Cercado de expectativa nos dias de antecederam a convocação, o reencontro entre Neymar e a Seleção Brasileira aconteceu nesta quarta-feira (27), na apresentação dos atletas chamados por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo de 2026 na Granja Comary, em Teresópolis, para o início da preparação.
Conforme logística organizada pela CBF, a maioria dos jogadores convocados chegou em voos de helicóptero separados desde as primeiras horas do dia.
O encontro no centro de treinamento da Seleção foi o primeiro entre Neymar e Ancelotti após a lista final para o Mundial. Poucos dias antes, ambos se falaram por vídeo em uma conversa franca e decisiva sobre a possibilidade de o craque do Santos estar na convocação.
“É claro que o Neymar tem o tamanho que ele conquistou. No momento em que a comissão técnica e o Mister entenderam a evolução dele, tanto física como técnica, número de jogos, enfim, era necessária uma conversa com ele”, disse Rodrigo Caetano, coordenador de seleções masculinas da CBF, em entrevista ao portal ge.
“Não foi passada a certeza da convocação. Isso não fizemos e não faríamos com nenhum outro, mas dessa possibilidade de convocá-lo para a Copa do Mundo e os motivos que levaram a comissão técnica para considerar isso”.
“Acho que esse foi o primeiro ponto, valorizar essa recuperação dele, valorizar realmente o esforço que ele está fazendo, porque, como o Mister sempre disse, tecnicamente ele não precisava ser testado. E a conversa foi excelente, nós entendemos que ela era necessária justamente para projetar, em caso de convocação, como as coisas iam acontecer”.
A ESPN detalhou em reportagem no último dia 19 que Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano conversaram diretamente com Neymar em 13 de maio, cinco dias antes da convocação.
A ideia da conversa era atualizá-lo sobre o novo momento da Seleção e dizer que, caso fosse convocado, o atacante não teria mais o papel de figura principal da equipe, mas sim uma peça extra no elenco.
“O Neymar foi super receptivo, o que não é surpresa alguma para mim. Acho que foi extremamente positiva, a mensagem que o Mister recebeu também foi positiva. De o Neymar entender que, em caso de convocação, ele seria mais um integrante daqueles 26 atletas e que ia fazer de tudo para merecer minutos, para merecer oportunidade, para merecer jogar. Como é da natureza de um atleta de alto nível, como é o caso dele”.
“Eu avisei antes que queríamos falar com ele, de pronto ele atendeu. Ele é realmente um cara de alto astral, está sempre de cara boa. Eu não tive ainda o privilégio de estar no dia a dia com ele, mas a mensagem, a impressão que temos nós é justamente essa que muitos que o conhecem têm, de que ele é um cara de alto astral o tempo todo. É muito querido entre todos, porque a vida do Neymar foi sempre dentro do campo jogando, ele foi muito precoce em tudo”.
Antes dessa ligação, interlocutores da cúpula da CBF conversavam informalmente com estafe do Neymar sobre como seria a preparação brasileira na Copa. Nada de abertura e distrações externas, mas sim algo mais fechado e recluso, para evitar qualquer tumulto ao ambiente.
Conversas entre Neymar e Ancelotti não são frequentes desde que o italiano assumiu o cargo, em maio de 2025. O primeiro papo foi no dia da primeira convocação, para avisá-lo que não seria chamado. Depois, falaram-se pela última vez em setembro.
Segundo apurou a ESPN, o entendimento da comissão técnica era que Neymar não precisava ser avisado de mais nada pois não fazia parte do grupo.
O cenário mudou nos dias que antecederam a convocação. Diante de uma soma de fatores, que vão desde o respeito das lideranças do grupo à evolução física mostrada nas últimas semanas, o nome de Neymar entrou definitivamente no radar de Ancelotti, que reconheceu o esforço do atacante para voltar à Seleção e disputar a quarta Copa do Mundo da carreira.
Agora no grupo, Neymar recebeu uma nova ligação de Carlo Ancelotti após o anúncio da convocação, um sinal de que a relação entre o técnico e principal jogador da geração tem se estreitado antes do Mundial.
“Se eu puder te contar, eu estava começando a minha carreira como gestor lá na base do Grêmio e fui em um torneio interior de São Paulo, assisti a uma competição que era sub-15 e o Neymar jogava com 13 anos. Você imagina, numa idade essa, na qual um ano faz uma diferença enorme, ele jogava na equipe do Santos com dois anos a menos. E tudo para ele foi muito precoce”, disse Caetano.
“Acho que essa meta que ele tinha de ir para uma Copa do Mundo, sua quarta Copa do Mundo, ser um dos recordistas de muitos números. Acho que é um entendimento importante no auge da maturidade dele agora, na idade em que ele se encontra, de dizer: ‘Poxa, eu sou um privilegiado e vou viver isso’”.
Sobre o período de concentração da delegação brasileira no período da Copa, Rodrigo Caetano foi sincero sobre a existência de uma “cartilha” aos jogadores sobre comportamento durante o tempo de disputa do Mundial.
“A gente usa o termo normas de conduta. Tem muita gente que tem uma visão de que não interagem, e não é bem assim. Eles interagem sim, eles têm os seus momentos de reuniões, de brincadeiras, enfim, o momento do treinamento, o momento realmente daquela seriedade. Isso é o que posso te afirmar durante o período em que aqui estou. Agora, claro, vamos passar por 40 dias, né? E 40 dias de um convívio, então nós temos que zelar pela privacidade, mas ao mesmo tempo que não seja aquele regime de quartel, não é isso”.
“Quando a gente fala em privacidade, é justamente descanso, alimentação, sono, aquilo que um atleta exige. A vida de um atleta exige. É nesse sentido. Nós temos algumas ideias para que nos momentos vagos, de descanso, a gente possa estar interagindo, eles próprios, para que cada vez mais esses elos estejam fortalecidos entre comissão, funcionários e atletas. A gente acredita muito nisso. Isso é um mantra do Mister também, do bom ambiente. Por onde ele passou, ele conseguiu, e eu acho que por onde passei, procurei também construir isso”.
Jogadores e comissão se apresentaram na Granja Comary, em Teresópolis, e permanecem no centro de treinamento da CBF até o dia 30, quando vão ao Rio de Janeiro para o amistoso diante do Panamá, que acontece em 31 de maio, às 18h30 (de Brasília), no Maracanã.
As exceções desse início de preparação são os Marquinhos, do Paris Saint-Germain, e Gabriel Magalhães e Gabriel Martinelli, do Arsenal, que jogam em 30 de maio na final da Champions League em Budapeste, na Hungria. O trio seguirá direto para os Estados Unidos.
O grupo da Seleção ganhará folga logo após a partida. Os jogadores se reapresentarão à comissão técnica às 16h do dia 1º de junho, na sede da CBF, na Barra da Tijuca, quando iniciam os detalhes finais para o embarque.
Pela programação, elenco e comissão técnica fazem a foto oficial antes da Copa do Mundo, vestem-se com os trajes feitos sob medida pelo estilista Ricardo Almeida (tradição iniciada no Mundial de 2018) e vão direto para o Galeão.
O voo que levará a Seleção Brasileira para os Estados Unidos é fretado e conta somente com lugares executivos, para dar mais conforto a jogadores e comissão técnica.
A saída do Aeroporto Internacional Tom Jobim será às 20h (de Brasília), com chegada a Nova York prevista para 5h (horário local) do dia 2.
A partir daí, o Brasil encara alguns dias de treino no recém-inaugurado CT do New York Red Bull, localizado em Morristown, em Nova Jersey, até a estreia na Copa, marcada para dia 13 de junho, contra Marrocos, no MetLife Stadium. O local servirá de base para a Seleção durante toda a campanha.
Uma semana antes, porém, o time de Ancelotti faz um último amistoso contra Egito, em Cleveland.
Convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo:
GOLEIROS
LATERAIS
ZAGUEIROS
MEIO-CAMPISTAS
ATACANTES
