Yoann Gourcuff surgiu como um meteoro no futebol europeu, mas hoje está sem clube e se dedica ao tênis amador
Nesta quinta-feira (22), a França recebe a Áustria, às 15h45 (de Brasília), pela 5ª rodada do grupo 1 da Uefa Nations League, precisando urgentemente de uma vitória para tentar escapar do rebaixamento na competição europeia.
Apesar de viverem situação difícil no torneio, os Bleus vêm conseguindo montar seleções espetaculares e recheadas de craques nos últimos anos. É uma prova de que o futebol francês vive uma das melhores fases de sua história, gerando bom jogador atrás de bom jogador e tendo coroado isto com o título da Copa do Mundo de 2018.
Um dos grandes "talentos desperdiçados" da última década, porém, foi o meia Yoann Gourcuff, que surgiu como um meteoro no Rennes, no início dos anos 2000, e foi comprado pelo Milan, que era a grande potência do futebol europeu na época, em julho de 2006.
O armador até ganhou grandes títulos, mas não se firmou em Milão, mas viveu a melhor fase de sua carreira ao ser emprestado ao Bordeaux, em 2008/09.
Logo após chegar à equipe da terra dos vinhos, ele simplesmente "comeu a bola" e levou o time aos títulos do Campeonato Francês e da Copa da Liga Francesa 2008/09, além de ter faturado mais duas Supercopas da França (2008 e 2009).
Nessa época, ele também virou nome obrigatório nas convocações da seleção francesa, participando das campanhas nas eliminatórias da Copa do Mundo 2010 e Eurocopa 2012, e fazendo parte do elenco final do Mundial da África do Sul.
Graças ao seu estilo extremamente técnico, com jogadas plásticas e vários gols de plástica, ele foi apelidado de "Petit Zidane", ou "Pequeno Zidane".
Adquirido em definitivo pelo Bordeaux em 2009, ele continuou fazendo parte daquele que foi talvez o melhor elenco da história da agremiação, e que contava com vários brasileiros, como o zagueiro Henrique Souza, os volantes Fernando e Wendel e o atacante Jussiê.
Em entrevista ao ESPN.com.br, Jussiê, que fez parte do supertime do Cruzeiro entre 2001 e 2004, comparou Gourcuff ao "cérebro" daquela equipe celeste.
"O Gourcuff era o nosso Alex no Cruzeiro de 2003. O Bordeaux de 2008/09 jogou em torno dele e deu muito certo", recordou o ex-atacante, que encerrou a carreira no próximo Bordeaux.
"Infelizmente, depois ele não conseguiu dar sequência a uma carreira que tinha tudo para ser brilhante", lamentou.
A derrocada do "Pequeno Zidane"
A derrocada na carreira de Gourcuff começou a partir de agosto de 2010, quando, em um movimento ousado no mercado francês, o Lyon foi com tudo e comprou o meia por 22 milhões de euros (R$ 112,09 milhões, na cotação atual), dando a ele o maior salário do país naquele momento.
Ao trocar de clube, o "Pequeno Zidane" jamais conseguiu ser o mesmo dos tempos de Bordeaux.
Em cinco temporadas no Lyon, Gourcuff sofreu com lesõem em série, que o fizeram perder quase 90 jogos no departamento médico. Ao todo, ele entrou em campo 128 vezes e fez apenas 19 gols, ganhando só dois troféus: uma Copa da França e uma Supercopa da França.
Na seleção, seu nome também passou a ser esquecido, e ele não fo convocado para a Eurocopa de 2012, apesar de ter feito parte de toda a campanha nas eliminatórias.
O fracasso no Lyon foi tão grande que ele deixou o clube de graça, em julho de 2015, ao final de seu contrato. Em seguida, tentou retomar a carreira no Rennes, time que o revelou, mas também não teve sucesso, fazendo três temporadas apagadas pela equipe.
Para o ex-volante Dudu Cearense, que testemunhou o "nascimento" de Gourcuff no Rennes, entre 2004 e 2005, as comparações com Zizou fizeram mal à carreira de Gourcuff.
"O Gourcouff jogava demais. Batia muito bem com as duas pernas, tinha uma visão de jogo gigantesca e era um excelente atleta. A gente sempre combinava quando jogava junto: eu faria de tudo para passar a bola para ele, e ele me ajudava a resolver o jogo (risos)", contou Dudu, em entrevista ao ESPN.com.br.
"Infelizmente, teve isso dele ser comparado ao Zidane, e isso é algo que não existe. Era uma expectativa enorme e desmedida colocada em cima dele por causa dessa comparação. Zidane é um, Gourcouff é outro!", salientou.
"Mas de fato era um cara que jogava demais, com um potencial enorme quando atuamos juntos no Rennes. Ele fazia muita diferença em campo", complementou.
Em 2018/19, foi a vez do pequeno Dijon apostar no futebol de Gourcuff. Todavia, o meio-campista disputou apenas oito partidas pela agremiação antes de sofrer uma grave lesão na coxa, que encerrou sua temporada de forma precoce. Com isso, ele optou pela rescisão contratual antecipada já em janeiro de 2019.
Depois de ver o filho mais de um ano e meio sem clube, o pai de Gourcuff, Christian, afirmou que o meia havia pendurado as chuteiras. Oficialmente, porém, o atleta nunca confirmou que de fato tenha se aposentado.
Não se sabe se o "Pequeno Zidane" encontrará um novo time para tentar dar seus últimos chutes na bola. No entanto, ele segue se dedicando ao esporte, mais especificamente ao tênis, que era sua grande paixão de infância ao lado do futebol.
No início deste ano, Gourcuff disputou até mesmo um torneio oficial: a etapa de Larmor-Plage do Régionale 1, uma das competições de tênis regionais da França.
O atleta disputou dois dos quatro jogos de sua equipe, se destacando especialmente na vitória sobre Arthur Thuet, que era o grande favorito.
Gourcuff, inclusive, ficou indecido na infância se deveria tentar carreira como tenista ou jogador de futebol. Ele se dedicou plenamente ao esporte da bolinha amarela até os 12 anos, e chegou até mesmo a cruzar contra ninguém menos que Rafael Nadal no torneio sub-12 de Auray, em 1998.
No entanto, o atleta acabou optando pelo futebol, entrando nas categorias de base do Lorient e depois indo para o Rennes. O resto é história...
