É o fim da carreira de um dos armadores mais impactantes da história da NBA. Chris Paul anunciou sua aposentadoria da liga por meio de uma publicação nas redes sociais nesta sexta-feira.
O "Point God" já havia dito anteriormente que se aposentaria ao final desta temporada, sua 21ª temporada como profissional. Mas uma série de acontecimentos ao longo de 2025-26 anteciparam o adeus do astro.
"É isso! Depois de 21 anos, estou deixando o basquete", escreveu Chris Paul.
Aos 40 anos, é 12 vezes All-Star, foi selecionado 11 vezes para os times ideais da liga (All-NBA), nove vezes para os times ideais de defesa, foi eleito o calouro do ano em 2006, duas vezes medalhista de ouro olímpico e membro do time de 75 anos da NBA.
Ele foi dispensado pelo Toronto Raptors na sexta-feira, após ser trocado pelo LA Clippers em 4 de fevereiro. Os Raptors não exigiram que Paul se apresentasse à equipe e buscaram envolvê-lo em uma negociação antes do prazo final das trocas. Mas sem sucesso.
Por desinteresse mútuo, os Raptors sabiam que CP3 nunca jogaria em Toronto. E como a aposentadoria não aconteceria pelos Clippers, equipe em que mais se destacou, as partes tentaram encontrar uma franquia que estivesse disputando o título nessa temporada para receber o armador, que nunca conseguiu ser campeão da NBA.
Mas Chris Paul se antecipou. E nessa sexta-feira, encerrou sua jornada . Antes do início da temporada, já havia dito que odiava perder eventos particulares nos últimos anos e que agora poderá se dedicar muito mais à família e a outros interesses. O astro tem dois filhos: Chris Paul Jr., de 17 anos, e Camryn, de 14.
"É hora de me fazer presente para os outros e de outras formas", continuou dizendo no comunicado.
Ao longo da carreira, foi selecionado quatro vezes para o primeiro time ideal da NBA e ocupa o segundo lugar na história em dois fundamentos: 12.552 assistências e 2.728 roubos de bola, atrás apenas de John Stockton nos dois casos.
Além disso, foi o primeiro jogador a marcar pelo menos 20 mil pontos e 10 mil assistências na história da competição. Depois, LeBron James e Russell Westbrook também conseguiram o feito.
"Após 21 temporadas memoráveis, Chris Paul se aposenta como um dos maiores armadores da história da NBA e um verdadeiro guardião do nosso esporte", disse o comissário da NBA, Adam Silver, em comunicado. "Desde o momento em que entrou na liga, Chris se destacou por suas habilidades astutas de armação, competitividade de elite e ética de trabalho intensa. Ele também dedicou enorme tempo e energia ao papel de Presidente da Associação de Jogadores — oferecendo perspectivas ponderadas e baseadas em princípios para fortalecer nosso jogo e nossos negócios. Sua liderança em nome dos jogadores foi essencial na negociação de acordos coletivos, ajudando a guiar a liga durante uma pandemia, abordando questões sociais importantes e muito mais."
"Em nome da NBA, parabenizo Chris por uma carreira extraordinária e agradeço por sua amizade, parceria e contribuições duradouras para o nosso esporte," completou.
O fim, porém, foi melancólico. CP3 foi parte do projeto dos Clippers em apostarem num elenco extremamente experiente e numeroso. Mas em quadra a ideia não funcionou, e o relacionamento nos vestiários de Chris Paul, assumidamente um personagem que cobra os colegas, foi apontado como um dos motivos.
Assim, Paul e os Clippers concordaram abruptamente em se separar no início de dezembro, após relatos de que ele não estaria se falando com o técnico Tyronn Lue por várias semanas antes de sua saída do time.
O armador foi o jogador mais vitorioso da história da franquia de Los Angeles, liderando a equipe a seis grandes temporadas entre 2011 e 2017, incluindo os dois primeiros títulos de divisão e três vitórias em séries de playoffs (o que foi praticamente inédito para os Clippers). O 'retorno para casa' aconteceu no ano passado, sendo recebido com muita festa pelos torcedores. Mas a situação desandou rapidamente, e o último jogo de Paul na equipe foi em 1º de dezembro.
Sem ninguém saber, nem mesmo ele, foi seu último jogo na NBA.
"Embora este capítulo como 'jogador da NBA' tenha terminado, o jogo de basquete estará para sempre enraizado no DNA da minha vida, mesmo após essas três décadas", escreveu Paul. "É loucura até dizer isso! Jogar basquete para viver tem sido uma bênção inacreditável que também veio com muita responsabilidade. Eu aceitei tudo."
CP3 é um dos sete jogadores a ter uma carreira na NBA de pelo menos 21 temporadas. E ele já está no Hall da Fama: o 'Redeem Team', time dos EUA que conquistou o ouro olímpico de 2008 foi imortalizado como parte da classe de 2025. Não demorará muito para que ele entre por conta própria também.
Paul jogou por New Orleans Hornets (atual New Orleans Pelicans), Houston Rockets, Oklahoma City Thunder, Phoenix Suns, Golden State Warriors, San Antonio Spurs e LA Clippers durante sua carreira, passando os últimos quatro anos em quatro equipes diferentes. Nesse período, atuou como mentor de jovens promessas da liga, como Shai Gilgeous-Alexander, Victor Wembanyama, Stephon Castle e Devin Booker.
O armador é reconhecido como um dos maiores jogadores da história a nunca conquistar um título. Mesmo fazendo parte de times históricos, CP3 teve uma boa dose de azar nos playoffs, tanto com lesões próprias, quanto de companheiros relevantes ao longo da carreira. Na única final, pelos Suns, em 2021, perderam para o Milwaukee Bucks de Giannis Antetokounmpo por 4 a 2, de virada, após abrirem 2 a 0.
Ele também foi presidente da Associação dos Jogadores e teve papel fundamental quando a NBA levou a temporada de 2020 para a bolha durante a pandemia de covid-19. Também defendeu a NBA estreitasse o relacionamento com instituições educacionais voltadas à população negra nos EUA estabelecesse laços melhores com Faculdades e Universidades Historicamente Negras (HBCUs).
"Eu jogo basquete desde os 4 anos de idade, e não há nada além da minha família que me traga mais alegria do que o trabalho duro e tudo o que envolve isso", disse em 2024. "Sim, é por isso que conseguimos jogar um jogo de criança e dizer que é o meu estilo de vida."
