A Seleção Brasileira tem uma casa. Não daquelas de veraneio, onde se vai somente para curtir a paisagem e deixar o tempo passar, mas sim uma estação de trabalho que abre as portas antes de um compromisso profissional relevante. No caso atual, a Copa do Mundo de 2026.
Antes de embarcar para os Estados Unidos, o Brasil escolheu passar alguns dias na Granja Comary, terreno de 145 mil metros quadrados que pertence à CBF há mais de 40 anos e que recebe, a partir desta quarta-feira (27), Carlo Ancelotti, Neymar e toda a delegação que vai em busca do hexa.
A história da Seleção neste luxuoso espaço em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, começou há exatos 60 anos. Por sugestão do Almirante Heleno Nunes a João Havelange, então presidente da CBD, a equipe dirigida por Vicente Feola fez parte da preparação para a Copa de 1966 na cidade. A intenção era aproveitar a condição climática do local e usá-la de base para o que seria vivido na Inglaterra.
A campanha foi ruim, com a até hoje última eliminação do Brasil na fase de grupos, mas foi o pontapé inicial de um projeto que se materializou de verdade na década de 1980. A partir de 1983, a Confederação Brasileira de Futebol adquiriu um terreno na antiga Fazenda Comary e o reformou para fazer deste espaço a casa da Seleção.
O curioso da história é que um dos terrenos do imenso espaço pertencia a Renato Aragão, o Didi, grande humorista que em meados da década de 1980 vivia o auge da carreira com "Os Trapalhões", mas que se desfez da propriedade antes das reformas da CBF tomarem conta do espaço.
A Granja Comary foi então inaugurada em 31 de janeiro de 1987. De lá para cá, recebeu a Seleção Brasileira em praticamente todas as preparações importantes, que vão de Copa do Mundo a Copa América e outros torneios. Em Mundiais, apenas duas não tiveram treinos no local: 2006 e 2022.
Na Copa passada, o que pesou foi a questão logística. Ir do Rio direto a Doha era uma viagem longa demais, de acordo com as ideias da antiga comissão técnica, que optou por uma base no meio do caminho. O plano foi levado adiante também para facilitar a chegada dos jogadores da Europa, uma vez que o Mundial do Qatar foi disputado entre novembro e dezembro, ou seja, no meio da temporada para os principais atletas brasileiros.
Para agora, Ancelotti e companhia contarão com uma estrutura de primeiro mundo, fruto de investimento financeiro para a construção do chamado Centro de Excelência, composto por academia de última geração e 36 suítes para abrigar a delegação inteira. A Granja conta ainda com cinco campos de futebol, centro médico, academia e um restaurante com cozinha de primeiro nível.
O técnico italiano se encantou com o espaço ao conhecê-lo, em meados de 2025. "É um lugar muito bonito. Perfeito para treinar, descansar, recuperar. Está tudo muito bem organizado", discursou Carletto, em vídeo divulgado pela CBF TV.
A passagem pela Granja Comary vai desta quarta até o próximo sábado (30), quando a Seleção se despede de Teresópolis e parte para o Rio de Janeiro, onde enfrenta o Panamá no domingo (31). A partida no Maracanã será a última antes do embarque para os Estados Unidos, agendado para segunda-feira (1º).
