A história era que George “ficou no Thunder mais pelos acertos de OKC do que pelos erros dos Lakers”. Afinal, Oklahoma City trocou por ele sem garantia alguma de que ele renovaria o contrato. Eles trabalharam muito e fizeram o máximo possível para que PG13 se sentisse em casa. Oras, até Westbrook o fez.
George nunca deu aos Lakers a oportunidade de fazer uma oferta. Mas não se engane, ele tinha bastante informação de como as coisas aconteciam lá dentro, mesmo nunca tendo ouvido uma palavra da boca de Magic Johnson. Por exemplo, George jogou em Oklahoma City com Corey Brewer na segunda metade da temporada 2017-18, depois que Brewer foi dispensado por LAL em fevereiro. Brewer e George “trocaram informações”, segundo fontes da ESPN.
O agente de Paul George, Aaron Mintz, já estava familiarizado com os Lakers. Antes que Rich Paul, da Klutch Sports, atraísse a atenção dos Lakers com dois jogadores – LeBron e Kentavious Caldwell-Pope, Mintz representava D’Angelo Russell e Julius Randle, titulares dos Lakers há algumas temporadas.
D’Angelo Russell, escolhido na segunda posição geral de 2015, e Randle, a escolha número 7 em 2014, haviam sido selecionados pela gerência anterior, de Mitch Kupchak e Jim Buss. Uma vez que Magic e Rob Pelinka assumiram em fevereiro de 2017, o objetivo ficou evidenciado logo de cara: desenvolver os jovens talentos que eles já tinham, mas também abrir espaço para buscar free-agents como LeBron James, que eles acreditavam que poderiam acelerar o caminho da franquia de volta à relevância.
Sua primeira tarefa: dar um jeito em Timofey Mozgov, que havia assinado um contrato de 64 milhões de dólares na época de Kupchak e Buss. Magic e Pelinka fizeram um acordo com o Brooklyn Nets, que enviou Brook López e a escola 27 do draft por Mozgov e Russell.
Desistir de D’Angelo Russel – um armador moderno que faz um pouco de tudo – depois de apenas duas temporadas foi um risco relativamente alto, mas os Lakers ganharam essa aposta. A 27ª escolha do draft virou Kyle Kuzma. Além disso, os Lakers se livraram do contrato monstruoso [e bem absurdo] de Mozgov.
Magic Johnson bem que poderia ter deixado D’Angelo Russell seguir seu caminho em paz, mas sentiu necessidade de dar uma leve cutucada no armador.
"Ele tem o talento de um All-Star. Queremos agradecê-lo pelo que fez por nós. Mas o que eu precisava era de um líder", disse Johnson, dias depois da troca, em junho de 2017. “Eu precisava de alguém que elevasse o jogo de seus companheiros e alguém que fosse querido por todos.”
Na temporada seguinte, Julius Randle – outro cliente de Mintz – viu seu papel no time diminuir de maneira drástica. De titular e uma das primeiras opções, foi para o banco de reservas e pouco jogou na temporada que havia começado. Somente após pressão da torcida e da mídia, os Lakers voltaram a escalar Randle como deveriam.
Pelo menos foi essa a impressão que ficou. E isso levantou questões sobre o quão forte era a espinha dorsal dos Lakers, e que tipo de diretoria [e comissão técnica] deixam pressão pública afetar em como o treinador pensa o time.
Quatro meses depois, quando a perseguição por LeBron James se tornou pública, Randle foi esquecido de novo. Afinal, eles ocupariam – basicamente – a mesma posição na quadra. Embora os Lakers ainda tivessem os direitos de Randle, que era um restricted free-agent, eles nunca fizeram uma oferta de renovação para Randle. Mesmo com as notícias de que Luke Walton queria manter o jogador no time, conforme foi reportado pela ESPN.
Mintz, então, solicitou aos Lakers que abrissem mão dos direitos de Randle para que ele pudesse negociar com outro time. E ele assinou foi o New Orleans Pelicans por 18 milhões de dólares, com opção dele para o segundo ano. Segundo fontes, o que fez Randle assinar com os Pelicans foi o fato de ele se sentir querido lá, o que não acontecia nos Lakers há um tempo.
O dinheiro que poderia ter ido para Randle foi usado para a contratação de Rajon Rondo, um ano e 9 milhões de dólares na conta do armador. Isso depois que o Lakers concordou em um contrato de 12 milhões para renovar com Kentavious Caldwell-Pope. Qualquer oferta a Randle que estivesse abaixo do que Caldwell-Pope recebeu, seria considerado desrespeito, tendo em mente que Randle foi mais efetivo na temporada passada. Especialmente com Randle jogando em todos os 82 jogos, enquanto Caldwell-Pope disponível por apenas 74 por causa de questões legais.
E foi por conta de tudo isso que Paul Goerge não concedeu uma entrevista sequer aos Lakers.
George foi honesto e não desperdiçou o tempo de ninguém, anunciando sua renovação de contrato em uma festa na cidade de Oklahoma no minuto que a free-agency havia aberto. As consequências da decisão de George forçaram os Lakers a dar um jeito no seu cap salarial, na esperança de assinar com outro grande free-agent na próxima janela.
A consequência disso? Desperdiçar o primeiro ano de LeBron James em LA.
- 30 de junho de 2018: Los Angeles dispensa o pivô Thomas Bryant, adquirido na noite do draft com Josh Hart, porque não queriam pagar seu salário de 1.4 milhão de dólares.
- 1° de julho de 2018: LeBron James e o Lakers acertam um contrato de 4 anos e 153.3 milhões de dólares.
- 2 de julho de 2018: LeBron James entra sem eu jatinho e vai para a Itália com a família e inicia suas férias de maneira atípica, não indo ao training camp da seleção norte-americana.
- 6 de julho de 2018: Caldwell-Pope e Rajon Rondo assinam contrato com os Lakers por 12 e 9 milhões respectivamente.
- 8 de julho de 2018: Brook López deixa os Lakers e assina com o Milwaukee Bucks. Pouco depois, dá entrevista dizendo que ficou surpreso com a “falta de esforço” da parte dos Lakers e finaliza dizendo que “teria continuado lá”.
- 10 de julho de 2018: Lance Stephenson assina um contrato de 4.4 milhões válido por uma temporada. JaVale McGee também assina, por 2.4 milhões.
- 17 de julho de 2018: Lonzo Ball tem cirurgia no joelho esquerdo.
- 23 de julho de 2018: Michael Beasley assina com os Lakers por 3.5 milhões.
- 5 de agosto de 2018: Las Vegas abre a bolsa de apostas com os Lakers terminando o ano com 48 vitórias, marca que garantira o time nos playoffs.
- 20 de setembro de 2018: Magic e Pelinka concedem entrevista coletiva quatro dias antes do media day. “Eu falei com o Luke e disse que não me importo se tivermos um começo de temporada ruim”, disse Magic Johnson.
Na abertura da temporada, contra o Portland Trail-Blazers, os Lakers não conseguiram acertar um arremesso. Pelo menos, essa foi a impressão. Eles tiveram aproveitamento de 23% dos arremessos de três pontos (7/30). Vitória dos Blazers por 129-119.
A primeira partida em casa foi ainda pior. Os Lakers perdiam para os Rockets no começo do quarto período quando James Harden trombou com Brandon Ingram em uma tentativa de contra-ataque rápido. Ingram empurrou Harden após o apito, resultando em uma falta técnica.
Os ânimos se afloraram. Rajon Rondo cuspiu no rosto de Chris Paul que, por sua vez, cutucou a cabeça de Rondo. Os dois armadores trocaram socos até que Brando Ingram entrou no meio e tentou dar o que nossos editores de MMA chamariam de soco de misericórdia. Mas errou.
Um jogo apertado contra o Rockets se transformou em uma derrota por 124-115, chutando 1 de 9 da linha de três pontos no quarto período e 8 de 32 na partida toda. Assim, os dois primeiros jogos da temporada viraram duas derrotas.
Com apenas dois jogos, os dois problemas mais difundidos que a equipe enfrentaria durante toda a temporada já haviam surgido: uma luta constante contra o aproveitamento ruim do time nas bolas de três pontos e a dificuldade de manter seus jogadores principais saudáveis.
Nos sete primeiros jogos, os Lakers tentaram 93 formações diferentes, a segunda maior marca da NBA. Com apenas duas vitórias, Magic Johnson teve uma reunião com Luke Walton e cobrou resultados melhores.
O discurso de Magic Johnson no começo da temporada, pedindo paciência aos torcedores não passava disto: discurso. E barato.
- 29 de outubro de 2018: os Lakers perdem de 124 a 120, fora de casa, para o Minnesota Timberwolves – LeBron James parece não gostar do novo padrão de substituições de Luke Walton.
- 5 de novembro de 2018: o problema de Magic com Luke Walton vira público.
- 6 de novembro de 2018: Tyson Chandler assina com os Lakers após ser dispensado pelo Phoenix Suns, time que tem como general manager o ex-jogador James Jones, amigo de longa data de LeBron. Ele preenche o vazio na posição de pivô.
- 14 de novembro de 2018: Rondo fratura sua mão direita tentando impedir uma queda na vitória de 126 a 117 contra o Trail-Blazers. Ele fica de fora dos 17 jogos seguintes.
- 5 de dezembro de 2018: Ingram torce o tornozelo em uma vitória por 121 a 113 sobre o San Antonio Spurs. Ele perde sete jogos.
- 15 de dezembro de 2018: Stephenson recebe uma falta técnica por fazer o air guitar na vitória contra o Charlotte Hornets. Os Lakers vencem por 128 a 100.
- 16 de dezembro de 2018: McGee perde o primeiro de sete jogos consecutivos devido a uma pneumonia.
EM DEZEMBRO de 2018, três dias antes do Lakers sediar os Pelicans pela primeira vez nesta temporada, James foi perguntado pela ESPN como ele se sentiria sobre jogar com Anthony Davis.
"Isso seria incrível", disse James à ESPN no vestiário do visitante no Barclays Center. "Isso seria incrível, tipo, duh. Isso seria incrível."
Mesmo que a temporada dos Lakers tenha se estabilizado, com 18 vitórias e 9 derrotas nos 27 últimos 27 jogos, a pergunta do repórter teria um papel importante no fracasso dos Lakers.
Uma fonte próxima a Magic Johnson confirmou que o nome de Anthony Davis não foi mencionado uma vez sequer no encontro de três horas que os dois tiveram na casa de LeBron antes de o contrato ser assinado. Mas quando os Lakers assinaram com Rondo, Stephenson, Beasley e outros, a mensagem estava clara: os Lakers estavam decididos a conseguir um free-agent top de linha para a próxima temporada.
Uma fonte de dentro dos Lakers confirmou à ESPN que o sentimento no vestiário não era o de que James estava comprometido com os jovens jogadores do time.
É claro que a diferença de idade entre os veteranos (James aos 34 anos) e os jogadores de 20 e poucos anos pode ter contribuído para um distanciamento natural dos grupos. Em outubro, James disse que seus filhos de 11 e 14 anos, Bryce e Bronny, apresentaram a ele um pouco da cultura pop que seus companheiros ouviam e assistiam. Em Miami, James jogou com dois All-Stars em Dwyane Wade e Chris Bosh. Em sua segunda passagem por Cleveland, ele jogou com dois All-Stars: Kyrie Irving e Kevin Love. Seus companheiros de equipe de L.A., embora ricos em potencial, não se encaixavam no mesmo perfil. Davis encaixaria.
A relação de LeBron James com Anthony Davis foi considerada tempering por alguns general managers da liga, que citavam uma relação com Rich Paul, agente dos dois.
Com Davis sob contrato até 2020 com os Pelicans, o único jeito que LeBron teria de jogar com o pivô seria se os Lakers adquirissem ele por troca. A vontade de LeBron James chegou ao vestiário dos Lakers.
“Os únicos jogadores que não foram afetados por todo esse imbróglio com Anthony Davis foram o próprio LeBron e Rajon Rondo,” disse uma fonte de dentro dos Lakers.
- 25 de dezembro de 2018: LeBron James machuca a virilha na vitória dos Lakers pra cima dos Warriors por 127 a 101. James perde os 17 jogos seguintes, tornando essa, a lesão mais pesada de sua carreira de 16 anos.
- 28 de dezembro de 2018: James chega ao Staples Center com uma taça de vinho tinto antes da derrota do Lakers por 118 a 107 para os Clippers. Os Lakers perdem 7 dos 10 primeiros jogos sem LBJ.
- 19 de janeiro de 2019: Lonzo Ball, usando seu tênis da Big Baller Brand, torce o tornozelo esquerdo depois de se chocar com James Ennis III, dos Rockets, e é carregado para fora da quadra por seus companheiros.. Os Lakers desperdiçam uma vantagem de 21 pontos e perdem a partida por 138 a 134.
- 22 de janeiro de 2019: No podcast de Zach Lowe, a dona do Lakers, Jeanie Buss, aconselha seus diretores a não se desesperarem antes da trade deadline para voltar aos playoffs.
- 28 de janeiro de 2019: Anthony Davis pede para ser trocado.
- 2 de fevereiro de 2019: Walton critica vários jogadores por “egoísmo” na derrota dos Lakers para os Warriors.
- 5 de fevereiro de 2019: durante uma derrota embaraçosa de 42 pontos para Indiana (a pior da carreira de LeBron), o camisa 23 está sozinho no banco de reservas, isolado, quase que em sua própria ilha, enquanto a torcida de Indiana canta em direção aos companheiros de Lakers: “LeBron vai te trocar! LeBron vai te trocar!”
SEM DÚVIDA, o tempo de Luke Walton com os Warriors foi um sucesso tremendo. Como assistente, ele venceu o título de 2015 e guiou o time para um começo de temporada de 39 vitórias e 5 derrotas quando Steve Kerr teve problemas de saúde.
E mesmo que ele não pudesse tirar nem Steph Curry, nem Klay Thompson para Los Angeles, ele poderia tentar replicar a estratégia que deu tão certo em Oakland.
Sua primeira tentativa? Recriando o sistema de treinos de Steve Kerr, que marca pontuações dos jogadores, promovendo competição interna nos dias sem jogos.
"Poderia ser qualquer coisa", explicou o assistente técnico do Lakers, Clay Moser - o homem encarregado de somar as estatísticas diárias do conselho – quando perguntado como funciona esse sistema pontuação. "Poderia ser em um scrimmage. Poderia ser em uma competição de arremessos. Pode ser se um cara acerta a pergunta que nós fazemos. Por exemplo, nós vamos perguntar a eles: 'Hey, qual é a fraqueza do [fulano]?" se eles respondem corretamente, nós damos um ponto.”
Isso serviu como um equalizador para o grupo. Mesmo que um jogador condecorado como LeBron tenha entrado na temporada com aparições All-Star, MVPs e títulos, nenhum desses créditos lhe rendeu uma quantia extra de pontos na prática. E vale para os dois lados. Um jogador que não conquistou nada de relevante na liga podia se destacar nesse sistema.
Para o segundo anista Ivica Zubac, que não jogou em 20 dos primeiros 27 jogos dos Lakers, a pontuação nos treinos virou sua vida. “Significa muito”, disse Zubac em dezembro. “As pessoas não me veem jogando, mas quando eu olho para a pontuação nos treinos, vejo que estou fazendo um bom trabalho, porque estou em segundo lugar. Sei que estou no caminho certo.”
Quando Zubac teve minutos, entregou médias de 17,7 pontos e 8,7 rebotes. Draftado no segundo round de 2016, Zubac tinha se tornado uma peça viável para Walton.
E então, no fim do período de trocas, ele havia ido embora. Os Lakers haviam mandado o jovem embora para os Clippers por Mike Muscala. Assim, deixaram uma vaga no elenco livre. A ideia era contratar DeAndre Jordan, Enes Kanter ou até mesmo Carmelo Anthony. Nada disso aconteceu.
Abrir mão de Zubac para contratar um jogador de peso, que chegaria e resolveria alguns dos problemas dos Lakers, pode ser considerado algo viável. Agora, trocar um jogador promissor para abrir um espaço no elenco pura e simplesmente para terminar com Mike Muscala (que chutou 20% nos cinco primeiros jogos pelos Lakers), é como um tiro no pé.
Pouco depois do período de trocas encerrar, Jerry West, consultor dos Clippers, foi jantar com amigos que também tinham relação com os Lakers, ele disse. Ele não conseguia acreditar como Zubac havia “caído no seu colo”. Segundo fontes, West disse que nem chegou a ligar para os Lakers para oferecer algo pelo jogador. Só aconteceu.
- 8 de fevereiro de 2019: depois de adquirir Reggie Bullock e Mike Muscala no período de trocas, Rob Pelinka diz que esses são os jogadores que o time precisava e que poderiam fazer diferença.
- 9 de fevereiro de 2019: assistindo a um jogo de Michigan State, Johnson diz à mídia que planeja encontrar o time, que estava em Philadelphia, para dar suporte após o fim do período de trocas: "Vou abraçá-los e dizer-lhes que temos que nos unir e nosso objetivo ainda está ao nosso alcance, é ir para os playoffs.”
- 10 de fevereiro de 2019: antes do jogo em Philly, Magic Johnson diz à mídia para parar de tratar os jogadores como "bebês". Os Lakers perdem por 143 a 120, qualquer que fosse a empolgação após o buzzer de Rondo contra os Celtics, terminaria ali.
NA FATÍDICA temporada de 2012-13, Memphis, no Tennessee, foi o lugar onde todos os problemas começaram para os Lakers.
Kobe Bryant, Dwight Howard, Steve Nash e cia. “lavaram a roupa suja” nos treinamento pela manhã, e esse evento deixou Dwight Howard chorando no vestiário, segundo uma fonte. O pivô teve que ser carregado para a quadra após todos falarem o que tinham em mente.
Em um dia de folga, após uma derrota de 128 a 115 para um New Orleans Pelicans sem Anthony Davis, os Lakers tiveram sua sessão para lavar a roupa suja. Rajon Rondo foi o encarregado de juntar os jogadores para a reunião, que tinha como intuito “encontrar um melhor caminho para um entender o outro”, uma fonte no time disse à ESPN.
A reunião em Memphis se tornou uma espécie de fórum aberto, onde vários jogadores falaram. Os jogadores se concentraram na linguagem corporal inconsistente de James ao longo do ano. Quatro vezes MVP da liga, James disse a seus companheiros de equipe que, em essência, evitar comportamentos ruins dentro de quadra, seja por insatisfação, ou por qualquer outra razão, era algo que ele havia tentado trabalhar a vida toda.
Na noite seguinte, James mudou de atitude. Colocou os braços em torno dos companheiros durante as conversas, parecendo engajado durante os tempos pedidos por Walton e engajado na defesa, se comunicando bastante. Apesar de tudo isso, os Lakers perderam para os Grizzlies por 110 a 105. Detalhe: os Grizzlies haviam perdido 17 dos 20 últimos jogos que fizeram.
“Só porque a reunião foi positiva, não quer dizer que vamos vencer os próximos 25 jogos”, uma fonte do time disse à ESPN.
Depois da derrota para Memphis, os Lakers continuaram em péssima fase, perdendo 10 dos 12 jogos seguintes.
- 2 de março de 2019: Jeanie Buss criticou a mídia pela cobertura feita em cima do interesse dos Lakers em Anthony Davis, citando muita “Fake News".
- 2 de março de 2019: Os Lakers perdem por 118 a 109 para o Phoenix Suns, e LeBron James continua a sessão de vexames da temporada, fazendo um passe direto na tabela, resultando em um turnover. “Isso foi bem estúpido da minha parte”, disse Bron.
- 6 de março de 2019: 13 pontos atrás do Denver Nuggets com apenas dois minutos restantes na partida, os Lakers têm a posse. LeBron James deixa a bola passar pela metade da quadra, até a linha de 3 pontos antes de pegá-la. Paul Millsap, dos Nuggets, tenta roubar a bola, fazendo James perder a posse e cometer um turnover. Nos minutos finais, Rondo senta longe do banco de reservas, isolado. Apesar de já ter feito isso antes, a atitude foi condenada pela mídia.
- 9 de março de 2019: no mesmo dia em que os Lakers anunciam que Brandon Ingram vai perder o restante da temporada com uma trombose no ombro direito, é noticiado que Lonzo Ball também perderá o restante da temporada.
- 17 de março de 2019: os Lakers perdem uma vantagem de 11 pontos para o New York Knicks e são derrotados no Madison Square Garden, Mario Hezonja consegue dar um toco em LeBron James, que tentava a bola vencedora do jogo.
- 22 de março de 2019: o Brooklyn Nets, liderado por D’Angelo Russell, derrota o Los Angeles Lakers, eliminando o time de LeBron James de chances de pós-temporada.
- 28 de março de 2019: Brook Lopez faz 2 a 5 de 3, elevando seu total de temporada para 181 com 3 pontos. Caldwell-Pope lidera o Lakers com os três pontos mais bem colocados na temporada 2018-19, com 127 feitos.
DURANTE UMA MANHÃ de treinos em Milwaukee, LeBron ficou no banco enquanto seus companheiros arremessavam do perímetro. Alguns entraram, outros não. Típico, nada de absurdo. Em uma conversa com um jornalista da ESPN, James teria reclamado sobre quantas bolas de três pontos não entraram na temporada, e como isso poderia ter sido diferente se elas entrassem.
Lembra que eu disse que, no primeiro jogo da temporada, os Lakers não conseguiram acertar praticamente nada? Pois é. Essa sequência, aparentemente, se estendeu por toda a temporada. Os Lakers foram o pior time da NBA em arremessos de três sem marcação.
Pela primeira vez em anos, LeBron não estava cercado de arremessadores de alto nível. E pela primeira vez em mais anos ainda, ele não estaria nos playoffs.
O que LeBron James tem a dizer sobre esse grande experimento? Queríamos saber como ele via o fato de ter sido cercado por playmakers em vez de chutadores.
“Aquele experimento?”
Ele olhou para a quadra por um momento, voltou sua atenção para a conversa outra vez, tomou ar, abriu a boca e fez uma cara de negação.
Nada que ele dissesse poderia refletir melhor o que ele estava sentindo.
