Neste domingo, Milan recebe o Napoli, às 16h45 (de Brasília), em jogo decisivo na briga pelo título do Campeonato Italiano; partida terá transmissão pela ESPN no Star+
Neste domingo, o Milan recebe o Napoli, às 16h45 (de Brasília), em jogo decisivo na briga pelo título do Campeonato Italiano. A partida terá transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.
Ao longo dos anos, a Serie A italiana abrigou alguns dos maiores craques da história, principalmente entre atacantes lendários. E um brasileiro teve a honra de marcar muitos deles.
Trata-se do ex-zagueiro Emílson Cribari, que iniciou a carreira no Londrina, mas depois passou praticamente toda a carreira atuando no futebol italiano por mais de uma década antes de retornar ao Brasil para jogar no Cruzeiro.
Hoje aposentado, o ex-defensor concedeu entrevista ao ESPN.com.br e elaborou a lista dos 10 jogadores mais difíceis que teve que marcar durante sua vida no futebol da Itália, jogando por clubes como Empoli, Udinese, Lazio, Siena e Napoli.
No top-10 de Cribari, aparecem diversas lendas, e o brasileiro falou um pouco sobre como foi enfrentar cada um desses atletas.
Confira na lista abaixo:
10. David Trezeguet
O Trezeguet era um atacante de pequena área. Ele fazia o pivô muito bem e ajudava demais o time nas tabelas. A fome de jogar que ele tinha e a facilidade para fazer gols sempre me impressionaram.
9. Hernán Crespo
Joguei muitas vezes contra o Crespo nas passagens dele por Lazio, Inter de Milão, Milan e Parma. Quando eu estava no Napoli, ele estava encerrando a carreira pelo Parma, mas ainda era muito perigoso.
Ele era um atacante de área que tinha um movimento típico para atacar o espaço na pequena área e fazer o gol, era impressionante.
Crespo gostava de antecipar o corte dos zagueiros no primeiro pau para sempre fazer os gols. Meus treinadores sempre alertavam para isso. Fiz muitos duelos contra ele, e quanto ele fez dupla de ataque com o Ibrahimovic na Inter era muito complicado.
8. Andriy Shevchenko
O Shevchenko eu tive a "sorte" de enfrentar na melhor fase dele, quando foi eleito "Bola de Ouro" pela France Football (risos).
Era um atacante de muito movimento, recebia a bola no espaço e tinha uma finalização de perna direita que era mortal. Ele colocava o corpo na frente e já dominava preparando para bater. Muito complicado marcar...
7. Alessandro Del Piero
O Del Piero tinha uma classe fora de série. Ele jogava flutuando ao redor de outros atacantes muito bons e resolvia os jogos.
Era um camisa 10 que batia falta, escanteio, dava assistência com qualidade e ainda mandava aquela finalização sempre buscando a forquilha do gol, onde o goleiro não alcança.
Quando ele fazia um gol assim, a gente falava que tomou um gol "à la Del Piero". Não é à toa que ele é um dos maiores ídolos da história de um time gigante como a Juventus.
6. Gabriel Batistuta
Teve uma vez que eu estava no Empoli e enfrentei o Batistuta pela Inter de Milão, ele fazendo dupla com o Vieri. Só isso (risos)!
Fizemos uma boa partida e seguramos o 0 a 0 por um bom tempo, aí entrou o Recoba e complicou pra gente. Batistuta desequilibrou na parte final do jogo e perdemos por 3 a 0...
Teve outra vez que joguei contra ele quando o Batigol estava na Roma, logo que subimos o Empoli pra Serie A. O treinador da Roma era o Fabio Capello, que, na entrevista pós-jogo, pediu minha contratação para o Franco Sensi, presidente do clube, porque ficou impressionado com a forma como marquei o Batistuta naquele jogo.
5. Francesco Totti
Em um Lazio x Roma, eu dividi uma bola forte com o Totti e minha chuteira ficou marcada no joelho dele. Depois da partida, na zona mista, ele fez questão de mostrar para os repórteres de TV as marcas (das travas da chuteira). No dia seguinte, essa foto do joelho dele com a minha marca estava em todos os jornais e canais de TV, foi uma loucura (risos)!
Depois disso, recebi milhares de mensagens de torcedores da Lazio me agradecendo por ter deixado a marca de chuteira no Totti (risos). Eles foram na porta da minha casa e também na porta do CT fazer festa. Foi muito engraçado ver a alegria deles por eu ter feito um machucado no principal jogador do rival, ainda que eu tenha ido com lealdade na bola e seu qualquer intenção de lesioná-lo.
4. Kaká
O Kaká era um jogador especial, porque era técnico, mas ao mesmo tempo tinha potência em progressão e passada larga. Tenho muito vivas as memórias dos duelos em velocidade contra ele de uma parte do campo até a outra. Só dava para pará-lo com falta (risos)!
É um superprofissional. As defesas que jogavam em linha alta sofriam contra ele, porque buscava os espaços vazios sempre. Além disso, no Milan ele tinha o Pirlo para fazer os lançamentos nas costas da defesa. Se você não tivesse a leitura antecipada de onde a bola ia cair, não pegava mais...
3. Zlatan Ibrahimovic
Em um Udinese x Juventus, na temporada 2004/05, ele ficou bravo com a minha marcação! A bola estava parada, quando levei uma cabeçada de graça! Na foto (que tiraram do lance parece que ele está me cheirando, mas na verdade foi uma cabeçada (risos). Foi do nada, de surpresa!
O Ibra dá conta do ataque sozinho de tão alto, forte, veloz e com tanta qualidade. Ele pega o lançamento e resolve. Ele era muito líder dentro de campo, sempre chamava e motivava os companheiros. Tinha muita fome de conquistas.
Ele fazia gol de tudo quanto é jeito: de direita, de esquerda, de cabeça, de oportunismo, gols impossíveis ou em acrobacias. É um dos grandes atacantes da história do futebol.
2. Adriano "Imperador"
O Adriano, no auge dele, está junto com o Ronaldo em questão de dificuldade para marcar. Ele conquistou muito menos do que o potencial dele indicava. Realmente dava muito trabalho para tentar fazer alguma coisa contra ele...
Inclusive, tem aquela foto que ficou famosa dele comemorando um gol sem camisa, no jogo que ele ganhou o apelido de "Imperador"... Era eu que estava marcando ele nesse Empoli x Inter (risos). Foi um golaço que ele fez ali em cima da gente. Naquele dia, eu vi toda a potência e qualidade dele.
Teve um Inter x Udinese, quando eu estava na Udinese, que ele jogou pela seleção, pegou um voo para Milão, pousou e foi direto para o estádio jogar. Num escanteio a nosso favor, ele pega a bola, dribla todo mundo e mete um golaço no De Sanctis. Foi impressionante!
Ele era imarcável no período de 2002 até a Copa do Mundo de 2006. Era impressionante. Os zagueiros tinham que fazer a marcação individual dos atacantes e tinha a cobertura dos meio-campistas. Mas, quando o Adriano cobria a bola com o corpo, com a técnica e a velocidade que ele tinha, atropelava todo mundo.
Podia ser qualquer zagueiro. Podia ser Maldini, Stam, Nesta, qualquer um sofria... Era uma combinação de força e técnica que era algo fora de série!
1. Ronaldo "Fenômeno"
O Ronaldo, quando veio do Real Madrid de volta para a Itália, era um atacante que fazia a gente perder a noite de sono...
Era um sonho enfrentá-lo nessa época, algo quase surreal. Ele voltou para a Serie A com um pouco de dificuldade física na parte de mobilidade, só que era um jogador que com um toque você já via a classe e a forma como era diferenciado.
Mesmo com o físico um pouco em decadência, ele nunca perdeu a velocidade que tinha junto com a técnica do drible seguido da finalização.
Para mim, ele foi e sempre será o maior camisa 9 da história do futebol!
