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Atacante que quebrou invencibilidade do Palmeiras de Endrick quase largou o futebol, teve chance na Alemanha e hoje é artilheiro do Paulista

Luccas Paraizo comemora um de seus gols com a camisa da Portuguesa Divulgação/Portuguesa

Em entrevista ao ESPN.com.br, Luccas Paraizo falou sobre sua história e o momento vivido na base da Portuguesa


Um dos nomes mais badalados do futebol de base no Brasil, atualmente, é Endrick. Ele e o Palmeiras vivem grande fase, com grandes conquistas e badalação. Um outro atacante, porém, conseguiu ‘ofuscar’ a joia alviverde recentemente: Luccas Paraizo.

Camisa 9 da Portuguesa, o centroavante marcou os dois gols da vitória sobre o Palmeiras no último dia 21 de agosto, conseguindo encerrar uma sequência de 34 vitórias palmeirenses na disputa do Campeonato Paulista.

“A gente tem uma mentalidade de que o Palmeiras, hoje, é um dos maiores clubes que têm. Mas a gente não teve medo de jogar, isso fez com que a gente partisse para cima, explica a garra que a gente teve. O principal motivo de a gente ter ganho o jogo foi a nossa garra. A gente não se importou com nomes, peso da camisa, até porque a da Portuguesa é muito grande, também. A gente só jogou nosso jogo. Eu, o goleiro, a equipe inteira fez um jogo excepcional”, disse Luccas ao ESPN.com.br.

Os gols não vem sendo novidade para o camisa 9. Com 19 gols em 19 jogos, ele é artilheiro no Paulista e vive grande fase dentro dos gramados, o que tem feito com que ele jogasse até no time profissional.

“Faz tempo que eu não tenho essa fase. Até porque, eu não jogo o Paulista desde o sub-17. Esse ano, para mim, não tenho palavras para descrever o que está acontecendo. Está me agregando dentro e fora de campo. Graças a Deus a bola está entrando, tenho certeza que vamos dar passos para as próximas fases”, lembrou.

“Eu pego cancha. O Sérgio vem me dando minutagem, vou sentindo o campeonato. Porque é outro jogo, a intensidade, a técnica, tudo é diferente. Pela Portuguesa, eu fui convocado para cinco jogos da Copa Paulista, entrei em três”, reforçou.

A Lusa agora disputa uma das duas vagas de seu grupo na próxima fase, tendo duas vitórias e uma derrota no total.

Uma mudança que quase interrompeu o sonho

Nem sempre Paraizo conseguiu ter ritmo de jogo. Aliás, o futebol nem sempre esteve presente na sua vida. “Minha mãe sempre implementou os esportes para mim, desde que eu era pequeno. Escola, escolinha, academia”.

“Ela me conta que, quando eu estava na escola, quando eu tinha cinco anos, o professor falou para ela: ‘Fabiana, você está gastando dinheiro, seu filho é disperso, não joga, só quer saber de conversar’. E ela acabou me tirando. Mas dois anos depois, eu despertei interesse forte pelo futebol, comecei no futsal”, contou.

Foi a partir daí que o garoto começou a perseguir seu sonho, chegando até a defender o time de futsal do Corinthians. Em um momento, porém, tudo isso teve que ser interrompido.

A minha mãe mudou para a Alemanha e eu fui morar no interior. E, depois que eu fui para Americana, eu comecei a estudar, larguei o futebol. Não é que eu pensei em desistir. Mas quando eu fui para Americana, fiz um teste no time de lá e não passei. Como eu nunca tinha sido federado, minha família achou que não era uma coisa séria”.

“Cheguei a jogar o campeonato regional. Não é que eu desisti, minha vida é o futebol, não pensava em outra coisa. Mas, meu plano B, como meu pai era dentista, provavelmente, eu seguiria a mesma carreira que ele”, relatou.

“Fui jogar como federado com 16 anos, quando eu fui para o Noroeste. Foi onde eu me desenvolvi, quando fiz os Paulistas. E foi ali que a gente viu que dava para jogar profissionalmente. Depois da Copinha de 2020, veio a pandemia, fiquei em casa, mas voltei ao Noroeste, onde joguei Paulista A3, Copa Paulista e dei sequência a tudo isso. Tive a oportunidade de vir para a Portuguesa e não pensei duas vezes”, acrescentou.

A quase ida para a Alemanha

A mudança de sua mãe foi algo que mudou a vida de Luccas. Um grande espelho para o garoto, Fabiana foi para um novo país sem falar alemão fluente e ainda sem emprego garantido, mas com um desejo: melhorar a vida do filho.

“A vida dela era trabalhar e cuidar de mim. Ela foi para a Alemanha buscar uma vida melhor para ela e para mim. Ela diz que foi mais por mim. Eu fico até meio emocionado. Ela fala que sabia que eu ia dar certo no futebol e que tem certeza que daqui a algum tempo eu vou estar lá com ela. Mas não porque eu quero, mas porque algum time de lá vai me contratar”, lembrou.

Jogar na Alemanha, porém, quase foi uma realidade. Em 2019, quando foi visitar a mãe, ele chegou a passar em um teste por lá, no Sandhausen sub-17. Mas um infortúnio fez com que ele acabasse voltando ao Brasil.

“Eles gostaram, mas a janela estava fechada, não tinha como me inscrever porque eu não tinha o visto. Só poderia em julho, quando voltei para o Brasil estava no Noroeste, mas foi uma porta que se abriu. Eu fiquei duas semanas e eles disseram que gostaram, queriam que eu ficasse, mas acabou não dando certo”.

Luccas ‘Paradise’?

Atualmente, Luccas sonha em disputar o Paulista pela Portuguesa no time profissional em 2023 e fazer história pelo clube. Mas um outro grande sonho do garoto ainda é poder jogar em outros campos.

“Eu tenho sonhos, mas busco sonhar dentro do que posso fazer agora. Eu sonho em jogar uma Premier League, são os melhores dos melhores. Mas eu ficaria muito feliz de fazer história pela Portuguesa. Essa torcida, não tem igual, ajuda muito dentro e fora de campo. Não sei explicar. Queria fazer um nome aqui”, disse.

“Meu ídolo é o Cristiano Ronaldo. Então, se eu pudesse escolher, jogaria no Manchester United. Em um Liverpool. Seria legal”, finalizou.