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Como troca de Kevin Durant foi fechada, quase caiu e chocou toda a NBA

Durant pediu para ser trocado e assinar com o Phoenix Suns. Artes ESPN

Um pouco depois da meia-noite, na quinta-feira (09/02), os dirigentes do Brooklyn Nets decidiram encerrar o dia. Eles dirigiram de volta para o hotel em que todo o staff estava para organizar a última semana de transferência entre equipes da NBA (trade deadline), por conta da missão final e mais triste possível: desmontar o maior 'supertime' que nunca existiu.

Os Nets estavam esperando o Phoenix Suns por algumas horas decidindo se iriam aceitar a demanda do time de Brooklyn pelo atleta duas vezes Jogador Mais Valioso das Finais da NBA. Os Suns, que estavam do outro lado da costa estadunidense, no centro de treinamento da equipe, se perdiam com tantas planilhas e desenhos nas lousas para decidir se o futuro de Kevin Durant seria com a equipe.

"Ninguém quer desistir de ter Kevin Durant", comentou o gerente geral do Nets, Sean Marks, para a ESPN: "Há várias coisas que o faz especial. Isso não acontece sempre e nossa franquia é melhor por termos ele por aqui. Não tenho dúvidas sobre isso."

Na segunda-feira (06/12), Durant e seu agente Rich Kleiman pediram uma reunião com os Nets. Menos de 24 horas depois, a equipe de Brooklyn negociou Kyrie Irving para o Dallas Mavericks depois de três dias conturbados. Agora, Durant repetia as palavras que tinha feito no começo da intertemporada, em junho do ano passado.

Novamente, Durant disse para Marks que queria ser negociado. Desta vez, ele especificamente pediu ser trocado aos Suns. O grupo então fez uma conferência em vídeo com o dono dos Nets, Joe Tsai, que estava em San Diego, onde mora, para definir a decisão a ser tomada.

Não foi algo que enfureceu alguém. Foi apenas um pedido, não uma demanda como Irving fez aos Nets na sexta-feira (03/04). Mais importante ainda, diferente do que aconteceu há um ano e o que Kyrie fez, esta era uma negociação privada e silenciosa. Durant não queria guerra alguma, nem esforço semanal para procurar o melhor lugar, rodeado de especulação e obsessão das pessoas com seu futuro.

Fazer isso de forma cautelosa não é um pedido tão simples.

Durant e Booker: como tudo começou

De fato, Durant sabia que os Suns queriam ele: um vínculo cresceu entre o jogador e Devin Booker, quando jogaram juntos pelos Estados Unidos na Olimpíada de Tóquio, em 2021. A seleção tem sido um terreno fértil para que supertimes sejam criados, como LeBron, Wade e Bosh realizaram no Miami Heat, depois que viajaram para o Japão, em 2006, para o Mundial de Basquete.

O caso de Durant e Booker é uma síntese de acontecimentos. Por conta dos protocolos de segurança da COVID-19, a seleção dos Estados Unidos se juntou para treinar por três semanas sem parar e com o elenco sempre junto. E dois obcecados por basquete estavam nessa situação. Em condições normais, nenhum deles deveria estar ali.

Durant tinha acabado de completar sua primeira temporada depois de uma contusão no tendão de Aquiles e facilmente poderia descansar. Booker teve uma derrota devestadora nas Finais, quando os Suns tomaram a virada para o Milwaukee Bucks, depois de iniciarem aquela série com duas vitórias.

Ambos são extremamente dedicados ao jogo e querem vencer. A experiência que tiveram foi tão fantástica, que eles cogitaram repeti-la na NBA.

O ultimato de Durant

Durant disse ao Nets que ele jogaria até o fim da desta temporada (2022/2023), caso não conseguissem achar uma maneira de colocá-lo ao lado de Booker e de Chris Paul, armador do Phoenix Suns. Ele acharia um jeito de vencer com os jogadores do Brooklyn, somado aos transferidos do Dallas na negociação de Kyrie Irving.

Quando Durant foi perguntado sobre a transferência no ano passado, não era um adeus, mas o começo de uma procura por espaço que eventualmente ele poderia se encaixar. Mas, depois de oito meses emocionalmente difíceis, o que estava nebuloso foi finalmente clareado dessa vez.

Ambas as partes sabiam que este casamento estava no fim. A única questão era se o divórcio seria feito agora ou no final da temporada.

"Em um certo ponto, era muito cansativo", comentou uma fonte que estava próxima de todo este processo: "É simplesmente muito drama. Muita incerteza."

Esse cansaço não é o porquê de aceitar a negociação no final. É a maneira como você a aceita.

Mas os Suns, a terceira via deste processo, estavam em um lugar complicado também. Seu dono, Robert Sarver, teve que negociar toda a organização devio da uma série de denúncias de má conduta, que envolviam racismo e misoginia dentro do próprio time. O novo dono da franquia, Mat Ishbia, encontrou os administradores da equipe apenas no começo de fevereiro. Ele não estava próximo da negociação e, por isso, a quinta-feira foi o dia decisivo.

Como os Suns poderiam fazer esta negociação, que talvez seria a maior da história da organização, com este ambiente passando por mudanças?

Como o Phoenix Suns chocou a NBA

Ano passado, os Suns pareciam ser um destino favorável para receber Durant, porque tinham tudo que Brooklyn precisava: as escolhas futuras do Draft, um grupo multitalentoso de alas que os Nets poderiam usar como jogadores fundamentais para um reconstrução.

Antes disso, os Suns estavam cuidadosos: recuaram no preço que os Nets queriam e internamente estavam preocupados com o grande custo financeiro de trazer Kevin Durant. Os administradores Sean Marks, dos Nets, e James Jones, dos Suns, se encontraram em Las Vegas, durante a Summer League para isso. Não foi uma reunião muito produtiva e ambos deixaram o lugar sem acordo algum.

Mas Tsai conhece Ishbia pessoalmente e eles se gostam. Quando Ishbia estava participando do processo de comprar um time da NBA, ele apareceu em vários jogos dos Nets, como convidado de Tsai, para entender como Brooklyn lida com os negócios. Eles tem o número de telefone um do outro. Tsai deu seu voto favorável para a compra de uma organização por Ishbia.

Foi exatamente neste momento que a negociação por Durant começou: uma ligação entre donos de organizações da NBA, na segunda-feira, enquanto Tsai disse ao seu amigo que a estrela de seu time gostaria de ir para Phoenix.

Porém, quando Marks conversou com Jones, ele pediu o mesmo grande preço (grande) de antes:

  • Quatro escolhas de primeira rodada não-protegidas. Sem negociação

  • Uma troca de escolhas em 2028, que pode ser o último ano de Durant na NBA. Sem negociação.

  • Mikal Bridges, o ala que não perdeu um jogo nas últimas três temporadas, está no caminho para o Time de Defesa da Temporada (All-Defense Team), em seu melhor ano ofensivo na carreira e é amado por todos na organização. Sem negociação.

  • Cameron Johnson, um especialista de defesa que consegue marcar vários atletas de várias posições e ainda tem qualidade com a posse de bola. Sem negociação.

Jones, é claro, tentou negociar. Os Suns realmente não queriam trocar Bridges e forçaram outros jogadores no lugar dele. Mas, para a surpresa de ninguém, a negociação do ano passado envolvia também o jogador e por isso as conversas tinham acabado. Mas Sean Marks foi relutante:

"Não", disse o gerente geral dos Nets: "Bridges precisa estar na negociação."

Que tal três escolhas de primeira rodada ao invés de quatro? O que acha de alguma proteção nas escolhas mais velhas? Um gigante não.

Isso foi um tanto embaraçoso, porque os Suns estavam em Brooklyn, jogando no Barclays Center na terça-feira de noite. Jones e o vice presidente Ryan Resch estavam na cidade, enquanto as conversas permaneciam no silêncio durante uma infernal semana de trocas, cheia de rumores e fofocas sobre transferências.

Terça-feira passou. Os Suns venceram o jogo, por quatro pontos. Bridges e Johnson foram muito bem, combinando para 35 pontos, sem saber do que aconteceria. Kevin Durant estava no banco, com uma contusão no joelho. Não houve declaração ou fala do ala desde que Irving foi transferido e ficaria calado até o fim.

Jones e Resch pegaram um vôo comercial de Phoenix para Nova Jersey, para estar em Phoenix no primeiro dia do novo dono, Ishbia. Mantiveram o contato com o novo dono dos Suns, mas sabiam que a negociação estava na mesa, sem tantas mudanças. Mas o preço... Como eles poderiam pagar aquele preço?

Os Nets sabiam que os Suns estavam procurando outros cenários para negociação. Era incerto se eles fariam diferente. Marks e os Nets estavam no lugar deles há uns anos, quando construíram o supertime que jogou menos de 20 partidas juntos e agora era apenas uma lembrança de uma ideia.

Eles sabiam qual era o sentimento até chegar no "sim" para concluir a transferência. Não havia necessidade de urgência. Era hora de ir dormir.


Na NBA moderna, um time normalmente parte para a reconstrução, enquanto o outro continua ascendendo. Os Nets foram presenteados com desmantelamento do Golden State Warriors e Boston Celtics, quando Durant e Irving deixaram os respectivos times e firmaram a dupla em Brooklyn.

Não é coincidência que o final dos Nets veio depois que os Warriors e Celtics se enfrentaram nas Finais, em junho do ano passado, quando Brooklyn tinha sido eliminado na primeira rodada dos playoffs.

Foi difícil de engolir este cenário, especialmente para Durant. O que significava aos Warriors ter um título antes dele? Como um time com Durant e Irving pode ser 'chutado' da pós-temporada assim? Ele esperaria que Ben Simmons retornasse sua boa forma? Durant ainda poderia confiar no sucesso futuro de Kyrie Irving?

Com 34 anos, Durant não tinha tempo para lidar com grandes questões como essa. Ele queria vencer e não via mais horizonte em Brooklyn para isso.

Os Nets avisaram Kevin Durant que procuravam uma negociação, mas só a fariam se o interesse da organização também fosse atendido. Durant tinha pouca mobilidade depois de aceitar um contrato de quatro anos, U$194 milhões (próximo de R$1 bilhão na cotação atual).

Brooklyn tentou garantir Kyrie Irving e James Harden em extensões similares. Quando não assinaram, isso deveria ser um indício de que o alinhamento entre eles não estava tão rígido assim.

Como lesão de Durant mudou tudo

Em agosto, quando nenhuma negociação parecia funcionar, Durant e Tsai se encontraram, pessoalmente, em dois dias quando estavam em Londres, segundo fontes. O ala disse quais eram suas preocupações sobre a franquia. Tsai ouviu e tentou acalmar todos estes pensamentos, para que pudessem seguir juntos, o que os levou a uma outra reunião em Los Angeles, depois de se ouvirem.

Talvez tudo poderia ter funcionado se Durant não tivesse se machucado, no dia 15 de janeiro. Os Nets venceram 20 dos 22 jogos antes daquele contra Miami. Ultrapassaram o caos que Irving causou para a organização e para a NBA, quando fez uma publicação sobre um filme antissemita, em outubro. Mas, quando Durant ficou fora, Irving sentiu que tinha uma oportunidade.

Ele elevou seu basquete, acumulando médias de 30,3 pontos e 6,9 assistências, lembrando aos Nets e todo mundo o quão brilhante ele é, e toda habilidade que possui.

O valor de Irving para os Nets e para toda a liga nunca estave tão alto quanto naquele momento. Sozinho ele dava conta de manter o nível do time, enquanto Durant lidava com a contusão.

Kyrie decidiu que era o momento perfeito para negociar uma extensão contratual com os Nets.

Primeiro houve uma declaração pública da sua agente, a madrasta Shetellia Riley-Irving, dizendo que Kyrie adoraria ficar em Brooklyn por muito tempo, mas "dependia dos Nets" em assinar a extensão.

Os Nets estavam tentando discutir o contrato de Kyrie, aumentando por três temporadas seu tempo na equipe, mas apenas se o jogador concordasse com algumas condições que protegeriam o time caso ele não jogasse partidas o bastante, principalmente porque perdeu mais de 100 jogos desde que chegou em Brooklyn. Irving queria uma extensão mais longa e sem qualquer cláusula.

Não houve progresso, então com o fim do prazo para negociação entre as equipes, Irving disse para sua agente ligar para o gerente geral, Sean Marks, na manhã da sexta-feira, dia 3 de fevereiro, pedindo uma negociação. Foi uma pequena ligação, com duração menor que cinco minutos, segundo fontes.

Tsai estava em Hong Kong, 13 horas adiantado, e dormindo profundamente quando Irving pediu para ser negociado. Ele acordou extremamente confuso com as mensagens de texto, mas o direcionamento era claro e único.

Ano passado, a organização deu permissão para Kyrie procurar times interessados nele, mas sabiam que era mais provável que ele iria ficar e poderiam assinar uma extensão, esperando que ele se motivasse em seu último ano de contrato. Mas, agora, depois dessa demanda e neste momento, com tudo que aconteceu, os Nets decidiram que era o momento de negociá-lo.

Eles solicitaram ofertas e queriam negociar Irving o quanto antes. Quando Durant soube disso, não ficou satisfeito com a situação, mas várias fontes disseram que seu futuro não estava ligado ao de Irving.

Dentro de algumas horas, os Nets receberam várias ofertas por Kyrie. O Los Angeles Lakers era uma das equipes. A ideia de formar o par com LeBron James, o mesmo que foi campeão em 2016, era uma ideia irresistível, mesmo com toda a bagagem de frustração que teve depois disso, quando Irving pediu para ser negociado um ano depois.

O problema é que a oferta dos Lakers era centrada em seu armador Russell Westbrook e duas escolhas de primeira rodada futuras. Eles também exploraram alguns cenários com o LA Clippers e com os Suns, com a situação de Durant permanecendo em silêncio, com vários jogadores mais novos e escolhas no Draft.

Mas foi a oferta dos Mavericks, que tinha Dorian Finney-Smith, Spencer Dinwiddie e uma escolha futura no Draft que os Nets preferiram, enquanto tentavam continuar competitivos com a liderança de Kevin Durant. O que, naquele momento, era uma prioridade.

Os Nets não tinham interesse na oferta que envolvia Westbrook, segundo fontes. Seu contrato de U$47 milhões (R$244 milhões) colocaria milhões no luxury tax bill do teto salarial do Brooklyn e ainda teria uma tensão entre Westbrook e Durant, depois do fim da relação dos dois no Oklahoma City Thunder.

Enquanto as escolhas de Draft compensavam, os Nets preferiram os jogadores de Dallas, por conta do seu valor na liga, principalmente por Finney-Smith e a simplicidade da negociação. Qualquer troca com os Lakers teria que envolver um terceiro time, que seria o destino final de Westbrook. No fim, não foi tão difícil aceitar a preferência em negociar Irving.

Os Mavericks entenderam os riscos de trazer Irving, principalmente sobre seu histórico de rachar os elencos, ao mesmo tempo em que seu contrato expira no final desta temporada, sem qualquer garantia de que vai reassinar com Dallas.

A equipe acreditou que era muito risco deixar passar a oportunidade de ter uma outra estrela no seu time para fazer par com Luka Doncic. O Dallas estava em busca disso há algum tempo.

"Vamos para cima. Precisamos de talento. Ele é um jogador de Hall da Fama e eu amaria jogar com o talento dele", falou o dono do Mavericks, Mark Cubab sobre Kyrie: "Por que não ter essa chance?"


Ishbia acordou na quarta-feira, em Detroit, foi ao seu jato particular e voou para Phoenix, com seus três filhos e outros familiares. Foi direto para a arena dos Suns e estava ansioso para conhecer os diretores e técnicos dos Suns, no Footprint Center, além de ter a clássica coletiva de imprensa introdutória, onde traria sua visão para a equipe, na tentativa de conquistar o primeiro título da organização. O típico primeiro dia de um dono de time na NBA.

Mas, algumas questões não tão comuns de primeiro dia começaram a aparecer.

Ishbia foi até o centro de treinamento da equipe com seu irmão e também dono do time, Justin, para uma importante reunião. Eles se juntaram ao gerente geral James Jones e Resch, na sala que fica acima das quadras de treinamento.

Poucos dias antes, um grupo de pessoas chegaram para limpar a sala que era de Sarver. Agora, o novo dono estava pensando e considerando tomar uma das maiores decisões na história da franquia.

Por mais de quatro horas, os Suns tentaram pechinchar o valor de Durant. Ishbia é um grande fã de basquete: esteve no time de Michigan State que venceu o campeonato nacional universitário, em 2000. Ele estudou e sabia sobre todos os jogadores que estavam na negociação, mas ainda estava aprendendo sobre como as negociações da NBA funcionavam.

Resch produziu uma análise sobre todos os tipos de cenário que a negociação poderia formar. Mas tinha um número que Jones e Resch estavam preocupados: os U$40 milhões (quase R$210 milhões) que teriam que lidar no teto salário adicional do luxury tax. Antes desta temporada, Sarver concordou em pagar U$14 milhões (R$72 milhões) nesta taxa adicional nos 19 anos em que foi dono, mas achava que colocaria mais dinheiro neste ano.

Ishbia concordou com o novo custo em alguns segundos. Talvez, depois de tudo, realmente esta seria uma nova era em Phoenix.

Mas sobre os jogadores e as escolhas, isso foi algo difícil. Normalmente um time precisa de várias propostas para avaliação. Nesse caso, Nets e Phoenix faziam uma negociação exclusiva e poderiam receber o jogador que foi MVP das Finais em duas oportunidades diferentes. Caso não fosse concretizada, no final da temporada outras equipes teriam a chance, mas ainda seriam pequenas.

Ishbia fez sua riqueza no ramo imobiliário. Ele entende a tática de negociação e o que deve fazer para ela.

Normalmente em sua empresa, Ishbia proibe celulares nas reuniões. Nos Suns, a situação era diferente. Por horas na quarta-feira (08/02), ligações e mensagens aconteciam entre os times de Phoenix e Brooklyn. E a comunicação se deu a partir dos Nets para Durant e Kleiman, porque estavam no circuito durante todo o processo.

Os Suns então decidiram: eles chegariam na demanda de Brooklyn. Quatro escolhas de primeira rodada do Draft. A troca de picks. Johnson. E, o mais difícil de deixar ir, Bridges.

Foi emocionante para Brooklyn. Marks e seu time trabalharam tanto com Tsai para construir o que eles achavam que seria um elenco digno de conquistar o título. Não foi há tanto tempo que estavam na mesma posição, persuadindo seus dirigentes para ter Harden, por vários jogadores mais jovens e algumas escolhas de Draft, em 2021. Agora, pela terceira vez em um ano, estavam trocando uma grande estrela.

A negociação se aproximava. A adrenalina começava a crescer. Mas tinha um problema: agora os Nets queriam Jae Crowder também, que os Suns gostariam de manter e fazer outra troca (exatamente o motivo para querê-lo).

Este, por um momento, foi a principal razão para que o Suns aceitasse a negociação.

Com a negociação já acertada, Ishbia realizou um jantar de celebração, afinal, ele comprou um time da NBA.

Mas, houve um momento de distração no banquete. O telefone continuava tocando, com Jones e Resch na outra linha. Eles estavam falando com o Atlanta Hawks para ter o ala/pivô John Collins. Em um certo momento do dia, eles estavam certos de que teriam o jogador em uma troca que envolvia também o Detroit Pistons.

Os Suns tentaram contratar Collins por meses. Mas ele não era Durant. No jantar, isso estava na mente de Ishbia.

"É muito raro conseguir uma negociação por um jogador Top 5 [da NBA]", disse Ishbia para um amigo que estava na mesa. Ele repetia isso várias vezes e não conseguia sair deste pensamento.

Perto das 22h45 em Phoenix, 00h45 em Brooklyn, Ishbia ligou para Jones. Eles colocariam Crowder na jogada e iriam aceitar a negociação.

Marks e os administradores de Brooklyn ainda estavam no carro quando a ligação chegou. Eles deram meia-volta e foram para o escritório, dentro de uma hora.

Estava feito.

Os telefones também tocavam em Atlanta, onde os Suns voavam para um jogo contra os Hawks. As notícias foram de tirar o fôlego e emocionais. Os dirigentes tinham feito talvez a maior negociação da trade deadline da história, mas o time ainda tinha que dizer adeus para Bridges e Johnson, pilares do elenco nos últimos cinco anos e parte da ascensão da equipe, que deixou de ser um time mediano para quem chega nas Finais.

Na manhã da quinta-feira (09/02), o técnico dos Suns, Monty Williams, cancelou o treino e a equipe se encontrou no hotel. Havia lágrimas. Em Phoenix também, enquanto finalizavam a negociação com a NBA.

Em Brooklyn, os Nets estavam exaustos emocionalmente. Dizer adeus para Irving foi complicado. Fazer o mesmo com Durant foi de cortar o coração. Dentro de todo o estresse que a organização viveu nos últimos quatro anos, o ala era um respiro de vida.

Eles consideravam uma honra tê-lo no time e tinha uma medida de positividade ao mandá-lo para o lugar que gostaria de ir.

O Brooklyn Nets iniciou um novo capítulo em sua história, com outro elenco, mais de uma dúzida de escolhas de Draft, que conseguiram nos últimos dias. Mas não fazer o time funcionar com Irving, Durant e Harden sempre vai doer.

Algo que Irving, no fim, sentiu também.

"Acho que eu gostaria de dizer algo sobre esse supertime comigo, James [Harden] e KD que todo mundo acha que deveria ter funcionado", comentou Irving depois de se juntar ao Mavericks: "Nós jogamos pouco tempo juntos e tiveram várias contusões. Eu gostaria de ver se isso daria certo se tivessemos um tempo maior, mas não há erros ou coincidências e você precisa seguir em frente."