Goleiro do Ajax, Remko Pasveer disputará a primeira Copa do Mundo aos 39 anos
De volta a uma Copa do Mundo após longos oito anos, a Holanda estreia no Qatar nesta segunda-feira (21), às 13h (de Brasília), contra Senegal, no Estádio Al Thumama. Antes mesmo do país iniciar a busca pelo título mundial inédito, que escapou por um triz em 1974, 1978 e 2010, a convocação final do técnico Louis van Gaal deu o que falar. E um dos motivos foi o "vovô" Remko Pasveer, de 39 anos, goleiro do Ajax.
Entre os atletas mais veteranos que estarão nesse Mundial, o goleiro passou a carreira praticamente toda "no anonimato" em clubes menores, como Twente, Heracles Almelo e Go Ahead Eagles. Também esteve por alguns anos no PSV Eindhoven, mas pouco atuou. Em quatro anos, ele entrou em campo apenas 18 vezes. Sua volta por cima começou no Vitesse. Na temporada 2019/20, ele foi eleito o jogador do ano do time.
A reviravolta na carreira teve início em 2021. Naquele ano, foi contratado às pressas pelo Ajax, já que André Onana, titular na época e que encara o Brasil pela seleção de Camarões no dia 2 de dezembro, foi suspenso por um ano por envolvimento em caso de doping, e o seu reserva imediato, Maarten Stekelenburg estava machucado. A estreia não foi das melhores, com uma derrota por 4 a 0 para o rival PSV.
Mas logo ele começou a brilhar. No dia 19 de outubro, Pasveer se tornou o primeiro goleiro a defender três chutes de Erling Haaland, então atacante do Borussia Dortmund, em duelo válido pela Champions League.
A boa fase no Ajax levou o goleiro à seleção holandesa. Ele estreou pela Holanda aos 39 anos e não sofreu gols nos duelos contra Polônia e Bélgica, pela Uefa Nations League.
As atuações de Pasveer encantaram o excêntrico técnico Van Gaal, que em uma convocação recente chegou a chamar cinco goleiros e hoje mostra pouca convicção de quem defenderá a meta holandesa: "Remko conseguiu manter nossa defesa ilesa, coisa que não conseguimos fazer com tanta frequência".
Porém, se depender da numeração, Pasveer tem tudo para ser o titular, já que será o camisa 1 da Holanda no torneio. E o número é justamente por sua idade. Em entrevista recente, Van Gaal apontou que o fato de ser mais velho o credenciou a ser o 1. Bijlow, de 24 anos, ficou com a 13, e Noppert, de 28, será o camisa 23.
E o fato de ter se tornado um dos "homens de confiança" de Van Gaal fez, inclusive, com que o treinador deixasse de lado outros nomes conhecidos, como Jasper Cillessen, de 33 anos, que está no NEC (HOL), mas já passou por Ajax e Barcelona, além de Tim Krul, de 34 anos, do Norwich City, e que ganhou a fama de pegador de pênaltis na Copa de 2014.
'Joga com a 10' nos treinos
Por muitos anos atacante do Heracles Almelo (2006 a 2013), o brasileiro Everton conhece bem Pasveer. Em entrevista ao ESPN.com.br, ele não mostrou surpresa com a escolha feita por Van Gaal para o Qatar e lembrou de como era o convívio com o "vovô" da seleção holandesa.
"Eu vejo os jornais holandeses, tem muita gente criticando, principalmente os goleiros antigos porque o Cillessen não foi e o Tim Krul. Só que o Van Gaal sabe o que faz, tem um currículo incrível. Pelo que conheço do Pasveer, sempre trabalhou para isso. Fazia musculação com ele porque a gente puxava mais, e ele gostava de treinar comigo porque me chamava e eu aceitava. A gente jogou 6 anos juntos", começou por dizer.
"Sempre trabalhou demais e se dedicou bastante durante os treinos. Fora, se cuidava com a alimentação. Ele merece por tudo que sempre fez e também agora no Ajax", prosseguiu.
Durante o período em que atuaram juntos no Heracles, Peter Bosz, que já foi técnico do Ajax e atualmente comanda o Lyon, inovava nos treinamentos. E nos rachões, Pasveer atacava até mesmo de "camisa 10", ganhando os elogios do atacante brasileiro.
"Ele é muito bom com os pés. Mesmo quando começamos e o Peter Bosz chegou, nosso time tinha muita posse de bola, até contra o PSV fora de casa. Ele jogava de líbero para a gente, quase como meio-campo. Eu falava: Você pode jogar de camisa 10 em qualquer time porque tem muita habilidade. Isso pode ter ajudado na convocação dele. Tendo um cara que pode jogar. Nos rachões, ele jogava na linha, e nos treinos o treinador deixava sem goleiro, e ele precisava ser um zagueiro. Era muito tranquilo com isso e era difícil de ele errar. No mano a mano muito forte, sai bem do gol. No um contra um é difícil de passar", contou.
"Ele é bem explosivo dentro do gol. Se o atacante abaixa a cabeça, ele é muito rápido e não dá espaços. Não fica parado dentro do gol, ele sai bastante. Ele vai para ganhar".
Por último, Everton ainda lembrou que sempre deu forças ao ex-companheiro de time, desde a primeira convocação para a Holanda, em setembro.
"Na primeira convocação, ficou surpreso e feliz. Agradeceu demais a mensagem que mandei. Era um sonho realizado", disse.
"Ele ficou muito feliz em ir para a Copa e comemorou muito. Como tinha ido para amistosos e foi bem, esperava ir para a Copa porque foi titular", finalizou.
