Concorrência com outros brasileiros, padrão de jogo do City e reforços: presidente do Bahia detalha acerto por SAF

Guilherme Bellintani, presidente do Bahia Divulgação/EC Bahia

Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, abriu o jogo sobre a venda do clube ao City Football Group


Após muita novela e negociação, Bahia e Grupo City chegaram a um acordo. No último dia 23 de setembro, Guilherme Bellintani, presidente do clube, anunciou a concretização do negócio, que inclui pagamento imediato da dívida, investimento anual no futebol e participação recorrente na Conmebol Libertadores.

Em entrevista ao UOL, o dirigente tricolor abriu o jogo sobre as expectativas que o clube tem para os próximos anos, dentro e fora dos gramados.

Ao todo, R$ 500 milhões serão investidos em contratações. Por outro lado, o Bahia terá R$ 200 milhões para se concentrar em projetos de infraestrutura.

Diferentemente dos outros clubes do grupo, o Bahia não será um mero satélite para revelar e desenvolver jogadores. A ideia do projeto é colocar o clube como uma potência nacional.

"Não vamos ganhar o Campeonato Brasileiro todo ano, ou ter o domínio pleno do futebol brasileiro. Não é isso o projeto. O projeto é ter uma dimensão nacional. É estar de forma recorrente na Libertadores, após alguns anos de projeto, de forma recorrente no continente", começou por afirmar.

"É estar de forma recorrente na Libertadores, após alguns anos de projeto, de forma recorrente no continente. Ser mais competitivo na Sul-Americana em um primeiro momento. Não há o projeto de ser o maior. Mesmo para esses resultados que a gente projeta, é preciso no mínimo de dez anos, ser bem competitivo nacionalmente. Se essa competitividade vai dar título, não sabemos. Orçamento e investimento é o que nós vemos. Não nos coloca entre o primeiro e o quarto (orçamentos). Nos coloca entre o quinto, oitava ou décimo. O que pode mudar é acrescentar o know-how. Dinheiro e expertise da plataforma. Isso pode fazer com que o dinheiro 'suba' pela competência", completou.

Bahia jogando como o City de Guardiola

Sobre o estilo de jogo, Bellintani afirmou que a ideia é o Bahia se adaptar à forma que o Manchester City de Pep Guardiola se porta dentro de jogo. E isso passa, além do esquema tático, pelo perfil do técnico e dos jogadores a serem contratados.

"Necessariamente isso vai acontecer, o padrão de jogo do City. Eles construíram um sistema, vai ter que jogar como o Manchester City joga. Claro tem que limitações, não são os mesmos jogadores. Eles (City) não se adaptam ao clube, o clube que se adapta a eles."

"Sendo assim, será inconcebível não ter um goleiro que saiba sair jogar com os pés ou um zagueiro só de imposição física. É inconcebível contratar um técnico só porque foi vencedor no último ano. Precisamos ter um treinador dentro de uns critérios de jogo", completou.

Contratações

Bellintani também destacou como será o processo de contratação de jogadores. O lado financeiro será baseado pelas receitas geradas. 60% será destinado a vinda de atletas. E a ideia é trazer jovens.

"O time vai ser mantido pela força da própria torcida. Tem 60% da receita com gasto de futebol, como número de referência e saudável no futebol europeu. O time vai ser do tamanho da torcida. Se faturar R$ 300 milhões, vai ter 180 milhões. O movimento paralelo é que precisa de um aporte para aquisição de jogadores, o que vai fazer diferença no mercado: investimento regular em novos mercado. Vai investir cinco, sete vezes mais do que o Bahia atualmente. Vai ampliar bastante o valor do mercado. Dentro do que temos como planejamento pode ser até mais. Possivelmente terá valores mais."

"Há preferência por jogadores jovens. Mas só jogadores jovens não é suficiente para o projeto. Todos os clubes (do City) têm uma mistura de jovens com mais experientes. Nesse planejamento para 2023, quando abre a planilha, eles distribuem de forma inteligente quantos jogadores de cada idade, até jogadores mais experientes. Há uma compreensão de que é impossível manter competitiva uma equipe só com jogadores jovens."

Concorrência com outros brasileiros

A negociação entre Bahia e Grupo City durou praticamente um ano. Em um primeiro momento, não houve um interesse concreto. No entanto, com o passar dos meses, a negociação foi se desenrolando até haver o entendimento. Durante esse tempo, outros brasileiros estiveram no páreo.

"Diria que estávamos concorrendo até os últimos momentos. Até maio e junho, havia outros clubes trabalhando nesse projeto e com conversas em andamento. O que combinamos é que eles compartilhariam com a gente quando parassem de conversar com outros clubes. Então, foi em estágios. Primeiro momento, desinteresse (pelo Bahia). Segundo momento, passou a ser avaliado sem ser prioridade. Terceira, como clube de prioridade que estavam em negociação. Quarto, tinha conversa única só com o Bahia", declarou.

Sobre a preferência pelo Bahia, Guilherme Bellintani acredita que a transparência das informações durante todo o processo de negociação foi fundamental para o Tricolor atrair a atenção do grupo internacional.

"A qualidade das informações. A gente foi muito reto e direto no que a gente pretendia. A conversa inicial foi muito parecida com o termo final do negócio. Mesmo que muita coisa foi negociada durante o caminho. Queremos um clube forte, investimento em futebol, mais vencedor do que é hoje, queremos tecnologia. Estamos disposto a abrir mão sobre controle do futebol. Vocês (City) precisam ganhar dinheiro no projeto, não vemos como abutres. Não temos problema em ceder 90% da SAF."

"A terceira foi o clima, isso pesa na negociação, com clima positivo sem parecer que outro está querendo se aproveitar. É difícil fazer com quem tem muito dinheiro e quem negocia por uma torcida grande. Foi uma negociação leve para não inviabilizar o negócio. A visão deles é que (o Bahia) tem o potencial muito maior do que é hoje. É diferente de investir em um clube com potencial já alcançado. Está longe de estar no teto."