Para a Copa do Mundo de 2010, o técnico Dunga surpreendeu e não levou nomes como Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e Adriano. O último foi a principal surpresa. O atacante, que na época atuava no Flamengo e havia sido campeão brasileiro em 2009 e artilheiro da competição, ficou de fora por conta dos problemas extracampo e o treinador optou por chamar Grafite.
Campeão da Bundesliga pelo Wolfsburg na temporada 2008-09 e sendo artilheiro da competição, Grafite chegou à seleção com muita expectativa pelo que realizava em campo no continente europeu.
No entanto, em entrevista ao ESPN.com.br, Dunga revelou que o próprio atacante não sentia confiança em si próprio. O treinador citou uma entrevista recente do ex-atacante, em que diz que o técnico ‘deveria ter levado Adriano’, para reafirmar a diferença entre ‘estar preparado e se sentir preparado’.
“Eu levei um outro jogador no lugar dele, que também estava tendo um destaque fantástico na Alemanha, e aí para você ver que, às vezes, o treinador ele consegue chegar até um ponto, o outro ponto ele não chega, no pensamento das pessoas. Entre o cara estar preparado e ele se sentir preparado, tem muita diferença, muita. E eu levei esse jogador para a Copa do Mundo, e agora, há um mês atrás, vi uma entrevista dele falando: ‘ah, mas o Dunga tinha que ter levado o Adriano e não eu’. Pô, se o treinador te leva para uma Copa do Mundo, você é artilheiro da Alemanha, se você não tem confiança em ti, quem vai ter confiança?”, começou por afirmar o treinador.
“Então, às vezes, os jogadores te levam a cometer um erro que sai do seu controle, da sua gerência. Você está levando um jogador que é artilheiro de um campeonato, você acha que o cara está preparado, que o cara está jogando. O sonho de um jogador é jogar Copa do Mundo, aí depois de 10 anos o jogador vem dizer: ‘ah, não, mas o outro era melhor do que eu’. Então, entre o cara estar preparado e se sentir preparado e assumir um posto na Seleção Brasil, tem muita diferença”.
Mesmo com a surpresa que teve com Grafite, Dunga revelou que não se arrepende da convocação do atacante. Para ele, o que futebol que o atacante apresentava na época o credenciavam a disputar a Copa. No entanto, não poderia ‘entrar na cabeça’ e mudar a mentalidade do jogador.
“Arrependimento não é porque eu fiz com a minha consciência levar um jogador que era artilheiro do Campeonato Alemão. No meu entender, um jogador que é artilheiro do de um Campeonato Alemão, tão difícil como é o campeonato, estava preparado e se sentia preparado para jogar na Seleção Brasileira. Mas como eu vou poder entrar na cabeça de um jogador, saber se ele se sente assim, que ele não se sente à altura. Aí fica difícil”, finalizou.
Na competição, o Brasil chegou às quartas de final. Na ocasião, perdeu de virada para a Holanda, por 2 a 1, e deu adeus às chances de conquistas o hexa.
