Os bastidores de como Água Santa fez Prass ver Palmeiras 'totalmente arrasado' após vexame: 'Sempre pode ficar pior'

Ao longo dos sete anos em que vestiu a camisa do Palmeiras, Fernando Prass viveu momentos mágicos e outros dos quais ele e grande parte da torcida do clube gostariam de nunca terem vivido. Um desses "pesadelos" aconteceu no dia 27 de março de 2016.

Naquela oportunidade, em Presidente Prudente, o Palmeiras sofreu um dos maiores vexames de toda sua história ao ser atropelado por 4 a 1 pelo Água Santa, de Diadema, que na época estava na zona de rebaixamento do Campeonato Paulista.

Goleiro titular do Verdão naquele dia e testemunha ocular da história, -Prass, atual comentarista da ESPN, contou detalhes do que viveu dentro de campo sobre as impressões da goleada, como foi absorver o impacto das cobranças e de mais uma crise no clube.

“Tem jogos que dão tudo certo. Teve aquele contra o Rosario Central, na Libertadores, não jogamos nada e vencemos por 2 a 0. Em 2014, contra o Cruzeiro, no Mineirão, eles vinham de uma sequência de 5 a 0, 6 a 0 e nós empatamos 1 a 1 em um jogo absurdo. O Egídio ainda salva um gol em cima da linha...”, iniciou.

“É difícil dizer. Teve a partida com o Mirassol que eu também estava (goleada por 6 a 2 sofrida em 2013). Começa errado. O time entra em uma espiral de falta de confiança, e o outro lado está num dia que tudo dá certo. Dentro de campo, nós víamos que, por mais que a gente tentasse, não tinha como”.

O Palmeiras vivia um momento incerto no Estadual. Após um início ruim de ano sob o comando de Marcelo Oliveira, o Alviverde alterou a rota, sacou o técnico campeão da Copa do Brasil em 2015 e apostou em Cuca. Porém, o começo de trabalho não foi bom. Ao todo eram três derrotas seguidas nos três primeiros compromissos do treinador à frente do time, e a pressão por uma melhora imediata só aumentava.

Do outro lado, estava o Água Santa, que ocupava a zona de rebaixamento do Paulistão e havia contratado Marcio Bittencourt como novo técnico apenas um dia antes da fatídica partida em Presidente Prudente.

Em campo, o time de Diadema mandou na partida do início ao fim e abriu o marcador aos 35 minutos. O Verdão empatou de pênalti ainda no primeiro tempo. Mas, no minuto seguinte, o Água Santa fez 2 a 1 e, nos acréscimos, aumentou para 3 a 1.

No segundo tempo, diante de um Palmeiras nocauteado, o Netuno ampliou para 4 a 1, placar que definiu o confronto.

“Sempre pode ficar pior. É um jogo que você sai totalmente arrasado. É uma partida atípica. Ficou muito aquém da nossa capacidade e sabíamos que vinha cobrança, havia trocado o técnico...tem momentos no futebol que é difícil demais achar uma resposta. Perde noites de sono tentando encontrar fatos que justifiquem aquilo”, explicou Prass.

O goleiro, que anos antes havia disputado uma Série B com a camisa do Palmeiras e também vivenciou outras goleadas e momentos desesperadores do time paulista, contou que tinha exata noção do tamanho da cobrança que viveria, principalmente por conta da expectativa da torcida para o ano.

“Eu tinha dimensão do que aconteceu por que estava em campo contra o Mirassol. E, em 2015, também teve uma partida contra a Chapecoense (5 a 1 pelo Campeonato Brasileiro), eu estava também (risos)”.

“Têm histórias boas, mas também têm histórias ruins. É que a gente só conta as boas. Eu tinha noção da cobrança que viria. Ainda mais porque a partir de 2015 o clube tinha uma nova perspectiva. Tudo que aconteceu trouxe um novo objetivo, e a torcida esperava mais da gente”.

Curiosamente, apesar do vexame e da goleada sofrida, o Palmeiras girou a chave e se recuperou no Estadual, chegando às semifinais, quando foi eliminado pelo Santos, nos pênaltis, na Vila Belmiro.

Logo após a desclassificação, Cuca foi à imprensa e deu uma declaração, naquele momento, um tanto quanto polêmica e que repercutiu ao longo de toda a temporada 2016.

“É ruim, mas o Palmeiras sai de uma maneira honrosa. Das derrotas, a gente sai com a melhor possível. Vamos brigar, vamos ser campeões”.

“Vamos fazer tudo certinho, a começar por amanhã. O Palmeiras sai da melhor forma que poderia, se é que existe melhor forma. Com honra, dignidade, dentro de um campeonato irregular. A gente sai de cabeça erguida. Vamos buscar o Brasileiro”, disse o técnico.

À ESPN, Fernando Prass brincou: "Acho que nem ele tinha tanta firmeza sobre o que ele estava dizendo nessa época (risos). Acredito que ele tenha falado isso mais para motivar o grupo e tentar nos mobilizar de alguma maneira".

A premonição do técnico funcionou. Meses após o massacre do Água Santa, o Palmeiras quebrou um tabu de 21 anos sem títulos brasileiros e venceu a competição de pontos corridos. O jogo do título foi diante da Chapecoense, em vitória por 1 a 0, no Allianz Parque.

Próximos jogos do Palmeiras:

Água Santa (F) - 02/04 - Campeonato Paulista

Bolívar (F) - a definir - Conmebol Libertadores

Água Santa (C) - 09/02 - Campeonato Paulista