Sem Mbappé e com mais de R$ 1 bilhão para contratar, o que será do PSG após mais uma eliminação na Champions League?

Se por um lado o PSG tem motivos para comemorar, incluindo o título do Campeonato Francês e a chance de conquistar a Copa da França diante do Lyon, por outro o adeus de Kylian Mbappé, oficializado na última sexta-feira (10), e a queda na semifinal da Champions League para o Borussia Dortmund preocupam o gigante parisiense sobre o futuro.

Neste domingo (12), às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+, o clube terá o seu primeiro desafio após a decepção na Liga dos Campeões. O duelo será em casa contra o Toulouse, pela 33ª rodada da Ligue 1.

Então, o que vai acontecer com o superclube comandado pelo bilionário Nasser Al-Khelaifi? E agora sem a sua principal estrela, para onde os parisienses irão a partir de agora? A ESPN tenta responder agora a estas e mais perguntas em relação ao futuro do PSG.

Luis Enrique reforçou sua posição como treinador

Desde que a Qatar Sports Investments (QSI) comprou o clube em 2011, as campanhas na Champions sempre definiram as temporadas do PSG. Os técnicos eram frequentemente demitidos por não cumprirem o objetivo ou não irem longe o suficiente, mas esse padrão não será aplicado a Luis Enrique.

O espanhol ainda tem mais uma temporada de contrato e o clube está muito feliz com o seu trabalho e com a evolução que esta jovem equipe teve nesta temporada. Luis Enrique foi capaz de criar uma identidade, uma unidade e um espírito de equipe que não existiam anteriormente, quando os times titulares eram dominados individualmente.

“Ele definitivamente estará lá na próxima temporada para continuar o que começou a construir nesta temporada”, disse uma fonte à ESPN, no Parque dos Príncipes, após a queda na Champions. As negociações devem começar em breve para uma renovação, segundo apurou a reportagem.

O clube sabe que, para finalmente vencer a Liga dos Campeões, o seu "Santo Graal", é preciso uma base sólida e de estabilidade, coisas que Luis Enrique tem promovido com sucesso neste grupo.

Claro, o técnico também cometeu erros nesta temporada. O esquema no 4-2-4 no jogo da fase de grupos contra o Newcastle, e a sua decisão de mantê-lo durante todo o jogo, foi impossível de justificar após a derrota por 4 a 1. Começar com Marco Asensio como um falso 9 contra o Barcelona, no jogo de ida das quartas de final, também foi uma má ideia - assim como tirar Gonçalo Ramos contra o Dortmund, para substituí-lo pelo mesmo Asensio. A lista continua, mas todos os treinadores têm que fazer escolhas e nunca acertar tudo.

No início da campanha, o objetivo não era vencer a Liga dos Campeões, mas sim na próxima. Eles teriam aceitado agora se pudessem, é claro, mas, sob esse prisma, o PSG e seu técnico estão adiantados.

O rei está morto, vida longa ao rei

Mbappé nunca mais vestirá a camisa do PSG na Champions. Terminou assim, em sua casa, onde sonhava trazer de volta a "orelhuda" como presente de despedida; infelizmente, tudo o que ele entregou foram lágrimas, arrependimentos e chutes que acabaram nas duas traves.

A estrela nascida em Paris assumiu a responsabilidade pela eliminação de sua equipe, admitindo que não fez o suficiente e que deveria ter feito gols como as pessoas esperavam que ele fizesse. Mas o que aconteceu com o ditado "os grandes jogos pertencem aos grandes jogadores?" Mbappé não foi visto em lugar nenhum no jogo de ida, em Dortmund, e não esteve muito mais presente em Paris. Vitinha, o meio-campista português contratado ao Porto em 2022, era sem dúvida a maior ameaça ofensiva do PSG.

Mbappé acreditava, tal como a sua comitiva, que estava escrito nas estrelas: o seu destino era jogar a final em Wembley contra o Real Madrid, o seu futuro clube, e brilhar. Em vez disso, seu último jogo será a final da Copa da França, em Lille, no dia 25 de maio.

A multidão barulhenta do Parque dos Príncipes não cantou o nome de Mbappé, o que é digno de nota, e toda a noite foi um belo resumo de seus sete anos no clube: muitos recordes individuais, mas também algumas grandes oportunidades perdidas. Só nesta competição, obviamente, você tem essa semifinal, aquela contra o Manchester City em 2021, quando ele disse que não estava totalmente apto, e a final em 2020, claro, quando perdeu uma grande oportunidade de vencer Manuel Neuer quando o duelo com o Bayern ainda estava 0 a 0.

Com sua saída, os torcedores mostraram que estão prontos para o apoio de uma nova geração de estrelas.

Um plantel para mudar e fortalecer

O adeus de Mbappé deve fazer com que o PSG tenha um orçamento de transferência de cerca de 300 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão nas cifras atuais) para investir na próxima janela de transferências europeia, garantiu uma fonte à ESPN. Entre as economias feitas no salário do francês, os bônus de que está abrindo mão ao sair e os fundos já atribuídos, o clube terá muitas oportunidades para reforçar o seu plantel, algo necessário.

Para manter esta equipe evoluindo e crescendo, eles precisam gastar, e começarão por encontrar um substituto para Mbappé. Poderia ser uma troca direta na ponta esquerda – alguém como Rafael Leão, do Milan – ou poderia ser um camisa 9 como Victor Osimhen, do Napoli, ou Dusan Vlahovic, da Juventus, apesar do PSG já ter Kolo Muani e Gonçalo Ramos, com quem gastaram 150 milhões de euros (R$ 834 milhões). Eles também poderiam optar por uma contratação marcante, como Mohamed Salah, do Liverpool, se ele estiver disponível.

O meio-campo também precisa de mais qualidade. Por melhor que Vitinha tenha sido durante toda a temporada e a revelação de Zaïre-Emery, de 18 anos, o meio do PSG sempre se sentiu leve demais para competir com outros clubes importantes. Eles precisam de experiência lá, além de mais criatividade e mais opções. Isto será resolvido no verão, com nomes como Bernardo Silva (Manchester City) e Bruno Guimarães (Newcastle) na lista.

Defensivamente, as coisas estão bem cobertas. Lucas Beraldo tem apenas 20 anos e esperançosamente aprenderá com os seus erros; o mesmo se espera de Nuno Mendes como lateral-esquerdo. E Donnarumma no gol? Ele tem sido ótimo em sua linha durante a maior parte da temporada, mas suas fraquezas nas curvas às vezes custam caro ao seu time e sua distribuição também não é boa.

Luis Enrique e Luis Campos – este último é o diretor esportivo do PSG, embora seu futuro também seja incerto, considerando que foi contratado porque Mbappé o queria – poderiam considerar outras opções.

Onde assistir a PSG x Toulouse?

PSG x Toulouse terá transmissão, ao vivo, pela ESPN no Star+, neste domingo (12), às 16h (horário de Brasília).