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Lazio x Roma: Brasileiro Cribari virou 'deus' ao cravar chuteira no joelho de Totti em clássico: 'Torcida foi na porta de casa agradecer'

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Roma recorda primeiro gol de Totti no clube, há exatos 26 anos, com saudosa animação do lance (0:09)

Via Instagram @officialasroma | Ídolo anotou o primeiro de seus 307 gols no clube no dia 4 de setembro de 1994 (0:09)

Neste domingo, Lazio e Roma fazem um dos grandes clássicos do futebol mundial às 13h (de Brasília), pela 6ª rodada do Campeonato Italiano, com transmissão pela ESPN no Star+.

Um jogador brasileiro é lembrado com enorme carinho até hoje pela torcida biancocelesti, apesar de ser pouco conhecido em seu país natal: o zagueiro Emílson Cribari.

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Nascido no Paraná, Cribari iniciou sua carreira no Londrina, mas depois fez história atuando no futebol italiano por mais de uma década antes de retornar ao Brasil para jogar no Cruzeiro.

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Durante seus anos de Serie A, ele defendeu clubes como Empoli, Udinese, Siena e Napoli, mas é mais lembrado por sua passagem de quase cinco temporadas na Lazio.

Campeão da Supercopa da Itália em 2009 pelos celestes, Cribari ganhou status de "deus" entre os fãs da Lazio por ter dado uma entrada dura no maior ídolo da história da Roma: o ex-atacante Francesco Totti.

Aos risos, o paranaense revelou que os torcedores da equipe biancocelesti foram até sua casa para "festejar" o ocorrido.

"Em um Lazio x Roma, eu dividi uma bola forte com o Totti e minha chuteira ficou marcada no joelho dele. Depois da partida, na zona mista, ele fez questão de mostrar para os repórteres de TV as marcas (das travas da chuteira). No dia seguinte, essa foto do joelho dele com a minha marca estava em todos os jornais e canais de TV, foi uma loucura", contou o brasileiro, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Depois disso, recebi milhares de mensagens de torcedores da Lazio me agradecendo por ter deixado a marca de chuteira no Totti (risos). Eles foram na porta da minha casa e também na porta do CT fazer festa. Foi muito engraçado ver a alegria deles por eu ter feito um machucado no principal jogador do rival, ainda que eu tenha ido com lealdade na bola e seu qualquer intenção de lesioná-lo", ressaltou.

Para ilustrar o respeito e a admiração que ganhou entre os torcedores da Lazio após esse lance, Cribari lembrou uma divertida história ocorrida dentro de um avião.

"Aconteceu algo muito curioso: eu estava no avião para voltar ao Brasil e no mesmo voo estava o Kaká. Dias antes, a Lazio tinha vencido a Roma por 3 a 0 no dérbi. Aí, no avião, tinha um torcedor da Lazio pedindo para tirar foto com o Kaká. Quando ele olhou para o lado e me viu, ficou louco! Começou a gritar: 'Cribari! Cribari! (risos)", gargalhou.

"Então, ele virou para o Kaká e disse: 'Espera só um pouquinho, deixa eu tirar uma foto com o Cribari, depois eu tiro com você' (risos). Eu só pensei: 'Não é possível que o cara deixou o Kaká de lado para tirar uma foto comigo!'. E detalhe: o Kaká estava voando no Milan, foi a temporada em que ele foi eleito o melhor do mundo. Só nisso você vê a paixão do torcedor da Lazio", exaltou.

"Depois que tirou a foto comigo, ele foi lá e tirou uma com o Kaká também. Eu até brinquei com ele: 'Desculpa aí, Kaká! (risos)", sorriu.

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Roma recorda primeiro gol de Totti no clube, há exatos 26 anos, com saudosa animação do lance

Via Instagram @officialasroma | Ídolo anotou o primeiro de seus 307 gols no clube no dia 4 de setembro de 1994

'Ele andava com um cassetete no carro'

O Derby della Capitale, como é chamado o clássico entre Lazio e Roma, é conhecido por ter uma rivalidade explosiva tanto entre torcedores quanto entre jogadores.

Segundo Cribari, isso impediu até que ele mantivesse amizade com brasileiros que atuavam pelo time giallorosso.

A intensidade do ódio entre os dois clubes é tamanha que influencia até o local de moradia dos atletas, de acordo com a equipe que eles atuam.

"O Taddei, que jogou por vários anos na Roma, é muito amigo meu, mas a rivalidade Lazio x Roma é tão grande que nós não podíamos nem aparecer em público juntos", relatou.

"Fora isso, os CTs são em locais totalmente opostos da cidade. Então, os jogadores meio que têm que morar perto dos respectivos CTs. É impossível um jogador da Lazio morar perto do CT da Roma ou em bairro com muitos torcedores romanistas, e vice-versa. Em Roma, existem bairros que praticamente só têm torcedores de um dos clubes, então tem que ficar esperto com isso", revelou.

A possibilidade de levar um "enquadro" de torcedores rivais, por exemplo, fez até com que alguns atletas mais esquentados resolvessem andar "preparados" em caso de emergência.

Era o caso, por exemplo, do ex-atacante Paolo Di Canio, revelado na base do clube e com fortes ligações com as alas de extrema-direita da torcida da Lazio.

"O Di Canio andava com um cassetete no carro por causa dos torcedores!", contou Cribari, que, na temporada 2005/06, jogou ao lado do carequinha e inclusive participou de uma de suas "preleções".

"Antes do meu primeiro Lazio x Roma, o Di Canio convidou o time todo para jantar na casa dele. Ele tinha acabado de voltar da passagem pela Premier League e falou que vencer o dérbi era a vida dele, porque ele nasceu em Roma, fez base na Lazio e era torcedor ultra do clube na infância e adolescência. Ele era o cara que representava o torcedor da Lazio em campo", relembrou.

"Havia uma sala de cinema na casa dele, e aí ele colocou para a gente vários vídeos de reações da torcida da Lazio em gols marcados em dérbis, com algumas gravações de dentro da própria arquibancada. Ele queria que a gente sentisse como era fazer gol e vencer o dérbi, e quando isso significava para a torcida", seguiu.

"E deu muito certo (risos)! No dia seguinte, fizemos um baita jogo e ganhamos por 3 a 0, com gols de Ledesma, do Oddo, batendo pênalti, e do Mutarelli", finalizou Cribari, com memória mais do que afiada.