O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, concedeu uma longa entrevista ao jornal As, da Espanha, e tratou sobre vários assuntos, desde o sonho de um dia conseguir repatriar Vinicius Jr., as negociações envolvendo a contratação de Lucas Paquetá e também o técnico Filipe Luís.
Além disso, o mandatário lembrou também o passado, citando algumas medidas tomadas anos atrás que fazem o Rubro-Negro estar atualmente em situação tão confortável, sendo o atual campeão da CONMEBOL Libertadores e do Brasileirão.
"Provavelmente começou em 2010. Comigo. Sozinho. Eu já era sócio do clube, era presidente da Sky no Brasil. E patrocinávamos o basquete do Flamengo naquela época. Tivemos muito sucesso com isso. Esse foi o começo de um processo político, e comecei a buscar outros executivos do mercado que não fossem do clube de futebol, mas que sentissem paixão pelo Flamengo e entendessem que poderiam nos ajudar. Esse grupo cresceu. Ganhou forma, montamos uma candidatura e vencemos as eleições de 2012 no Flamengo."
Na sequência, Bap revelou em quem ele se inspirou para colocar o Flamengo "nos trilhos": "O modelo, a inspiração, foi 100% o Barcelona, no início dos anos 2000, acredito que por Ferran Soriano e seu livro 'A bola não entra por acaso'. Ali contam a história do Barcelona e, se você quiser entender o que me motivou, foi porque as condições eram idênticas às que eles descrevem do Barcelona naquela época. Os problemas talvez fossem um pouco diferentes, mas as histórias são muito parecidas. A diferença é que, do ponto de vista do potencial, sempre vi o Flamengo como um clube com enorme margem de crescimento."
E se no passado o dirigente tinha como exemplo o Barcelona, hoje em dia, com tudo no clube em dia, a sua atenção está voltada para outro gigante clube espanhol, o Real Madrid.
"Olho para o Flamengo com base nos melhores exemplos que existem na Europa. Penso o Flamengo como se fosse um clube europeu no Brasil. Em todas as decisões que tomo, penso: 'Se o Flamengo estivesse na Europa, que decisão tomaria?'. Depois ajusto essa decisão à realidade do Brasil, mas sem deixar que isso condicione minha escolha. É uma forma diferente de enxergar o negócio. Tem dado resultado. Eu sempre sonhei grande. Sempre pensei em querer ser o Real Madrid da América. Observo o que faz o Real Madrid, o que faz o Manchester City, o que faz o Atlético de Madrid, o que faz o Bayern de Munique, o que faz o Paris Saint-Germain. Tento entender quais foram os acertos, trabalhar adequadamente aquilo que posso ajustar à realidade do Brasil e identificar o que vejo como erros e como poderia fazer para não repeti-los", disse, antes de seguir:
"Por exemplo, a era dos 'Galácticos' de Florentino Pérez no Real Madrid foi sensacional do ponto de vista do marketing, mas do ponto de vista esportivo não foi. O PSG teve um ataque dos sonhos e resultados de pesadelo. Não ganhou absolutamente nada e gastou uma fortuna com Messi, Neymar e Mbappé. Muitas vezes, contratar os melhores jogadores, do ponto de vista conceitual, não significa que você vai montar um grande time, que terá grande desempenho esportivo."
E o olhar de Bap para o Real Madrid não está apenas dentro de campo, mas também em toda a estrutura que cerca o clube de mais sucesso no mundo todo.
"Estive em Madri há poucos meses e convidei minha esposa para jantar no Bernabéu. Ela gostou, mas perguntou por que estávamos no Santiago Bernabéu e não em outro restaurante. Respondi que tinham me recomendado a carne do local, sem convencê-la totalmente. Terminamos o jantar e eu já não pude esconder mais, então disse: 'Quero ver a que horas o serviço termina, quero ver como é o atendimento, quero ver se as taças são de cristal, quero ver quais talheres usam, quero ver o perfil das pessoas que estão no estádio…'. No fim, ela entendeu que viemos aqui para tirar ideias para o Flamengo e para o Maracanã (risos)."
Próximos jogos do Flamengo:
Botafogo (F): 15/02, às 17h30 (de Brasília) - Campeonato Carioca
Lanús (F): 19/02, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Recopa
Lanús (C): 26/02, 21h30 (de Brasília) - CONMEBOL Recopa
