Desde o retorno de Marcelo Gallardo, no início de agosto, o River Plate recuperou a solidez. É verdade que ainda está longe do nível alcançado em sua passagem anterior (2014 a 2022), mas pelo menos encontrou uma estrutura defensiva que hoje sustenta suas chances na CONMEBOL Libertadores, pela qual joga a ida das semifinais contra o Atlético-MG nesta terça-feira (22), às 21h30 (de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte, com transmissão ao vivo pelo Disney+.
O time joga com quatro zagueiros, dois meio-campistas centrais, três meio-campistas mais avançados e um centroavante. Também pode jogar com dois pontas, mas em circunstâncias particulares. Os laterais são homens-chave neste novo ciclo. O campeão mundial Marcos Acuña e Fabricio Bustos dão amplitude ao ataque e são fundamentais para gerar superioridade na fase ofensiva. Os zagueiros Germán Pezzella e Paulo Díaz também são muito importantes, devido à sua experiência internacional e liderança.
No meio-campo, a dupla Matías Kranevitter e Santiago Simón se consolidou. Embora ainda não tenham brilhado, eles deram ao River um pouco de ordem, já que durante o último período de Martín Demichelis o trabalho no meio-campo foi o principal problema. Na frente deles jogam Ignacio ‘Nacho’ Fernández (ex-Atlético-MG), Maxi Meza e Claudio Echeverri, Franco Mastantuono ou Facundo Colidio. Ele ainda não encontrou o melhor jogo da equipe neste setor, mas teve solidariedade para sustentar a estrutura coletiva. No ataque, Borja, ex-Palmeiras, é o responsável pela definição.
O River vem de um empate em 1 a 1 contra o Vélez Sarsfield, atual líder do Campeonato Argentino. O time não jogou bem no primeiro tempo, mas na segunda etapa, quando jogou com três atacantes, melhorou e chegou perto da vitória. Na Liga, os Millonarios estão muito longe da liderança e seu principal objetivo é a vaga na Libertadores.
Sem dúvida, a maior força deste River é a sua defesa. Não apenas por causa do talento individual, mas porque toda a equipe melhorou neste setor. O time sofreu apenas cinco gols em dez jogos na Libertadores, e a chegada de Pezzella, Bustos e Acuña fortaleceu todo o sistema defensivo. Junto com Armani e Díaz, eles formam uma defesa sólida, que pode ser o diferencial para um novo título da América.
Os zagueiros são fortes na marcação, inteligentes na leitura do jogo e das pressões e também firmes no toque de bola. Os laterais, por sua vez, são peças-chave no ataque. Acuña representa um salto de qualidade e sua entrada na equipe deu ao River algo de que eles precisavam muito: ação ofensiva pela esquerda e força de marcação.
O principal ponto fraco do River é a inconsistência de seu jogo. A equipe procura jogar de forma direta, com posse de bola curta e sem segurar a bola. Mas tem dificuldades para manter o ritmo e sustentar o domínio. O meio-campo é irregular, embora Kranevitter e Simón formem uma parceria que tem melhorado ao longo dos jogos. ‘Nacho’ Fernandez não está tão consistente como no passado e nem Echeverri nem Mastantuono conseguiram se impor. Meza, por sua vez, também não ofereceu soluções concretas.
Hoje, o astro do River é Pezzella. Sua chegada foi fundamental para revitalizar a zona defensiva e sua hierarquia e experiência internacional permitiram que ele não só se estabelecesse muito rapidamente como titular, mas também se tornasse uma referência na defesa e para toda a equipe. Na Libertadores, ter um zagueiro deste calibre pode fazer a diferença entre ganhar e perder, e é por isso que o campeão mundial é agora o homem-chave da equipe de Gallardo.
*Tradução: Vinicius Garcia
