Presidente do Flamengo dispara: 'Pagaria 100 euros numa Coca-Cola? Não somos burros. Outros clubes fazem...'

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, voltou a defender o modelo de gestão que, segundo ele, revolucionou o Flamengo nos últimos anos. Em entrevista ao jornal espanhol As, o presidente exaltou a saúde financeira do clube, cutucou rivais e deixou um recado claro ao mercado.

“Eu pagaria 100 euros por uma Coca-Cola só porque somos ricos? Não, porque não somos estúpidos. Não vamos pagar acima do valor em contratações só porque temos dinheiro. Muitos clubes de futebol fazem isso. Nós não faremos.”

Segundo ele, o Flamengo negocia dentro de parâmetros definidos e não entra em leilão. “Negociaremos pelo preço que considerarmos adequado para o produto”, afirmou, ao lembrar que foi assim nas últimas grandes operações.

O clube fechou a contratação de Lucas Paquetá, ex-West Ham, por 42 milhões de euros (cerca de R$ 260 milhões). Já Samuel Lino, que estava no Atlético de Madrid, custou 22 milhões de euros (R$ 143 milhões), além de bônus de 1,25 milhão de euros (R$ 7,9 milhões) por metas como títulos da Libertadores e do Brasileirão.

Para o presidente, os números são altos, mas não ultrapassam o teto do clube. Ele sustenta que o modelo implantado nos últimos anos colocou o Flamengo em outro patamar financeiro.

Ao abordar a chegada do Fair Play Financeiro ao Brasil, Bap afirmou que o Rubro-Negro está preparado para a nova realidade. A regra deve limitar os clubes a gastar até 70% das receitas, e ele acredita que muitos precisarão de um período de adaptação.

“Quando o FFP entrar em vigor, praticamente posso, sem fazer muitos cálculos, aumentar meus gastos em 50% e ainda estar totalmente dentro das regras”, disse.

Bap explicou que o planejamento do Flamengo é baseado em receitas recorrentes e não considera premiações por títulos como base para ampliar despesas. “Gasto 40% do que arrecado sem considerar os prêmios. Se levasse os prêmios em conta, seria apenas 30%. Temos uma gestão muito conservadora e muito diferente da que vemos no Brasil e na América do Sul.”

Segundo ele, foi essa disciplina que transformou o clube. “Hoje é um clube rico, é um clube saudável, que tem dinheiro para cumprir suas obrigações, contratar Lucas Paquetá e, se necessário, fazer outras operações.”

A confiança na gestão, afirma, também fortalece a imagem do Flamengo no mercado internacional. “Cumprimos nossa palavra. Ano após ano. Isso nos permite ter uma posição diferenciada”, declarou.

A estrutura fora de campo tem refletido dentro dele. Sob o comando de Filipe Luís, há pouco mais de um ano no cargo, o Flamengo conquistou cinco títulos, incluindo o Campeonato Brasileiro e a CONMEBOL Libertadores da temporada passada.

Bap vê ligação direta entre organização financeira e desempenho esportivo. “Esse ambiente de credibilidade, tranquilidade e infraestrutura que oferecemos potencialmente se traduz em melhores resultados esportivos. É garantia de que você vai ganhar? Claro que não. Mas permite lutar por títulos todos os anos.”

O Flamengo, inclusive, pode conquistar mais um título para sua galeria de troféu. Na quinta-feira (19), às 21h30, enfrenta o Lanús, no La Fortaleza, pela partida de ida da final da CONMEBOL Recopa.

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