Anderson Silva pode estar em sua semana de despedida do UFC, e o clima de nostalgia traz as lembranças das maiores lutas da carreira de um dos melhores lutadores da história. E claro que não poderia falta a vitória mais sofrida do brasileiro: Chael Sonnen.
Pouco mais de 10 anos depois, Anderson Silva conversou com exclusividade com o ESPN.com.br e agradeceu Sonnen por tudo que aconteceu entre eles. Se o ditado diz que “não existe Muhammad Ali sem Joe Frazier”, o brasileiro admite que talvez não fosse o mesmo sem seu grande adversário.
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E o clima já é bem diferente do que foi há mais de dez anos. Chael Sonnen virou um inimigo público do Brasil de tanto que provocou o rival. Só que Anderson já deixou todo esse sentimento no passado e fala até com carinho sobre o antigo adversário.
“O cara que me ajudou bastante a me superar foi o Sonnen. Na primeira luta com ele, eu lutei machucado, e ele foi um rival à altura. Ele foi e é um cara muito bacana. As pessoas não sabem disso, mas ele é um cara muito legal, muito família. A gente não tem muito contato, mas as poucas vezes que a gente se fala a gente tem um respeito mútuo um pelo outro. Acho que o Sonnen é o cara que eu posso dizer que me deu forças para que pudesse me superar como lutador dentro do UFC”, disse Anderson Silva.
A primeira luta entre os dois aconteceu em agosto de 2010. Entre as inúmeras provocações, Sonnen havia dito que uma faixa-preta dada pelos irmãos Nogueira era como ganhar um brinque no McLanche Feliz. E esse acabaria sendo o maior problema para o norte-americano.
“De tudo que o Sonnen fez, o maior erro foi ter falado do Minotauro. Eu me lembro que estava a uma semana da luta, e o Minotauro foi me ver treinar. E eu falei: ‘Mestre, eu vou finalizar ele. Fica tranquilo que eu vou finalizar’. Eu me senti no dever de honrar meu mestre”, diz Anderson.
“Eu fui com ele o corredor inteiro até a entrada do octógono, não fiquei no corner. Ele pegou no meu braço e falou: ‘Eu vou finalizar ele, não vou ganhar a luta em pé! Vou finalizar ele! Você vai ver!’ Eu fiquei tenso! E ele foi, foi e no final eu estava até de cabeça baixa, rezando, quando alguém apertou meu braço e disse: ‘finalizou!’”, lembra Minotauro.
Anderson Silva apanhou por quatro rounds e meio naquele dia. Ele mesmo admite que aquela foi a maior surra que já levou. No quinto e último assalto, porém, arrancou um triângulo para conseguir a vitória milagrosa e manter o cinturão.
Os dois ainda voltariam a se encontrar em julho de 2012 – novamente depois de inúmeras provocações de Chael Sonnen. Desta vez, Anderson venceu com bem menos dificuldade: um nocaute ainda no segundo round.
E com o passado cada vez mais distante, o norte-americano também faz questão de deixar todas as desavenças para trás.
“O Anderson e eu tínhamos problemas. Nada foi fabricado, havia um problema em algum lugar. Mas nós também éramos parceiros. Goste você ou não, nós fizemos grandes negócios. Quando tudo acabou, você aperta a mão e vai embora. Não se passa um dia em que eu não deseje ter vencido as duas lutas. Mas nunca houve um dia onde eu tive algo que não fosse admiração pelo Anderson por me dar a oportunidade. Sendo bem justo, ele não precisava fazer isso. Ele poderia ter escolhido outros caras. Ele me escolheu não uma, mas duas vezes, e eu sempre fui muito grato ao Anderson. Nós nunca nos falamos depois. Eu não tenho o celular dele. Mas se ele estivesse aqui agora, eu lhe daria um abraço e diria “obrigado’”, disse Sonnen ao ESPN.com.br.
